sábado, 10 de abril de 2010

LESTER BANGS E O ROCK ,TAL COMO " ROCK É ROCK MESMO" , AFINAL, AINDA ESTÁ VIVO?



Se vivo, o que Lester Bangs diria do atual panorama do Guns n’roses e das bandas que hoje ainda resistem ao tempo?
Conhecido por defender o rock em seu estado mais bruto e visceral, Lester quando quis foi honesto e impiedoso ao disparar sua ferocidade até mesmo contra seus próprios ídolos por não aceitar transformações que em sua visão os afastavam da essência que fez com que eles fossem dignos de sua reverencia.
Não sei e nunca saberei o que ele pensaria a respeito da explosão do Guns e sua época dourada ,talvez ele preferisse o Nirvana, mas certamente se pudesse escolher um momento entre a fase áurea e a atual da banda de Axl , com certeza ficaria com o que representava a banda em seu estado mais brutal e selvagem,o espirito mais puro, a novidade e o frescor de algo que ali rompia barreiras ,um mito transgressor e delinqüente , mesmo que logo em seguida essa transgressão acabasse envolta em toda pompa que ele tanto detestava no rock , as garras da industria que ao seu ver matou a pureza da musica que ele mais admirava ,o sentido de uma obra de arte maldita mas irresistível e de impacto irreversivel no cerebro das pessoas.
Hoje Axl ainda está ali vestido em seu manto de excentricidade e as pessoas que lotaram os shows da turnê na américa latina também estavam lá , mas será que estavam lá pelo que o "Guns" é hoje?
Pensando como Lester eu diria que todos que estavam diante de Axl e sua nova banda vibrando com clássicos que moldaram uma geração , ali se encontravam porque o rock está morto,de certa forma.
Antes de me crucificarem por estas palavras deixem que eu possa explicar meu pensamento, afinal em bem pouco tempo tivemos antológicas apresentações de Ozzy, Acdc, Metallica , Iron, Motorhead... o que gera certa incoerencia em minha teoria , mas uma coisa é certa, todos nós estávamos lá pelo que eles passaram a representar um dia em nossas vidas e a partir dali eternamente.
Temos nestes grandes expoentes do rock algo a nos apegar com unhas e dentes e não é nada relativo ao que as bandas são nos dias de hoje em termos de criatividade elas são o que representam por fazerem parte de todo nosso insconsciente popular, se fossemos como Lester, na época de Lester, teriamos razões de sobra para nos dividir em inúmeras opções a criticas , sua época pariu todas as vertentes divisórias e vibrantes do rock , do beat a psicodelia ,do hard ao folk rock , da chegada da musica pesada a new wave of british heavy metal,a explosão do punk rock ,da new wave, do progressivo , do glam rock e consequentemente todas as cagadas que um dia muitos destes artistas cometeram, por estarem acorrentados a um posição no ranking de vendagens.
Mas ,afinal , porque dar a cara a tapa ao concordar com a opinião de Lester de que o rock está morto?
Porque , assim como ele, concordo com o fato de que a industria o matou , afinal, que chances temos de ver a historia de alguma destas bandas acontecer novamente com o impacto que tiveram ,que chance há ?
Para nós se tornou irrelevante apontar falhas , formas físicas caóticas, não ver as bandas em seu estado original , suportar atrasos dantescos, chiliques, hipocrisia, grana , caça níquel , ou seja lá o que for que possamos desconfiar não estar certo ,isso pouco nos importa quando há a chance de vermos algo que ainda carregue algum sentido da palavra rock em si mesmo ,mesmo que seja na celebração da memória .
Talvez Lester estivesse em algum porão assistindo a algo transgressor se ainda fosse vivo nos dias de hoje, mas transgressor a que?
Tudo o que há , por mais radical e indiferente que possa ser carrega fortemente o DNA de alguém impresso em uma personalidade que acaba comparada, portanto Lester também acabaria se contradizendo se estivesse em nossos dias ,não há nada novo realmente no front.
Para finalizar, termino dizendo que não sou e nem chego perto de ser como Lester Bangs e sendo o que sou vou criar aqui minha nova tese e que é a realidade de milhões , o rock sempre estará vivo em nossa memória enquanto mantivermos vivo o culto em sua homenagem e enquanto tudo se pareça realmente como uma grande, imbatível e emocionante religião.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A HISTORIA DO ANVIL


A efervescencia de minha iniciação ao rock verdadeiro começou a virar doença em meados dos anos 80 com a explosão da New wave of british heavy metal na inglaterra, eu era um dos chamados metaleiros , a ridicula alcunha gerada após o primeiro rock in rio ,hoje em dia o fã de musica pesada é tratado de maneira mais decente ao receber o codinome de metalhead.
Naquela epoca tinha uma puta safra de bandas despontando ,toda e qualquer novidade que surgia nas paginas xerocadas da rock brigade virava febre ,em um momento daquele periodo alucinado nem sempre a qualidade era o que imperava ,o metal ainda tinha muito a amadurecer e isso aconteceria em um espaço super curto de tempo ,bastou o salto mortal evolutivo entre o incio do reinado da pegada tosca mas cativante do venom a chegada do impacto devastador do slayer,pra citar um exemplo.
Os canadenses do Anvil vieram cedo e marcaram seu nome na epoca ,"metal on metal" era um album aclamado naqueles dias ,mas não superaram a evolução absurda que o metal teve pouco tempo depois ,mesmo assim a banda figurou entre a força daquela geração que nascia ,mas foi apagando-se aos poucos da aclamação publica ,o memso eu posso dizer de bandas como krokus,raven,samsom e riot ,só para citar alguns ,ficando um escalão abaixo no ranking da supremacia.
As inumeras trocas de gravadoras ,as diferenças de sonoridade entre um produtor e outro a cada album lançado por eles( 13 ao todo)acabou prejudicando a vida da banda que literalmente reduziu-se a pó ,mesmo que lutando por reconquistar o brilho do passado até os dias de hoje.
Os grandes palcos ,as grandes multidões, reduziram-se a muquifos muitas vezes diante de ninguem para assisti-los ,mas mesmo assim o Anvil seguiu seu caminho com inabalavel fé.
O documentario "Anvil- the history of Anvil" ,partiu da ideia de um roadie que resolveu documentar o dia a dia de uma banda em declinio absoluto e sua tentativa de gravarem mais um disco e manterem-se vivos em nome de um passado.
O resultado é tocante ,avassalador ,genial e vem arrancando elogios rasgados da critica e colocando o Anvil novamente na ativa , abriram a primeira fase da recente "black ice tour" do Acdc, excursionaram com o Saxon ,participaram do the tonight show e nesse mes tocam em varios lugares no japão.
É certo que tudo isso vem impulsionado pela força do documentario e não especificamente pela explosão do som da banda ,embora ele esteja muito mais forte que antigamente,o que vale aqui é que os caras tem uma historia do caralho e isso sim acaba falando muito mais alto que tudo,mesmo que por traz de tudo possa existir um roteiro pra ajudar a nos encantar, metal on metal!!!.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A FANTASTICA TURMA DO JELLYFISH


Indiscutivelmente os americanos do "Jellyfish" foram uma das maiores bandas de power pop dos ultimos tempos ,seu segundo album "Split Milk" é aclamado por unanimidade no mundo de quem sabe do riscado.
Mas o que todos deveriam saber é que a belissima e inspirada sonoridade e genialidade de seus musicos não terminou com o encerramento das atividades da banda após o lançamento do segundo trabalho.
Jason Falkner ,que além de cantor é guitarrista e tambem baixista já lançou 6 albuns extraordinarios que valem a pena ir atras.
O tecladista e também vocalista Roger Manning já colocou na roda 4 discos inspiradissimos .
O baterista Andy Sturmer lançou-se como produtor e compositor atingindo sucesso com a trilha dos personagens animados Puffy AmiYumi além de compor para varios programas do cartoon network.
Seu trabalho ainda contribuiu para dezenas de outros artistas e astros do mundo pop seja na produção ou nos arranjos vocais ,entre eles Ozzy Osbourne.
Caso voce ainda não conheça o Jellyfish e o trabalho de seus membros originais não sabe o que perde.

REGULAR JOHN- BOA DICA AUSTRALIANA



"Regular John" para quem manja sabe que é o titulo de um classico do "Queens of the Stone Age" ,mas também é nome de uma nova banda australiana que não chega a ser um exato filhote da banda de Josh Homme ,mas tem lá suas semelhanças ,o que garante personalidade aos caras no recente primeiro album "The Peaceful Atom Is a Bomb".Interessante.

FEUERZEUG PORRADA GRUNGE MODERNA DA SUÍÇA


"Drive fast and crash!" é o primeiro rebento dessa grande e surpreendente banda suiça ,a Feuerzeug ,um Nirvana envenenado com rifferama metal e um ou outro toque de Bad religion e Social Distortion,muito do cacete!

Santeria- Year of the Knife


Santeria remete bruxaria e também a famosa canção do Sublime ,a banda americana que leva o mesmo nome vai do peso com agressividade moderada ao passear com um "q" mais pop e sem soar nada chato ,um disco bem legal de se ouvir esse "Year of the Knife" ,mais uma banda que tá por ae , esquecida nesse mundão do showbize.

Thulsa Doom- Keyboard, Oh Lord! Why Don't We? , imagine um Bowie Stoner Rock


"Keyboard, Oh Lord! Why Don't We?" é o terceiro album da banda Norueguesa "Thulsa Doom" ,um projeto do guitarrista do Black Debbath, Ole Petter Andreassen.
Mesmo lançado em 2005 ,não custa nada trazer o album a tona ,já que infelizmente só fui descobri-los agora.
Bom,não vou me alongar porque ninguem tem mais saco de ler blogs hoje em dia,mas fica uma grande dica que vai deixa-lo curioso quanto ao disco ,os caras conseguiram a proeza de criar um album com pegada stoner e fortes influencias de David Bowie ,muito,muito interessante.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A FORTE HISTORIA DE ICE T E O BODY COUNT




Em 1992 o rapper americano Tracy Marrow ,mundialmente conhecido como Ice T nos surpreendeu ao estrear com uma banda altamente hard core e pesada chamada Body Count ,o primeiro album deles, homonimo, simplesmente explodiu em minha cabeça na época ,assim como na cabeça de centenas de amigos meus enlouquecidos por pataços como "KKK Bitch" ,"There goes the neighborhood" ,"Winner Loosers" ,"Evil Dick" ,a controversa "Cop Killer" (que foi banida e atacada pela policia americana) entre outras ,deixando-nos a sensação de estarmos diante de algo tão impactante quanto um album classico dos Dead Kennedys ou de um Bad Brains.
Ice T na real leva varios titulos como premio de criador original ,foi o primeiro artista a ser considerado inventor do gangsta rap e tb levou o primeiro carimbo de censura no universo musical ao ter estampado pela primeira vez na historia o selo "parental advisory" na capa de um album ,foi também o primeiro artista a tornar giria a palavra "Nigga".
Hoje é visto como um simbolo cultural ou da contra cultura americana embora esteja mais tranquilo e sereno em sua carreira de ator projetada e assistida mundialmente todos os dias nos capitulos da série "Law and Order" no papel do detetive "Odafin "Fin" Tutuola" .
Essa barra limpa nem sempre foi assim em sua vida ,orfão de pai e mãe com menos de 12 anos de idade não demorou muito para que o jovem Ice T acabasse se envolvendo com o mundo do crime, de pequenos delitos ele logo passou a assaltos e falsificação de cartões de credito até acabar preso .
Logo que solto Ice acabou convidado para cantar rap em uma produção cinematografica e mesmo com certo receio ele acabou topando e o fato transformou sua vida por inteiro ,hoje ele já contabiliza varias participações em filmes entre eles os cultuados "Saqueadores" e "New Jack City" ,um de seus grandes classicos é a musica "Colors" feita para o filme que leva o mesmo nome ,que foi um dos grandes hits da musica rap nos anos 90 junto com Public Enemy e Nwa.
O Body Count surgiu em 1990 , gravou 3 albuns oficials de estudio e um ao vivo ,suas apresentações são todas antologicas com destaque a explosiva aparição no festival "Smoke Out" registrada em dvd ,de onde o grupo quase recusou-se a abandonar o palco tamanha feed back entre banda e publico que exigia que os caras não parassem de tocar ,o que claro ,foi atendido com prazer pela banda para desespero dos organizadores do evento.
Porem a tragédia marcou a vida da banda de maneira cruel com o falecimento de quase toda formação original e classica do grupo ,o primeiro a partir foi o baterista Beatmaster V morreu de leucemia, logo em seguida o baixista Mooseman foi assassinado durante um tiroteio no South Central, de Los Angeles e por ultimo foi a vez do o guitarrista D-Roc vitma fatal de linfoma ,restando apenas Ice t e o guitarrista e compositor Ernie C.
Mesmo envoltos na fatalidade Ernie e Ice tocaram o barco reunindo uma nova formação que estreou na gravação do album e dvd ao vivo "Murder 4 Hire" lançado em 2006 ,de lá para cá ainda não registraram nada novo em estudio e apareceram esporadicamente ao vivo com destaque para a apresentação na festa de 15 anos da Vans Warped Tour em Los Angeles em 2009.
Enquanto a gente espera pela saida da hibernação ou o iminente fim de seu projeto mais cavalar Ice T continua firme e forte em seu trabalho como ator e em seus inumeros esquemas paralelos que incuem de grife de roupas, a Ice-Wear a palestras sobre drogas e violencia outro lance super bacana é o livro que escreveu sobre a censura na musica ,um tratado impactante chamado "The Iceberg/Freedom of Speech...Just Watch What You Say".
Grandes tempos aqueles...

sábado, 23 de janeiro de 2010

REDOMA LEVANTANDO A POEIRA ,UM BATE PAPO COM O GUITARRISTA NUCLEAR





Tarde quente , começo de 2010 ,um ano novo para todos em um planeta terra em transito rumo ao caos explodindo por ajuda, salvação ou redenção dentro de nós, mas seguem-se nossos rumos em novos desafios, novos quadros a serem pintados pela frente sempre em busca de novidades quando meu caminho cruza com o de Nuclear, guitarrista da “boa nova” e surpreendente banda Redoma e com ele divido a tarde entre papos que realçam uma afinidade de luta por estradas que procuram pela revelação de nossa arte e atitude .
A Redoma formou-se em 2004, na capital gaucha, com um trabalho proprio e independente já registrado em um 1° disco produzido por Ray-Z. O equilíbrio de diferentes elementos e criativas soluções musicais livra a Redoma de rótulos. Formada por Cássia (vocal), Nuclear (guitarra/vocal), Duduuh (baixo) e Junks (bateria).
Fruto da geração que emergiu com a chegada do avassalador “Blood sugar sex magic” do Red hot chili peppers e do impacto causado pela cena new metal norte americana a banda vem cada vez mais evoluindo e lapidando seu som e sua personalidade.
Das novas bandas do cenário gaúcho é uma das que mais (e sem que a grande maioria ainda perceba) vem se infiltrando em âmbito nacional de maneira independente e guerreira com direito a clip girando na Mtv e shows fora do estado com o publico em feed-back constante com as letras já na ponta da língua, um reconhecimento que tem atraído convites que já atingiram até a distante Manaus.
O inicio de ano já trouxe uma bela surpresa a eles ao serem escalados para o palco rock dentro da programação dos festivais de verão de Salvador, mas que porém, pelo que nos adiantou o carismático guitarrista não será a primeira das “boas novas” legais que aguardam a banda em 2010 enquanto trabalham encima do segundo disco, é esperar para ver, salta o verbo Nuclear!.

Como surgir a ideia de montar o Redoma?

Nuclear- A idéia de montar a Redoma partiu de mim. É a minha segunda banda.
O Junks (Baterista) e o Klebão (primeiro baixista) vieram da primeira banda que toquei que tinha uma proposta diferente.
Pedi aos meus pais que me colocassem em um colégio X aí por que era intensivo pro vestibular sendo que o real motivo era o festival de bandas. Lá conheci a Cássia (Vocal) o que me fez mudar os planos de vocal masculino e daí surgiu a Hostage, atual Redoma. O atual baixista é o Duduh que ingressou no trabalho no início do 2009.

Isso em que ano?

Nuclear - Deixa eu pensar um pouco...To calculando.
hahahahuahsiuahiuhaiua
março de 2005
ou melhor..
março de 2004
hahauhsusauhauh

O que mais motivou a banda na epoca,sonoramente falando?

Nuclear - Na época, quando ensaiávamos eu e o Junks apenas, tocávamos uns sons do Papa Roach, que tinha acabado de lançar o LoveHateTragedy, e é um álbum que influenciou muito a formação da cara do nosso som. Éramos basicamente influenciados pelo Nu Metal.
Com a entrada da Cássia e do Klebão as influencias se estenderam a Elis Regina, Alanis Morrisete, Alice in Chains....E não posso esquecer daquele que me fez querer tocar guitarra: John Frusciante.

Qual a diferença entre esse Redoma do inicio e o Redoma atual seis anos depois?

Nuclear - A palavra chave que faz qualquer banda ser merecedora de um espaço ou não. A evolução naquilo que sabe fazer.
Saber atualizar o seu som conforme a época sem perder sua raiz e sua identidade. Somos músicos mais maduros, com mais coisas interessantes a dizer e passar pras pessoas. O tempo passa, as coisas passam, mas precisamos mesclar nossas origens com os tempos atuais.
Se não nós passamos, assim como muita banda se vai ,por se tornar algo cansativo e rotineiro.

Qual a tua opinião sobre a escalada que o NU metal teve , quando deixou de ser um estilo de grandes bandas com grandes discos e tornou-se popular ao ponto de ficar um tanto cansativo?
ofuscando o trabalho de ótimas bandas?

Nuclear - Quando a escalada é rápida demais, todos percebem a simples fórmula e essa fórmula nunca se renova, a coisa tende ter validade.
E infelizmente essa validade acaba se refletindo nas grandes bandas.
Poucas bandas, originalmente rotuladas como Nu Metal, souberam se adaptar ou conseguiram se desprender desse rótulo indo pra outros como por exemplo o Ill Niño que hoje em dia está mais puxado pro Metalcore.
Mas é uma tarefa quase que impossível se desprender de um rótulo sem modificar suas raízes e por consequência perder fiéis seguidores.
Papa Roach por exemplo seguiu o caminho inverso se tornando praticamente Emo.
Lá fora eles podem até estarem grandões, mas no Brasil nunca mais teve a mesma repercussão, mesmo eles tendo modificado o trabalho pra o estilo que tá vendendo hoje em dia.
Isso prova que nem sempre a resposta é se vender.

Isso é algo complicado de se lidar quando a banda passa para um status de popularidade ,ela tem dois caminhos,ou mantem-se fiel e arrisca perder um contrato ou tenta enquadrar-se ao momento ,o que pode ser devastador , acho que nesse ponto o fato de ser independente ,como no caso de voces dá essa tranquilidade para uma evolução sem pressões não?

Nuclear - Exatamente.
Seguimos o seguinte conceito: "Somos assim e fim de papo",já sofremos certos tipos de propostas e recusamos por ferir os princípios daquilo que significa a Redoma.
Até calça de couro já nos sugeriram usar.
Mas tem um detalhe...
É diferente uma banda se vender pra chegar ao estrelato e se vender pra se manter no estrelato , se vender pra chegar, é por que a banda não confia no trabalho que gosta ou então não tem mercado que sustente eles da música.
...e nem merecimento pra continuar....

Nuclear - exatamente...o som fica descartável...e se vender pra se manter é pior ainda porque a banda acaba tendo inúmeras facetas e isso tira o crédito de uma banda ao falar de música.
Uma coisa é querer viver de música...outra coisa é gostar de música e querer viver dela.
Gostar de música te faz querer buscar um meio de por pra fora aquilo que existe dentro de si de forma que seja possível as pessoas admirarem e comprarem o teu trabalho.
sem que se precise fazer algo que já tenha sido feito apenas porque é mais certo que aconteça.

Concordo contigo Nuclear, fazer da musica arte é o que define melhor a palavra artista, só os artistas que fazem de seu trabalho tal qual uma pintura seja surreal ou concreta acabam permanecendo...

Nuclear - Sem duvida alguma.

E as diferenças entre as dificuldades de se começar e passar a ser reconhecido?
Como é no caso do Redoma?

Nuclear - O começo é sempre difícil pras bandas de "carne e osso", para as bandas reais.
No nosso caso uma das dificuldades no início foi enfrentar o preconceito em relação ao vocal feminino e as comparações com a Pitty. As pessoas mal informadas acham que pelo fato de ser a mesma formação de banda nos faz ser parecidos.
Eu não dou opinião a respeito, só nos bastidores.
hahahauahsuahauhau
O reconhecimento veio da forma mais pura que uma banda pode ter: tocando
em cima do palco é como se nos transformássemos e virássemos um elo impenetrável.
E a energia que transmitimos fala por si só, nossa proposta, nossa temática, nosso peso no instrumental contrastado ao vocal suave...


No Brasil é normal esse sensacionalismo, o que não é de agora porque muitas bandas realmente vão na onda e nesse jogo outras correm o risco da comparação, mesmo que não faça sentido.

Nuclear – Exatamente, essa mania do Brasil de querer sempre mais do mesmo.
É cada detalhe que faz uma banda...falta o povão acordar e perceber isso.

Tem exemplos de bandas com vocais femininos como o Madame sataan , que mesmo que se tente comparar ,acabam provando seu diferencial no palco, onde a verdade se revela, acho que se encaixa no caso do redoma....

Nuclear - Com certeza.
Por sinal, Madame sataan é uma banda incrível.
Se tu parar pra analisar as bandas com mais de 10 anos de estrada que estão na mídia ainda, elas um dia já foram interessantes...e geralmente no máximo até o segundo ou terceiro cd. Não passam disso...depois, as letras se repetem e o mais grotesco: os acordes também.
Mas...isso é Brasil.
Acho primeiro cd do jota quest genial...
Boas influencias de Jamiroquai,com uma pegada brasileira... o que para o Brasil foi uma grata surpresa.

Nuclear - Cheio de pegadas funk e tudo mais...músicos excelentes que o mercado obriga a fazerem músicas mamão com açúcar depois de um certo tempo.

Mas acaba atrapalhando o fato dos caras entrarem no sistema ....

Nuclear - Exatamente...
Eu confesso que tenho receio de entrar no sistema e um dia ouvir isso pra poder continuar.
Mas só estando na situação, com o momento de cada um pra saber a atitude a ser tomada...
O caminho é cheio da armadilhas que o cara nem sempre se dá conta...

Nuclear É...e quando vê não tem escapatória...é aquilo ou a morte.

Mas voltando ao Redoma , que tem rolado de legal na banda que voce possa nos contar Nuclear?

Nuclear - Muitos planos...
Alguns estamos colocando em prática por baixo dos panos e então ainda não podem ser revelados..
Outros dá pra dar um gostinho como por exemplo termos sido selecionados como atração de fora do estado no Palco do Rock em pleno carnaval de Salvador.
Estamos trabalhando no segundo disco em paralelo e em nosso quarto vídeo clipe.
Estamos nos organizando melhor, afinal, uma banda precisa de organização.
Bandas excelentes acabam por falta de organização e planejamento enquanto outras nem tão boas acabam conseguindo coisas boas apenas com esses 2 intens.
itens*

Como e quando começaram a rolar os convites para ultrapassar as fronteiras do nosso estado?
E como tem sido a recepção disso?

Nuclear - Convites sempre existiram..o que faltava era a parceria.
As pessoas convidavam como se fossemos banda da cidade esquecendo da distância envolvida.
A recepção acaba sendo muito melhor do que imaginamos...
Não temos a mínima idéia de como as pessoas nos conhecem....acabamos nos surpreendendo. O povo canta as letras junto conosco.
É uma sensação incrível e impagável.

Até onde voces já foram ?

Nuclear - Por enquanto até o Rio de Janeiro...

Qual o lugar onde voces mais acharam inacreditavel ter uma repercussão?

Nuclear - Eu uso o próprio Rio de Janeiro como exemplo porque o pessoal se tornou muito fiel....e outra...é uma cidade que tu acaba imaginando que o Rock não existe...e existe sim.
Agora as expectativas estão concentradas em Salvador....tocaremos pra um público estimado de pelo menos 6 mil pessoas...queremos expandir cada vez mais...
há pessoas querendo nosso show em vários cantos...Minas, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná...São Paulo...Até Manaus...
Mas é difícil conciliar vontade com realidade..
As pessoas tem receio de investir...e é até compreensível.
Mas 2010 será diferente com toda a certeza do mundo.

A gente vive um momento muito fechado para o rock ... os cenarios estão trancados em seus estados e agarrados apenas em grandes festivais independentes ,as casas que antes apostavam em rock , hoje possuem publico para dj's , funk, pagode, sertanejo universitario , casas que outrora foram templos para shows de rock, hoje não são mais , como voce ve nosso cenario hoje em dia?

Nuclear - O cenário, ao menos em Porto Alegre, funciona da seguinte maneira: "Tal banda é legal, mas eu tenho vergonha de admitir que gosto daquela banda porque eu não gosto do guitarriista, então eu vou fazer de conta que não gosto, vou falar mal e não irei aos shows"
Rola muita separação e richas em uma cena que não está tão forte e isso piora uma situação já difícil.
O brabo do cenário no RS é que ele sempre passou a imagem de um estado roqueiro em um nível de diversidade sonora mais ampla...porém o que se vê hoje em dia na cena acaba sempre comparado e limitado ao Rock Britânico e é assim que muita gente nos enxerga hoje em dia quando vistos fora daqui.
É um bairrismo insuportável.
Mas eu acho que o fato de sermos algo inesperado vindo do RS acaba nos ajudando muito mais do que atrapalhando...

Exatamente o eu estava pensando enquanto voce falava, nos anos 90 houve um cenario forte no RS , justamente por ser diferencial,a Graforreia xilarmonica se diferenciava dos Acústicos e valvulados que eram diferentes da Tequila Baby, que eram diferentes da Ultramen, que eram diferentes da Maria Do Relento ,do Wander Wildner, que era diferente da Bandalheira, que se diferenciavam do pop de personalidade feito pelo Papas da Língua, pelo Nenhum de Nós ,pelo Cidadão Quem que por sua vez não tinham nada em comum com o Power pop da Bidê ou balde ou entre o psicodelismo do Júpiter maça.

Nuclear - Exatamente...essa década foi muito foda...diversidade....
e eu costumo dizer o seguinte...enquanto a moda é o emo, no RS a moda é achar que mora em Londres e agir como tal...
Virou uma forma de se encaixar em um grupo...saca?
As pessoas são livres pra fazer o que quiserem, sem dúvida alguma...mas é aquela coisa, seja natural.
O que te chama atenção hoje em dia no rock gaucho e em ambito nacional?

Nuclear - Em ambito nacional o que mais me chama a atenção no momento é outra banda Underground que é nossa irmã...Ponto Nulo no Céu.
Tocamos junto no RJ...puta banda competente e de muitíssima qualidade.
No Rock Gaúcho eu citaria um power trio de meninas chamado Stella Can. As mina mandam muito bem.

Hoje se voce pudesse escolher cinco bandas a nivel mundial , contando todas as epocas para dividir o palco com elas quais seriam ?
Pergunta q gosto de fazer,hehehe...

Nuclear- e vou ter um enorme prazer em responder!
P.O.D., Red Hot Chilli Peppers, e as outras 3 tá difícil!
Uma banda que o Junks me apresentou Tower of Power...
to quebrando a cabeça nas outras 2...Limp Bizkit...
E para fechar acho que Led Zeppelin seria uma boa pedida.

Cara, uma pergunta mais descontraida, sempre teve toda uma especulação sobre que banda de fato inventou o heavy metal, uns falam em Blue cheer, outros dizem que o primeiro riff de rock pesado estava na canção "You really got me" dos kinks ,que gravou a musica com o ampli estourado,outros tem o Sabbath como os pais do gênero ou citam o Cream, o Deep Purple, o Hendrix, o Led... na tua opinião quem inventou o heavy metal?

Nuclear - Bah cara...é uma responsa tão grande opinar sobre isso e eu acredito que não tenho o aval pra afirmar algo.
Eu penso que assim como o Blues num todo deu origem ao Rock, todas estas bandas somadas contribuiram...

Muito boa sacada...

Nuclear - Não adianta fazer o primeiro riff pesado e ficar por ai...quanto mais seguidores e mais pessoas tu influencia, mais consolidada fica a idéia...
Mas não graças ao primeiro passo e sim graças a todos os passos que foram dados em conjunto com outras bandas...eu penso dessa forma.

Qual foi a primeira banda de rock que marcou na tua vida?

Boa pergunta.
Vejamos...
eu comecei a gostar de Rock Com Red Hot...
Na época do Blood Sugar Sex Magic ,foi muito clássico para mim.

Digamos que ae esteja a base do redoma com as devidas somas que o tempo coloca...

Nuclear - Exatamente.
John Frusciante pra mim é Rei...e sabe por que?
Ele não é o cara mais rápido na guitarra nem o cara mais afinado nos backings, muito pelo contrário...o "charme" dele, digamos assim, está exatamente nessas desafinadinhas nos backings e os solos simples e as vezes tb desafinados....porque eles estão carregados de feelings...e é isso que eu admiro em uma música...o que há de sentimento naquilo...e o cara é o meu espelho e ninguém toma esse lugar por nada.
Admiro inúmeros guitarristas, mas ele é “o cara” pra mim porque eu realmente me identifico com a história, composições e riffs.



link da redoma

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

LONELY H - SIMPLESMENTE ÓTIMOS!!!



Outra banda que mesmo na ativa desde 2000 ainda não caiu no descobrimento geral da nação.
Esses caras da Lonely H são simplesmente brilhantes ,formado por Mark Fredson (Vox, Keys), Eric Whitman (guitarra), Ben Eyestone (bateria) e Johnny Whitman (baixo) eles promovem um rock de pegadas sulistas com pitadas de folk ,soul e hard setentista de primeira linha ,o que aos mais novos pode lembrar momentos do inicio do Kings of Leon aos mais antenados lembrarão os belissimos tempos de Bob Seger ,Bruce Sprinsgteen e Neil Young ,tudo feito com muita inspiração e toque estradeiro para "easy rider's" nenhum colocarem defeito.
Já lançaram tres grandes discos "Kick Upstairs" (2006)","Hair" (2007) e o novissimo "Concrete Class" (2009)pratos cheios para quem curte qualidade e bom gosto.

my space lonely h

SIKAMOR ROONEY UMA DAS GRATAS SURPRESAS DA NOVA CENA MUNDIAL




As vezes o cara se depara com coisas que realmente saem do lugar comum nesse mundo da musica e fica um tanto perplexo com a nova descoberta e esses americanos da Sikamor Rooney são um belo exemplo disso.
Na real a banda não é nova,está na estrada desde 2004 ,mas muito,muito pouco mesmo se fala nela ,pois bem ,vamos aproveitar o espaço e falar.
Trata-se de um power trio de Nova York ,que já jogou na roda dois ep's chamados "Love Hates", "CYG" e um recente album homonimo carregado de inspirações sessentistas da melhor qualidade que vão de Kinks a Velvet underground ,se voce ouvir a canção "Susana" vai acreditar que está dentro de um disco do Velvet .
A historia dos caras começou como banda de um homem só no projeto "Low Flyng Jet" do guitarrista Brad York e aos poucos foi tornando-se um grupo oficial com a entrada de Anthony Chick e Jeff Plate e a troca do nome do projeto para Sikamor Rooney ,resgatando algumas sobras do "Low Flyng Jet" .
A banda começou a se destacar quando participou de um programa transmitido em rede mundial ,o 'Playboy TV's Around the World in 80 Babes" e a partir dai abriram varias apresentações de bandas em evidencia como os fenomenais "The Parlor Mob","supersuckers","Gay Blades, entre outros ganhando cada vez mais evidencia no cenario underground ,agora é esperar para que o hype os descubra ou não ,por enquanto eles estão naquele climão de cair na estrada, com a familia dando uma mão, curtindo as farras e bebedeiras de todo bom inicio e canalizando cada vez mais a energia para a evolução de seu som, que fica já bem evidente nesse primeiro trabalho deles ,vida longa ao Sikamor Rooney.

my space sikamor rooney

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A JORNADA DE DOIS ANDARILHOS NA ENCRUZILHADA DO BLUES - MOINHO DA ESTAÇÃO BLUES FESTIVAL 2009





Desta vez a jornada que nosso blog traça pelos inumeros caminhos da estrada do rock vai dar seus passos na direção do blues , o começo de tudo e ponto final.
Não poderiamos convidar pessoas mais certas para descrever a sensação de estar em um evento de grande porte no estilo do que os blues brothers Michel Krause e Douglas Caberlon, legitimos detentores da sabedoria dos ancestrais do rock'n'roll.
A narrativa é livre e emocionada, expontanea exatamente como tem de ser , expressar o momento em cada detalhe, em cada arrepio, em cada sentido magico que o blues provoca em todo aquele que é digno de sua benção, com voces a fantastica aventura destes dois figuraças em um fim de semana ,que ,como voces irão ver foi mais do que inesquecivel.

Sexta-feira.
(O impacto)

Foi no mês de Novembro de 2009, nos dias 19, 20 e 21, que rolou a segunda edição do Moinho da Estação Blues Festival, na cidade de Caxias do Sul na Serra Gaúcha. Cidade mais que hospitaleira e tão acolhedora, não poderia ser diferente que uma iniciativa dessas tivesse início justamente lá, com toda a infraestrutura necessária para acolher um público tão especial vindas de diferentes partes do estado e de fora dele também.
Saí de minha cidade (Taquara), na sexta-feira pela manhã, encarando 3 horas de viagem de ônibus serra acima, mas a exuberância da paisagem; aliado ao ar fresco da serra; é algo que realmente não me fez sentir o peso das horas, botei os headphones e deixei que minha alma flutuasse ao som de John Lee Hooker, som que julguei mais propício no momento, em que teria de controlar a ansiedade e a paciência da inércia dentro do bus, enquanto viajava olhando pela janela lembrando do que foi o ano passado, pois cheguei lá esperando algumas dezenas de pessoas, mas qual foi minha surpresa ao encontrar centenas.
Além da cidade, como já mencionei, outro fator importante foi a escolha do lugar. Uma antiga estação de trem (lugar peculiar e tão citado em inúmeras canções de blues), que já servia de pano de fundo para bares como o Mississipi Delta Blues Bar, com toda a sua atmosfera típica de um Autêntico Blues Bar Americano, fazendo nosso cérebro confundir-se momentaneamente e nos botar em dúvida sobre que país realmente estamos. Nesse lugar, atente para os detalhes, pois é lá que está a beleza do bar! O dono do bar é um cara chamado Toyo Bagoso, que pra quem não conhece é o organizador do evento, que por sinal já havia mostrado grande competência e empreendorismo quando realizou um evento desse porte e importância ano passado, na primeira edição, que pra mim foi sucesso absoluto e inesquecível, além claro, de excelente músico, pois é harmonicista das bandas Juke Joint e Goodfellas.
Bom, cheguei ao evento por volta das 20:00hs, a tempo de ouvir o timbre das gaitas amplificadas de Joe Marhofer da The Headcutters, banda de Itajaí-SC que está despontando pelo país com sua excelente proposta de tocar um blues mais anos 40 e 50, inclusive, e esse inclusive é importante, com a sonoridade daquela época, além claro, da competência e criatividade dos músicos que compõe a banda, junto com seu convidado da noite, Melk Rocha, gaitista de técnica incrível, proprietário da Bends Harmônicas, sem contar o conhecimento, carisma, e simplicidade que pude constatar depois. Ao entrar, já encontrei nos trilhos de trem (que ainda existem) em frente ao Mississipi (quer coisa mais blues que isso? rsrsrs...) meu grande amigo Douglas Caberlon, baixista dos bons mesmo, da banda Little Boogie de Porto Alegre, que por sinal me acompanhou e auxiliou na tarefa de entrar em contato com as lendas, trocar uma idéia e presenteá-las com uma camiseta da Marka Diabo (valeu meu velho!). Acompanhamos o restante do show com grande entusiasmo, depois claro de abastecermos nossos copos com um Chopp Coruja, aliás, parabéns mais uma vez, a idéia de presentear cada pagante com um copo personalizado do evento (4 cores diferentes) para não ficar aquela sujeira de copos plásticos descartáveis no fim da festa.
Em seguida, assistimos ao show da Beale Street do RJ, com a participação de Pedro Strasser, exímio baterista do Blues Etílicos, banda que dispensa apresentações. O show foi magnífico, com Pedro “quebrando tudo”, levando juntamente com “guitas” da Beale a galera ao delírio.
Em seguida foi a vez de Fernando Noronha e Black Soul subir ao palco, (que aliás, o fundo do palco principal parecia a frente de uma velha casa do sul dos EUA... muito legal) o show estava ótimo, sua grande performance aliada aos grande músicos e sua competente guitarra, deram a noite um sabor de alegria ao Blues, descontraído. Logo após esse grande show, prestei mais atenção ao Festival em sí, visitando os outros 3 palcos que começariam os shows simultâneos, no intervalo do Palco Principal. Era só escolher, ou no meu caso, ficar um pouco em cada um e saborear a qualidade das atrações. A multidão era grande, não somente se comprando por ser um evento de Blues, mas realmente estava lotado, com pessoas curtindo os shows no Mississipi, no palco Tennessee, ou no palco Chicago, dentro da própria estação, ou ainda visitando os stands, ou quem sabe aproveitando o intervalo para matar a fome na praça de alimentação no final da rua. Optamos por ficar curtindo no Palco Chicago, onde a Azambujas Blues Band já dava o tom e passava o som para logo depois do Show de Billy Branch fazer tremer as paredes da antiga estação, (fato esse que se comprovou mais tarde).
Resolvemos visitar o stand da Bends harmônicas, que já havia visitado ano passado, mas desta vez, quem me serviu de anfitrião foi o próprio dono da história, Melk Rocha, que nos recebeu como estivéssemos em casa. Enquanto nos mostrava as diferenças de timbre e tom das gaitas, dava uma “canjinha” que deixava a todos a volta arrepiados, inclusive a mim, tanto que não demorou para encher de gente na frente do stand para ouvir, não acreditava que estava ouvindo fraseados tão perfeitos ali, ao vivo, o cara tocando parecia tão fácil (cara, isso nos irritou profundamente, rsrsrs)! Logo na sequencia chegou o Joe Marhofer, dizendo que veio pelo ouvido! Quando a zoeira ia começar, apareceu um baixo acústico gigantão com cara baixinho com sotaque portunhol fazendo base para os solo harmônicos e aí que a coisa esculhambou mesmo, pois o cara tocava bem pra caramba. Logo depois com os ânimos mais calmos, conversei com O Melk sobre a Marka Diabo, as estampas, o conceito, a atitude, etc... mostrei uma do Charlie Musselwhite que estava usando ele curtiu pra caramba! Marcamos que na noite seguinte eu as levaria até o evento. Nos despedimos porque o já ouvíamos alguém chamando todos até o palco principal que o grande show de Billy Branch iria começar.
Optamos por ficar na frente, porém na lateral do palco, de pé, pois em frente ao palco eram todas cadeiras (não sei como olhar um show desses sentado!), não acreditava que estava ali a poucos metros assistindo a ninguém menos que uma lenda da harmônica, cresci ouvindo tantos cds dele na minha adolescência e para mim até aquele momento era quase certo que jamais viria a vê-lo ao vivo (se eu soubesse o que me esperaria), mas estava ali, e tocando como nunca!
O show foi um absurdo de tão bom, com o Billy arrancando aplausos e assovios de furar os tímpanos de qualquer ser mortal naquele lugar a cada solo de harmônica, mostrando que está melhor até do que antes (se isso for possível)! Billy Branch com seu sempre inconfundível chapéu estilo panamenho, encantou a todos com frases fazendo referência ao Festival, ao convite e ao Brasil, sendo bastante carismático, porém ao mesmo tempo com uma seriedade ímpar no palco, mostrando que o Blues merece todo o respeito e deve ser sempre levado muito a sério. Porém, o que conquistou o público mesmo foi a canção que escolhera como despedida. “Got my Mojo working” que levou o festival inteiro cantar junto numa só voz! Incrível e inesquecível!
Recém terminado o show, fomos direto ao palco Chicago, onde agora sim a Azambujas Blues Band, com a ilustre presença de Fabiano Mittidieri, quase incendiou o antiga estação de Trem de Caxias do Sul, o talento dessa banda já é reconhecido em todo o estado e principalmente pelo interior, tanto pela força da contagiante e enérgica gaita de Mario Azambujas, seja pela voz encorpada de Alice, ou ainda pela experiência de Arno Azambujas, mas com certeza também é devido ao talento e a empolgação de Feijão, típico batera doido que ao olharmos o cara em ação temos a nítida sensação de que esse diverte mais do que trabalha, ou melhor, esse trabalha se divertido, mas antes do tudo , um virtuose do instrumento, o show foi demais!
Terminamos a noite no Mississipi Blues Bar, acompanhando o Show do excelente gaitista Ale Ravanello; músico carismático, humilde, gente muito boa, e ainda dono de uma técnica segura e ímpar que impressiona a todos sempre, com certeza, um grande expoente e representante da Harmônica gaúcha, assim como tantos que temos por aqui; e seus convidados. Mostrando ser um bom anfitrião, dividiu o palco com inúmeras feras do Festival, repetindo a fórmula do ano passado, em que naquele mesmo palco aconteceram encontros históricos do Blues desse país (Magic Slim, Jefferson Gonçalves, Robson Fernandes, Andy Boy, etc), e nesse ano com ninguém menos do que Billy Branch, onde de sua mesa saboreando uma Heineken, contemplava o ritmo e o tempero Gaúcho-brasileiro, até que, depois de convidado, nos presentear com uma canja incrível! Eu só conseguia pensar numa frase enquanto estava ali, a meio metro de distância do “homem” sentado na mesa ao lado da dele e digerindo aquela enxurrada de talento ouvido a dentro:
• Cara, e eu tô aqui presenciando isso, não acredito!!! Foi aí que percebi que só mesmo no Moinho da Estação as lendas caminham entre os mortais.
Vale lembrar que pouco antes desse momento surreal, meu amigo Douglas havia sido também convidado a subir ao palco e contribuir para eternizar o momento, subindo até mesmo em cima de uma das mesas do bar, visto que o palco era pequeno e a euforia de todos grande demais, nessa hora vale tudo, com a platéia ensandecida vibrando de emoção a cada música, o único problema foi que meu valente e intrépido amigo baixista, depois de encerrada a participação, negou-se a descer da mesa em que estava (na verdade morrendo medo de errar o pé despencar lá de cima com baixo e tudo devido ao seu teor alcólico alterado).
06:00 hs da manhã, chuvarada. “Fui embora dormi!, Câmbio desligo!”

PARTE DOIS - SABADO -CONTATOS IMEDIATOS











Sábado.
(Contatos imediatos)

O sábado passou meio estranho, eu dormindo e acordando de ressaca no quarto do hotel. Pudera!
Acordei, comi alguma coisa na rua, forrei o estômago enquanto lembrava da noite perfeita no delta de Caxias do Sul, um sorriso de satisfação brotou na rosto, tava demais!!!
Depois de uma banho pra recuperar as energias, peguei um táxi para o Festival e encontrei meu grande amigo Douglas, seu irmão Denis e um casal de amigos já na fila guardando lugar pra mim, visto que a fila era quilométrica! O show de Andy & the Rockets já estava rolando. O Show de Andy Boy foi demais, o cara é referência (e muitas vezes professor) para muitos dos gaitistas que hoje despontam na cena gaúcha. A banda faz interpretações de rock e baladas dos anos 50, com um pouco de surf-music intrumental dos anos 60, sua banda mostra muito entrosamento num clima de amizade de velhos amigos, um excelente show pra se deixar viajar através das décadas, principalmente com uma boa cerveja Heineken beeem gelada a tira colo ou um chopp cremoso da Coruja, aí tudo fica com outro gosto.
O show de Décio Caetano & Nicolás Smoljan estava ótimo. Décio já é figura carimbada na América Latina, formando parcerias com grandes nomes do Blues nacional e internacional, dono de um estilo muito próprio, esse paranaense cria composições no palco simplesmente incríveis, sem falar na destreza com que usa o slide, transmitindo toda a emoção que esse gênero nos transmite a alma. Nicolás é simplesmente demais, gaitista de renome internacional, esse Argentino que foi inclusive aluno de Howard Levy dá aulas particulares de harmônica também na Escuela de Blues del Collegium Musicum de Buenos Aires, primeira Escola de Blues do país. Sua técnica é realmente impressionante, e muito criativo com o instrumento. Sem dúvida alguma um show para se rever algum dia, não somente eu, mas a julgar pelo barulho da platéia... creio que essa é a opinião de todos que estavam lá.
E chegou um dos momentos que esperava muito. Ver ao vivo o show do Blues Etílicos! Creio que foi a primeira banda nacional de Blues que escutei na vida. Ainda bem moleque “ranhentinho” descobrindo novos sons, me deparei com uma fita cassete do Blues Etílicos de um amigo meu, já conhecia o gênero, claro, mas ao ouvir a gaita de Flávio Guimarães, cara, parece que ela falava uma língua que eu não compreendia, mas entendia tudo ao mesmo tempo, eu entendia o sentimento dela! Descobri isso muito tempo depois! O único comentário que meu amigo fez foi: - Cara, essa é a banda que trouxe o Blues pro Brasil.
Apartir daí então virei fã, não somente pelo excelência musical de todos os componentes, mas pela trajetória e batalhas que que devem ter encarado a fim de não desistir de destilar e levar o Blues adiante nesse país.
O show estava pra começar. Eu claro, no lugar estratégico de sempre, na lateral, bem na frente, esperava as luzes do palco se acenderem para ver de perto os caras que décadas atrás fizeram tornar possível que esse Festival acontecesse. Ao mesmo tempo pensava: -será que esses caras se dão conta disso?
Enfim, o Show começou, e Flávio rasgando sua harmônica acompanhado pelo resto da banda levou a mim, esse mero aprendiz de harmônica e sonhador a ficar com os braços arrepiados, e o público, no paraíso.
É incrível o respeito que essa banda tem por parte de todos, e principalmente da sua importância para a música brasileira. A cada riff da guitarra perfeita de Otávio Rocha a cada performance corporal, (no sentido de incorporar mesmo!) a cada começo, meio e fim de uma música, nós, meros seres mortais, convidados a espiar aquele maravilhoso universo de deuses e semideuses, presenciamos momentos de tirar o fôlego com a técnica apurada, a destreza, mas principalmente o feeling, o sentimento de estar fazendo Blues, participando daquele momento e eternizando na mente de todos os presentes, momentos que ficarão incrustados na alma de cada bluseiro que se deslocou até o Moinho da Estação. Otávio Rocha se algum dia precisasse provar algo a alguém de seu talento, aquela teria sido a situação perfeita! Não deixaria pedra sobre pedra.
Ao leitor deve estar parecendo excesso de adjetivos, parecendo aquelas tietes dos vídeos dos Beatles arrancando os cabelos os rasgando a roupa em frente ao palco... não, nada disso, ninguém que eu tenha visto cometeu algo parecido, muito menos eu hein! Mas me perdoem alguns outros gêneros de música popular, mas essa profundidade e mistura de técnica, estudo, sentimento (sem ser melosa), cercada de lenda, feitos e principalmente, contexto cultural e históricos, eu desconheço e é por isso que nosso respeito as vezes parece exagerado, porque no Blues você tem que ter uma qualidade cada vez mais rara hoje em dia na música, Talento, você tem que ter talento pro negócio, se não serão apenas um apanhado de riffs e fraseados decorados, essa é a diferença.
Voltando ao show, foi du caralho assistir a cada um dos integrantes solando com uma afinidade de realmente 20 anos de estrada, mas divertindo-se entre eles como garotos que estão adorando o que estão fazendo. Simplesmente demais! Demais! Flávio Guimarães é dono de talento reconhecido em mais de vinte anos de estrada, falar dessa lenda viva do Blues não somente nacional, mas mundial, seria dedicar páginas e mais páginas falando sobre um cara que me parece que simplesmente não erra! Sendo que ao leitor que se por ventura ainda não conhece um dos pilares do Blues Nacional, informe-se AGORA! O momento alto do show, pelo menos pra mim, foi quando o espetacular Greg Wilson convidou a todos a cantar junto a mágica “Misty Mountain” com a voz rouca e calma, característica pessoal impressa em tantos cds, seja com o próprio Blues Etílicos ou engrandecendo com participações em álbuns de outros artistas, Greg Wilson mostra que realmente isso vem de berço, já que nasceu no próprio Mississipi, trazendo na voz, a bagagem necessária a uma suave viagem conduzida através de melodias certeiras em tons de azul noite adentro.
Sobre Claudio Bedran e Pedro Strasser não me estenderei muito aqui, dois pilares que qualquer um gostaria de ter em sua banda. O Show ficou gravado pra sempre na memória! Principalmente com Flávio agradecendo a todos, elogiando tudo, a qualidade do som, a equipe técnica, a iniciativa da realização do festival, ao atendimento das meninas do Mississipi Bar (alguém discorda?), ao convite para participar desse que, segundo palavras do próprio, na sua segunda edição já se tornou o maior Festival de Blues da América Latina inteira! Encerrou dando os parabéns ao Rio Grande do Sul e a Caxias do Sul e disse que estaria no stand da Itapema para autografar cds.
Olhei pro Douglas e falei:
-Vamo lá que agora é a hora!
Porém, como ainda fomos pegar mais um Chopp e passar no stand da Toca do Disco do Rogério para adquirir mais um cd dos caras, acabamos demorando um pouco e quando fomos para stand da Itapema falar com o Flavio, o cara já tinha saído de lá. Que mancada! Perder de falar com ninguém menos que Flávio Guimarães! Voltamos para a Toca do Disco e comentamos com o cara que trabalhava lá, mas aí ele nos perguntou: -Tá, mas o Flávio tá sempre vindo aqui, deem um tempinho aí pela frente que daqui um pouco ele aparece! Enquanto isso porque vocês não pegam o autógrafo do Otávio?
Quando olho para o meu lado e vejo que Otávio Rocha em pessoa estava ao meu lado olhando alguns cd´s, olhei pro Douglas com um sorrisão largo e disse: -Cara, a sorte tá com a gente hoje!
Chegamos no Otávio que nos recebeu super atencioso, gente boa mesmo! Com uma humildade ímpar. Dá gosto encontrar gente assim! Conversei com ele sobre a MarkaDiabo e tal... falei tudo. Ele achou a idéia genial, disse que gostaria muito de conhecer, pois curtia muito camisetas personalizadas... então procurei na sacola uma do tamanho dele e o presenteei. Ele ficou não acreditando muito que o presente era pra ele, mas o sorrisão de orelha a orelha que abriu entregou o jogo, hehehe... Perguntei se ele tinha gostado da estampa, já que dei uma do Muddy Waters a ele, e porque também o novo cd dos caras é uma homenagem a Muddy. Perfeito! Otávio olhava a estampa, a qualidade da camiseta tecendo mil elogios, quando lhe perguntei se podia tirar uma foto dele segurando a camiseta para colocar no site, ele simplesmente disse:
-Segurar? Cara, eu vou vestir a camiseta de vocês!
Cara, ouvir isso de uma cara desses não tem preço! Logo depois que tiramos a foto, ele berrou para alguém todo feliz:
-Flaviooo, Flaviooo... (adivinhem que Flavio era? SIM, o próprio Flavio Guimarães!) Dá uma olhada na camiseta que ganhei!!!
-Caramba Otavio, legal hein?
O Otávio gostou da camiseta que usou-a pelo resto do Festival, dando umas canjas aqui e ali. Era apontar perto de um dos palcos que já era chamado para abrilhantar o show.
Para encerrar o nosso papo, lembrei que no repertório que eles tinham tocado havia uma do Charlie Musselwhite, que também sou fã, peguei uma na sacola e presentei o Flavio, que elogiou pra caramba o presente, enfatizando que estava muito criativo e bem feito! Falei que sempre fui fã da banda e mais ainda dele, ele agradeceu os elogios e perguntou se eu tocava e tal... e a conversa fluiu com Flavio me dando alguns toques (surreal). Agradecemos e perguntamos se poderíamos tirar uma foto dele com agente segurando a camiseta na frente, ele olhou e disse:
-Claro! Claro! Vamo lá!
Quase não acreditei enquanto saía dali nos despedindo deles, depois dos dois ainda terem autografado o meu cd. Não dava pra acreditar! Essa ia demorar pra “cair a ficha”...
Logo após o show, encaramos a tradicional fila pra encher o copão de chopp (mas claro, sempre vale a pena!) e paramos novamente no Stand da Bends Harmonicas. O Melk já se encontrava lá, sempre recepcionando super bem o pessoal, quando deu um tempinho, cheguei junto para mostrar as camisetas da Marka Diabo, mostrei alguns modelos de estampas de Blues que tinha e de cara ele bateu os olhos no Son House e disse: Cara, essa é minha! Minha! Hehehe...
Perguntou se poderíamos fazer algumas estampas mais voltadas para gaitistas (Little Walter, Sonny Boy Williamsom, etc.) já que disse que tínhamos apenas a do Charlie Musselwhite e do Canned Heat, que por sinal estava usando; confirmei que sim, claro, ficando encarregado de avisá-lo quando colocar no ar as novas estampas, pois curtiu muito a qualidade da impressão e da malha bem como a postura da Marka e a criatividade. Sendo assim, me presenteou coma Bends Prima! Falei que não precisa, mas ele foi enfático: -Cara, se eu ganhei um presente, porque vc não pode aceitar? Toma aí!
Putz velho, demais o presente! Valeu Melk!
Enquanto conversávamos, ríamos, tocávamos (mais ele do que nós, claro!), o Douglas que havia virado fotógrafo de celebridades no evento, me avisou: -Cara, olha quem tá vindo pra cá! Essa é a foto! Não menos que Billy Branch, caminhando a passos lentos pelo meio de todos, com um amigo (creio que o tradutor) a lhe acompanhar. Douglas mais que depressa, assoviou tão alto que o pessoal lá do palco ouviu mesmo com todo o barulho! Obviamente que Billy e o amigo também olharam, então mais que depressa fizemos sinal para que viesse até nós, porque aquela era a oportunidade perfeita para conhecer o homem e lhe entregar uma camiseta da Marka Diabo, porém, ele levou as mãos ao meio das pernas e fez uma cara de dor, indicando que estava se mijando e que iria ao banheiro. Ok, pensamos, já era, foi quase... vai ser difícil achar oportunidade como aquela! E continuamos a conversa com o Melk, tocando, rindo e fazendo muito barulho no stand, quando de repente o Douglas me olha com a cara mais espantada do mundo, quando perguntei o que houve? Ele só disse: -Cara, o homem tá vindo! Eu mais que depressa virei pro Melk e perguntei: -Cara, tu fala bem inglês? Ele só riu e fez uma careta sinal de mais ou menos, virei para o Douglas encarei ele com esperança no olhar, ele captou esse meu apelo soltou uma gargalhada que fui obrigado a rir junto! Não, acho que não... E agora? Chamamos o cara, e ele tá vindo! O que vamos dizer? Ou melhor, COMO vamos dizer alguma coisa que seja?
Até que Billy chegou até nós com um sorriso meio desconfiado de canto de boca:
-Hey Man!... Vindo diretamente a mim me estendendo a mão. Sabe aquele momento que se transforma em câmera lenta? Pois é... eu estava a dois segundos de apertar a mão de Billy Branch cara!!!!
-Hey Billy! How are you? (Olá Billy, como vai?) Falei apertando a sua mão nos encarando com expressões de simpatia mútua...
-I´m fine... (Estou bem...)
-Mr. Branch, I want to give this gift, ok? For you... (Sr. Branch, eu gostaria de lhe dar um presente, ok? Para você...)
-A gift? Me? (Um presente? Pra mim?)
-Yeah man...
(sempre quis dizer isso para um autêntico Bluesman de Chicago, hehehe...)
Então lhe entreguei a camiseta da Marka Diabo com a estampa de Robert Johnson (era a única GG que tinha comigo, hehe...), ele abriu o pacote, desdobrou a camiseta, olhou a estampa e arregalou os olhos e um sorriso:
-Oh Man... Robert Johnson!!! Yeah...
(Putz, o cara gostou muito!)
-Do you like Mr. Branch? (O senhor gostou Sr. Branch?)
-Very... Thank you Man! Thank you! (Muito... Obrigado cara, obrigado!) Falou me agradecendo olhando nos olhos com um sorrisão.
-Thank for you man! (Obrigado a vc cara!)
Então solicitei para o amigo que o acompanhava que explicasse sobre a Marka Diabo e tal...
O cara fala enquanto Billy me olhava com cara de quem estava entendendo tudo, até ELE MESMO PEDIU para que tirássemos uma foto, e piscou o olho, entendemos que seria para ajudar na divulgação do site, Bah, o cara era simpatia em pessoa! Mas como o momento era único solicitei mais uma foto sem a camiseta, para arquivo pessoal, e ele topou na hora. O Douglas também aproveitou o momento, e logo ele já foi se encaminhando para a saída se despedindo de todos, pois iria dentro de instantes fazer uma participação especial no show de Carlos Johnson, também de Chicago.
E saiu andando seguindo seu caminho entre os mortais que ali estavam. Ao me virar olhei o Melk e o Douglas com cara de espanto e rindo, tipo: -Pô tava todo preocupado em não conseguir falar com a cara e acabou mandando muito bem no inglês!
Realmente até hoje não sei como saiu sem gaguejar... Sem hesitar nem nada... saiu, só isso. Não sei de onde veio, mas consegui entender numa boa e me fazer ser entendido. Acho que a necessidade era maior! Hehe... Tá, tudo bem que não foi o”O diálogo”, coisa simples mesmo, mas já vi gente que “travou” não conseguiu emitir sequer um oi direito. Parecia petrificado pela medusa! Pensando assim acho até que me saí bem...
Quando o super show de Carlos Johnson começou entendi porque guardaram o melhor para o final. Carlos, que também é de Chicago, subiu ao palco com seu amigo Billy Branch, onde novamente nos agraciou com sua técnica e sentimento, mas ao lado de Mr. Johnson, parece que recebeu alma nova. Carlos por sua vez, nos embriagou com refinamento, em doses pequenas, porém amargas de seu Blues, como um bom Bourbom sempre deve ser, amargo e difícil de ser ingerido no começo, mas depois que passa pela garganta e alcança a corrente sanguínea, aí leva apenas alguns doces segundos para alcançar o centro do seu cérebro e anestesiá-lo ao poucos. Carlos veio a Caxias do Sul e assim como Billy Branch, mostrou e ensinou a todos porque Chicago é a Meca para todo e qualquer bluseiro, é beber direto da fonte, apreciar a história do Blues mundial “in loco” .
Com canções que ao invés de expressar as tristezas da vida, a mim me pareceu que este sentimento tão característico do Blues fora deixado de lado, tamanha a euforia e felicidade com a qual demonstrava de estar presente aqui, principalmente após, sem parar para respirar um segundo sequer, virar um copo inteiro de caipirinha que lhe foi ofertado pelo Toyo, para espanto e gritaria geral de todo o público presente, o cara era uma figura... Sempre sorrindo, fazendo piadas, arrancando aplausos e assovios de todos, depois de algumas canções alcançadas com extrema perfeição, Carlos Johnson resolveu presentear a platéia, descendo com sua guitarra até o meio do público, fazendo com que um apanhado de seguranças o cercassem e dando aos mesmos muito trabalho. Não parou de tocar e cantar um minuto, mesmo com alguma dificuldade de descer as escadas do palco, devido a estar um pouquinho acima do peso digamos, e aliado a isso, sua idade que deve também fazer alguma diferença nessa hora. Mas o importante era que naquele momento, com todos os “armários” fazendo a segurança de Mr. Johnson, flashes de câmeras, braços tentando tocar em algum pedaço de seu corpo, empurra empurra, demonstrava estar muito a vontade entre nós mortais. Na mesma hora em que essa loucura acontecia, eu que estava mais afastado, pois estava na lateral, olho para o palco e vejo Billy Branch com um celular filmando tudo lá de cima, até que virou o aparato em nossa direção, não tive dúvidas apenas ergui o braço lá de baixo e dei apenas um tímido aceno de: Valeu cara!
Na mesma hora, Mr. Branch, tirou o olho do aparelho e focou onde eu estava para ver quem havia acenado, então foi que mesmo lá de cima ele me reconheceu, sorriu, e acenou de volta com a cabeça, como quem dissesse: -Oh, is you Man... (Oh, é você cara...)
Apenas sorri e acenei com a cabeça, como quem respondesse: -Yeah Man, it´s me... (Sim, sou eu)
Carlos voltou ao palco e terminou o resto de seu show com Billy Branch, arrepiando os cabelos de todo o público ali presente extravasando sentimentos e técnicas simplesmente incríveis e inesquecíveis, não só para mim, mas para todos que presenciaram um espetáculo como aquele. Por fim, esbanjou ainda mais simpatia, mostrando-se muito satisfeito pela recepção que teve aqui no Brasil e pela organização e estrutura do Moinho da Estação Blues Festival em sua 2° edição.
O zoeira seguiu noite adentro no Bar Mississipi até as 6 da matina, com inúmeras jam´s, como já era de se esperar, com a participação de inúmeras estrelas, bom demais e pra ficar pra sempre gravado na memória.
Bom, espero ter conseguido passar um pouco do que foi a emoção de ter presenciado ao Moinho da Estação Blues Festival em sua 2° edição.
Deixo meus parabéns a todos da equipe de organização, não somente pela iniciativa, mas pela excelente qualidade de tudo, mas também pela preocupação com os mínimos detalhes. Que venha o 3°! Pois se você ainda não conhece, vale a pena fazer uma “caixinha” e já ir juntando grana para a edição do ano que vem, pois evento assim torna-se um patrimônio de todo o público que de alguma forma seja ligado e enraizado ao Blues, seja como músico; pois o aprendizado acontece a todo momento por lá; seja como consumidor; pois o roll de estrelas a ser visto por lá é sempre de primeira qualidade e escolhida a dedo.

Deixo um forte abraço ao Nino Lee e a Ana sua esposa, pela idéia e visão em tentar mostrar não somente aos bluseiros desse país que moram em regiões distantes, mas também tentar relatar e passar essa vivência a públicos de outros gêneros musicais que por ventura desconheçam o Blues. Agradeço também ao meu grande amigo Douglas Caberlon que sem o apoio relatado acima, tudo ficaria muito mais difícil, a Dani Bunitona pelo apoio e a Liliane (minha chefe)pela compreensão do amor que tenho pelo Blues . Valeu a todos e fico aqui na torcida para que na edição do ano que vem a grande Cracker Blues, possa figurar e brilhar como eles brilham entre as atrações do evento .

Michel Krause

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

SAMMLIZ E A MADAME SAATAN EXORCIZANDO MESMICES





A Madame Saatan é outras destas gratas surpresas dentro do novo cenario nacional de rock, uma banda que já tem bons anos de estrada e utiliza-se de um senso auto critico feroz como o som que fazem,um rock de peso altamente energetico dotado de conteudo e atitude de tirar o chapéu .
Conversei com a vocalista ,a super carismatica Sammliz ,que pelo que deu para perceber possui uma bagagem e tanto no que toca a gostos pessoais e ideologias ,uma longa historia que vai da admiração e vivencia direta desde os tempos do Olho seco e Cólera até a admiraçao por estrelas como Elis Regina .
Ela e sua banda sabem muito bem onde pisam e onde não devem pisar para que conquistem respeito a admiração necessarias para serem o que são autenticamente ,suas palavras possuem força e fogem do conteúdo vazio que reina entre grande parte das bandas do rock nacional , aproveitem cada palavra por que é de pessoas assim que o rock necessita .

Nino – Sammliz, você já tinha um envolvimento musical antes de fazer parte do Madame Saatan com experiências de punk e hardcore... como foi esse começo ?

Comecei em uma banda que nem chegou a sair do esquema ensaio e logo depois entrei em uma banda de punk-hardcore chamada Morganas, com 16 anos mais ou menos. Era para ser a baixista, mas acabaram me empurrando pro vocal. O começo foi aquela coisa divertida e despretensiosa mesmo, eu só vivia para ensaiar, estudar e frequentar shows no Teatro Waldemar Henrique, templo do rock paraense na época. Achávamos o máximo ser a única banda de garotas da cidade e ainda havia gente que gostava da tosqueira do som que fazíamos, então, tava bom demais. Escutava coisas como Vírus 27, Olho Seco, Cólera e Mercenárias que conseguia de amigos que tinham gravações de cassetes toscos e já escrevia umas coisas, mas era tímida demais pra mostrar. Um amigo que era de uma outra banda punk fazia as letras. Uma ou duas coisas minhas entraram, eu acho.

Nino - A música pesada já fazia parte da tua vida muito antes de montar uma banda seja no metal como no punk rock.
Com que idade o rock mais pesado passou a ter tua admiração e quais foram as primeiras bandas que fizeram tua cabeça nesse sentido?

O primeiro disco de rock que ouvi na infância foi o The Dark Side of the Moon do Pink Floyd. Meu pai acho que nem tinha idéia do que estava fazendo quando comprou a fita cassete(hehe) e colocou no carro inúmeras vezes enquanto nos levava à alguma praia. Minha mãe gostava de Queen e haja Queen na estrada também. E assim eles iam construindo sem saber meu gosto pela coisa. O som mais pesado foi pouco tempo depois, na entrada da adolescência, quando uma boa alma emprestou um vinil do Ozzy Osbourne, e ai entrou o Black Sabbath em minha vida, que puxou Metallica, Slayer, DRI, Pantera, AC/ DC, Anthrax...

Nino - Fale um pouco sobre essa experiência como serem convidados a fazer a trilha sonora para a peça teatral de um espetáculo baseado no Ubu Rei, de Alfred Jarry.

Eu estagiava no setor de artes cênicas de uma universidade e o diretor, Paulo Santana, me chamou para fazer a trilha quando soube que tinha uma banda. Já era o Madame Saatan, mas não tinha esse nome ainda. Jogamo-nos e passamos a fazer as músicas para o universo “Ubulesco” que ele queria. Foi intensa a experiência e a partir dela a gente virou banda mesmo.

Nino - Ouvindo o ecletismo calçado no rock de peso da Madame Saatan nota-se que Cada músico, pelo que se percebe, tem um diferencial de gostos musicais, que geraram a sonoridade que acabou criando uma personalidade forte na banda. Qual o papel de cada um nessa fusão que explode em uma sonoridade visceral e e ao mesmo tempo consegue dosar toques do melhor feito na musica popular brasileira e ritmos regionais e focloricos ?

Eu estava vindo de duas bandas seguidas que faziam esquema gig e não aguentava mais aquela vida. Eu e Icaro, velhos parceiros musicais, queríamos encontrar gente disposta a fazer som autoral, pesado , em português e que tivesse um plus a mais que não sabíamos bem o que seria. Encontramos o sangue novo de que precisávamos meio que por acaso. Ivan tocando em um bar obscuro e Ed em um karaokê.

Nino - O grande diferencial de vocês está nas pitadas regionais embutidas no som, uma experiência que ajudou a tornar o Sepultura mundialmente conhecido, e levar até o resto do mundo um pouco do que existe de fantástico nessa parte cultural regional de cada estado. Como vocês mantêm contato com isso (já que pode tanto ser por pesquisas como por um contato direto que nos revela outros universos paralelos vivenciados na experiência direta)? Como é essa parte no caso de vocês?

Nascemos e vivemos boa parte da vida em Belém imersos de alguma forma dentro do caldeirão cultural que abastece o Estado. Vindo de uma região tão bem servida a gente só precisa deixar as tais pitadas aflorarem quando elas quiserem. Não temos compromisso em fazer algo que soe assim, mas se soar a gente deixa e pronto.

Nino - Quais cantoras você considera exemplos de atitude, voz e autenticidade que já nasceram no Brasil e no mundo ?

Bessie Smith, Aretha Franklin, Ella Fitzgerald, Tina Turner, Nina Simone, Angela Gossow, Elis Regina, Bjork, Cassia Eller.

Nino - Como foi o início da história de vocês, aí na capital paraense? A gente aqui não tem uma noção exata da cena no Pará hoje ,exceto alguns festivais recentas que acabam revelando novas bandas do local, mas sete anos atrás, quando vocês surgiram... como foram esses primeiros passos até lançarem a demo “O Tao do Caos” ?

A cena do Pará sempre teve algo de bom acontecendo, em maior ou menor grau. Atualmente, há bastante movimentação com várias bandas, coletivos e festivais. Recentemente aconteceu o Festival Se Rasgum, bastante elogiado. O Circuito Fora do Eixo passou a trabalhar mais efetivamente em Belém através do Coletivo Megafônica e tem o portal BelRock.com.br, que é referência para quem quiser saber mais sobre as bandas e o que acontece no Pará.


Nino - O Tao do título vem do conceito fundamental do Taoísmo de Lao zin? Significa o “caminho do caos”?

Andava relendo um livro do Fritjov Capra que nem era o famoso Tao da Física e novamente estava lá o paralelismo entre o taoismo e a física quântica. As coisas que envolviam naquele momento nossas vidas e aquele primeiro registro eram intensas, coloridas e caóticas, como qualquer nascimento. Um tal de caos, pensei. Tal... Tao... Gostei dessa brincadeira e ficou.

Nino - Isso me leva a crer que há muito mais coisas além da música envolvidas na filosofia da banda. Há uma ligação forte com o conceito de sabedoria ancestral e conhecimento de causa com grandes mestres que plantaram sementes fortes na terra. Quem são as pessoas que você mais admira e que deixaram uma mensagem forte marcada no mundo?

Somos bem diferentes em relação as nossas crenças e espiritualidade e a banda não segue essa ou aquela. Abraçamos todas e nenhuma. As pessoas que mais admiro são as anônimas que fazem alguma coisa de relevante para si e o próximo sejam elas seguidoras de Jesus, Maomé, Mestre Irineu, Osho, Iemanjá ou Allan Kardec.

Nino - O EP lançado em 2004 projetou a banda de forma bastante positiva. Foi apontado pela revista Dynamite como um dos melhores lançamentos de 2005 e obteve um forte reconhecimento na mídia especializada. O que começou a mudar a partir desse momento?

Foi ótimo receber reconhecimento por conta de um trabalho que estava nascendo e isso serviu como mais motivação. De qualquer forma, mesmo se tivessem odiado continuaríamos na estrada.

Nino - A Internet foi usada de maneira muito bem pensada no caso de vocês. O lance de lançar singles simultâneos em mais de 30 sites brasileiros e outras ideias sensacionais... como foi planejar tudo isso ?

O projeto foi idealizado pelo nosso produtor, o Bernie, e ganhou vida com a parceria do Circuito Fora do Eixo auxiliando nessa articulação, tanto que logo surgiu o projeto Compacto.REC para lançar singles virtuais nessa plataforma. A ideia principal era fazer com que a música pudesse chegar aos mais diferentes nichos, mercados e estados. A grande dificuldade foi organizar e fazer com que todos fizessem um trabalho simultâneo e coordenado, mas no final saiu tudo como planejado, foi uma boa experiência e que está sendo muito bem aproveitada pelo circuito.


Nino - Como você acha que a internet pode realmente ser usada a favor de uma banda hoje em dia? Há maneiras que podem deixar uma banda sem sair do lugar, mas ao mesmo tempo existem possibilidades que podem projetar alguém de maneira eficiente. Que dicas você daria para os que hoje buscam serem reconhecidas mas não sabem por onde começar ou começam por caminhos tortuosos que podem não levar a lugar algum?

Buscar reconhecimento é o foco errado para quem está começando. Se vai usar a Internet para divulgar o trabalho, ele tem que estar bom e por isso o foco primário é o som está pronto para estar ali, exposto. Cometemos erros no afã de tentar esse tal “reconhecimento” sem estarmos preparados, e muita coisa sem qualidade foi jogada no cyberespaço. No começo da banda essa coisa de youtube ainda não era o frenesi que era hoje, e não sabíamos como usar essa grande vitrine que é a Internet. Quer ter banda? Ser músico? Ensaie, estude, toque bem, faça muitos shows, crie seus sites, participe de festivais, troque informações, trabalhe muito para investir na banda, se vire; e aí, pense em reconhecimento. Se ele virá, ninguém sabe.

Nino - Me fale sobre um pouco do significado da canção “ Vela”...

Ela fala do sagrado e profano que habita todos nós. Foi inspirada em uma das maiores procissões católicas do mundo que acontece em Belém do Pará, que é o Círio de Nazaré.

Nino - Depois do reconhecimento inevitável conquistado por vocês, chegando a ganhar prêmio de melhor álbum de heavy metal em 2008, a estrada se abriu em definitivo para a banda. O que rolou de mais bacana depois da façanha de sair do Pará em direção a vários outros estados do país, inclusive como atração arasadora em grandes festivais?
O que você considera que de mais bacana rolou nessa jornada, nesse portal que vocês abriram com essa força latente em vocês?

Ficamos felizes com as críticas e manifestações favoráveis do público nas cidades e em festivais por onde passamos. Fomos obrigados a deixar Belém por causa da dificuldade de deslocamento para tocar em outros Estados e participar dos festivais independentes. Era muito caro. Viemos para São Paulo para uma experiência de 3 meses e logo na chegada conseguimos um contrato de endorsement com uma importadora de grandes marcas de equipamentos. Com esse aceno da sorte emendamos uma tour pelo nordeste que era tudo que precisávamos para divulgar o primeiro cd e que foi super positiva. Participamos de programas de TV de circulação nacional, tivemos boas resenhas em mídias especializadas e não tivemos que reclamar até agora. A única coisa que sabemos é que é um recomeço e que temos uma estrada longa para conseguir de fato nosso lugar ao sol.


Nino - Gostaria que você comentasse sobre os clipes da banda que tiveram apoio de gente bem bacana e que conquistaram espaços bem legais na mídia...

Conhecemos muita gente talentosa e essas pessoas nos deram a imensa felicidade de trabalhar com elas. Um delas é Priscilla Brasil, uma jovem cineasta paraense adoradora de sons e emoções fortes. Ela fez nossos dois clipes que circularam em algumas TVs e que tiveram boa exposição (“Vela” e “Devorados”). Os dois foram feitos a custo zero e apenas com a força do trabalho de outras pessoas, que igualmente nossa querida diretora. São profissionais de mão cheia.

Nino - Qual a sensação de ver o trabalho da banda saindo bem na foto nos meios de comunicação mais importantes do Brasil, ao mesmo tempo em que o Brasil anda um tanto fechado para ceder espaço em âmbito geral ao rock, como nas décadas de 80 e 90?

Sensação boa, mas lidamos com a realidade e com ela não dá pra ficar parado. Já estou pensando na frente e lá eu quero estar com um novo cd e tocando muito. Não fico pensando em como o mercado esta assim ou assado para sons como o nosso senão paraliso. Sei que há público para ele e que estou feliz construindo o que eu espero ser uma carreira digna.

Nino - Como é hoje o dia a dia de vocês? A banda ainda reside no Pará ou fixou-se no centro das coisas, que é São Paulo? Dá para sobreviver somente do que a banda consegue na batalha que vocês levam em nome da música?

Este ano participamos de projetos muito legais, como o Conexão Vivo, onde ficamos em primeiro lugar entre bandas do Brasil todo, e isso rendeu um novo vídeo clip que sai, eu espero, no primeiro semestre do ano que vem. Circulamos pouco em relação ao ano passado e esse foi dedicado a projetos para o segundo disco e ensaios de material novo. Cada um da banda conta com outras fontes de renda que equilibra as contas quando os cachês rareiam.

Nino - Quais os discos você acha mais importantes para a historia do rock e que essa nova geração deveria ouvir ?

O básico do básico:

AC/DC – Back in Black
Novos Baianos – Acabou Chorare
Led Zeppellin – Led Zeppelin IV
Slayer – Season in The Abyss
Pantera – Vulgar Display of Power
Beatles – Abbey Road
Black Sabbath – Paranoid
Iron Maiden – Killers
The Stooges – Raw Power
Metallica – Kill'em All
Titãs – Cabeça Dinossauro
Mutantes – Os Mutantes
Sepultura – Roots

Nino - Das bandas nacionais, o que vocês têm considerado mais relevantes atualmente?

Macaco Bong, Torture Squad, Los Porongas, Johny Rockstar, Delinquentes, Eminence, Renegado, Dead Fish, Pio Lobato, Curumim, Nação Zumbi.


Nino - E para finalizar, uma pergunta que sempre faço: se vocês pudessem voltar no tempo ou avançar, ou mesmo redirecionar o presente, a qualquer lugar do mundo iriam? E se pudessem escolher 5 bandas pra dividir o palco com vocês, quais seriam elas?

Haha... resposta difícil. Impossível dizer apenas 5 já que gostamos bastante de uma “promiscuidade musical”. Diria toda a lista das bandas dos discos essenciais, as cantoras que acho o máximo e mais as bandas nacionais citadas acima. Pode? Beijo!!
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Créditos : fotografia de rosto por Alan Lemos
Fotografia da banda por Renato Reis
Revisão de texto por Eric Marat
link : http://www.myspace.com/madamesaatan

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