Sampa ,14 de Novembro de 2009 ,algo muito louco estava para acontecer....
A gente seguiu rumo a Rua Augusta prontos a presenciar algo que estava além do alcance da nossa imaginação ,afinal não se tratava de assistir ao show de uma banda da nova geração que agregou valores menos viscerais em sua trajetória, o que iríamos ver eram os The Exploited , 30 anos de estrada e historia no movimento punk e no caminho de ida íamos lembrando a importancia das atitudes que o vocalista Wattie Buchan tem em torno de sua trajetoria como o primeiro cara a assumir o corte moicano (dividindo os louros com a Wendy O’Williams do Plasmatics),que pelas décadas depois virararia um símbolo de um movimento e de toda uma geração de protesto sonoro e é impossível não levar em conta também que dentro de poucos instantes presenciaríamos uma banda que fez parte de uma leva antológica de bandas punks do reino unido como The Clash, Sex Pistols, GBH, Chaos UK, Varukers, One Way System, UK Subs,Vice Squad, Crass, The Adicts, Discharge entre outras bandas. Uma trajetória que iniciou de maneira chocante ,com o uso de suásticas , apontados inicialmente como skin heads ,como mentora do movimento oi! , mas que ao longo da estrada sofreu uma mutação fenomenal amadurecendo com um discurso em letras contrarias ao racismo, ao nazismo e a intolerância justamente o grande ponto que os tornou mundialmente respeitados e fato que ao meu ver os torna tão importantes quanto os Dead Kennedys e seu líder Jello Biafra tiveram na musica . Caminhando pela calçada da Augusta, lotada de punks (muitos deles heróis de toda uma geração nacional das antigas e tambem das atuais) e outras de variados estilos estamos prestes a embarcar no Inferno Club ,que já mostrava, na frente do bar, que o point ia literalmente ferver como um caldeirão e a essas alturas a imagem da capa do disco” Let’s start a war” era a única coisa que não me saia da cabeça ,a caveira com o moicano que ao meu ver representa o símbolo inesquecivel e eterno da banda. Entramos com um certo atraso, ja no show de abertura da Agrotóxico ( uma lenda no punk rock nacional), aprovados com unanimidade entre o publico ,que aquela altura já parecia que iria explodir o local de tanta gente. Não demorou muito para que encima do palco estivessem em carne e osso as impactantes figuras de Willie Buchan, bateria, Irish Rob, baixo, Gav, guitarra e o líder, vocalista e lendário Wattie Buchan, com aquele puta moicano cor de rosa, fuzilando já de prima a clássica “Let’s Start A War..., fazendo o Inferno explodir ,naquele momento já deu para sentir a presença inigualável de seu front man, ah...se todo punk,ou metido a punk de hoje em dia tivesse um por cento da atitude desse cara ,que agitou sem parar um segundo como a propria fúria em pessoa e o carisma também o cara simplesmente arrebentou , deu com o microfone na cabeça varias vezes, conectou-se com o feed back de seu publico de maneira colossal , os olhos vidrados...não dá para descrever em palavras.... O show desfilou clássicos como “Dogs Of War”, “The Massacre”, “Chaos In My Life”, “Troops Of Tomorrow”, “Cop Cars”, “Beat The Bastards”, “Army Life”, “Fuck The System” e a aclamadissima “Fuck The USA” fechando a primeira parte . Depois de um verdadeiro massacre sonoro e de autentica atitude punk a banda volta para um biz com direito a participação da ex Okoto “Cherry” ,na execução do hit “Sex and Violence” e encerra com a esperada “Punks not dead” do primeiro álbum da banda ,deixando todos da platéia atônitos ,eufóricos e cientes de que viram um momento histórico diante de seus olhos. Parabéns pela equipe da Ataque Frontal e do Inferno Club (que nos receberam com toda atenção ) que estão apostando em bandas que talvez ninguém encarasse trazer , provando que atitude é tudo nesse Brasil que carece de cultura para cuspir na estrutura.
Renato e Beta (colaboradores da MarkaDiabo em São Paulo).
Os paranaenses do Sabonetes fazem parte de um grupo de bandas que bem poderiam ajudar a mudar o atual cenario pop rock nacional dando um salto para o alto escalão ,o rock feito por eles é carregado de modernidade ,energia e alegria na medida certa para isso.
O clipe genial de "Quando ela tira o vestido" já está lá no disc mtv , o que já é sinal de que o que digo faz sentido ,a gente fica aqui na torcida e conta para voces um pouco da historia da banda num papo que tive com o guitarrista Wonder ,gente finissima.
Nino-Como vocês definem esse conceito de serem uma banda “muito alternativa para o pop e muito pop para o alternativo”?
Essa é a definição. Rs. Na verdade é só uma brincadeira com uma característica que a gente percebeu em nós mesmos. Estamos em um limbo que, acreditamos, pode agregar para aos dois lados.
Nino- A banda nasceu em 2004 , primeiro com o intuito de tocar em festas da faculdade já que todos faziam comunicação na época , de repente começaram a ultrapassar o lado que dividia uma banda em inicio para algo que começou a chamar a atenção mais amplamente ,quando vocês começaram a perceber isso?
Wonder-compusemos algumas canções, gravamos caseiramente e disponibilizamos na internet. Nas primeiras festas depois que colocamos essas músicas na internet o pessoal já começou a pedir as músicas no show, uma receptividade muito boa. E isso foi crescendo à medida em que íamos tocando nos bares de Curitiba. Foi o que nos chamou a atenção para essa possibilidade.
Nino- Como era a Sabonetes nestes shows que vocês faziam para festas da faculdade?
Wonder-Quatro amigos que estavam ali pela diversão e bebida gratuita. É a grande vantagem de ter uma banda na faculdade.
Nino- Percebo um trabalho genial da banda em relação ao uso da internet para se divulgarem,como o esquema de postar vídeos feitos por vocês,com muita originalidade para anunciar a agenda da banda no you tube ,além do perfil criado no my space , quais os passos que vocês consideram essenciais para desenvolver e fazer funcionar a meta do reconhecimento dessas idéias online?
Wonder-Na mídia tradicional propaga-se de tudo, só é necessário o investimento. Na internet só se propaga o que é original, o que acrescenta algo de bom à pessoa e que vai fazê-la repassar esse conteúdo para algum amigo ou retornar ao seu site em busca de mais daquilo. É o que a gente busca fazer, seja nas videoagendas, ou no próprio clipe, que produzimos nós mesmos. Gerar coisas boas para as pessoas, seja uma sensação, um sentimento ou uma boa risada.
Nino- Quais bandas vocês consideram influencia direta no trampo de vocês?
Wonder-Primeiramente os Beatles. Acho que eles inventaram essa profissão. E depois, tudo o que a gente escuta, assiste, lê, influencia também. Cada um escuta coisas diferentes em momentos diferentes. Stones, 80s, indie rock. Essa semana fui ao show do Gogol Bordello e saí embasbacado. Coisas assim marcam seu pensamento artístico.
Nino-Passa um histórico da banda para nós,das demos até os materiais lançados?
Wonder-Nossa primeira demo foi lançada em 2006. Eram quatro músicas que gravamos no estúdio caseiro de nosso amigo Carlinhos. Depois veio o EP Descontrolada, em maio de 2008. E agora, já contabilizando alguns meses de atraso, estamos pra lançar nosso primeiro disco. Algumas músicas já podem ser ouvidas no nosso myspace.com/sabonetes
Nino- O reconhecimento começou todo em Curitiba,uma cidade com histórico de grandes bandas e um cenário muito autentico ,como foi curtir esse momento de sucesso dentro da cidade de vocês?
Wonder-Mais do que um histórico, a cidade tem também um momento de grandes bandas. Ótimos e heterogêneos artistas estão produzindo por lá. Desde Charme Chulo, Koti, ruído/mm, Banda Gentileza, até o destacado Copacabana. Sem dúvidas fazer parte disso é uma alegria para a gente.
Nino- Comentem um pouco sobre as participações da banda nos grandes festivais do país, programas legais de tv ,matérias bacanas em meios de divulgação, coisas que vocês consideraram grandes conquistas paras Os Sabonetes?
Wonder-A gente sempre foi conseguindo nosso espaço aos poucos. Devagar passamos dos bares para alguns programas de TV em Curitiba, tocamos em um mini festival em São Paulo, que foi chamado de Curitiba vai pro Inferno, participamos de um grande festival no interior de Santa Maria, o Macondo. Recentemente tocamos ao vivo no Acesso MTV, que gerou uma ótima recepção do público, e agora estamos com um clipe, feito em casa por nós mesmo, rolando na programação da emissora. Essa, sem dúvida, foi uma grande conquista.
Nino- E como rolou essa oportunidade de serem produzidos pelo Tomás Magno no lendário estúdio da Toca do bandido somando a experiência que a estrada trouxe com a mente de um cara como o Tomás ,que lições vocês tiram dessas vivencias ?
Wonder-Conhecemos o Tomás através do Dary Jr que teve um álbum de sua banda, o Terminal Guadalupe, produzido por ele. Trabalhamos com ele no EP e ele acrescentou muito à visão que temos nossa própria música. Por isso decidimos gravar o primeiro disco com ele também.
Nino- Vocês concordam com o rotulo de uma banda disco punk?
Wonder-Algumas músicas tem essa característica, mas acho que o álbum abre mais esse leque.
Nino- O que mudou na vida de vocês desde que começaram a conquistar espaço na cena underground ?
Wonder-A gente agora tem que evitar andar por aí na rua, em shoppings ou locais públicos. Mas é pela gripe suína mesmo.
Nino- Como está sendo a repercussão desses shows que voces tem feito por vários estados ?
Wonder-Sem dúvidas muito boa. Acho que conseguimos conquistar os ouvidos mais atentos nos shows e isso agrega muito.
Nino- Na opinião de vocês quais as bandas mais legais no brasil atualmente?
Wonder-Pública, Sugar Kane, Móveis, Copacabana, Paris Dakar, Otto, Nação, Charme Chulo, Vanguart, Gentileza, Naked girls and airplanes, Nevilton, Vivendo do ócio. Pelo menos são as que a gente tem escutado ultimamante.
Nino- No lance do rock nacional ,que hoje enfrenta uma certa crise ,por falta de apoio de rádios maiores ,gravadoras que não apostam mais em novidades ,a queda das vendagens de cd e a sensível diminuição de contratantes apostando em novas bandas autorais ,o que durante a década de 90 foi justamente o contrario disso,qual a visão que vocês tem sobre essa questão ? É algo que já está sendo mais tranqüilo de contornar ou vocês ainda vêem dificuldades em lidar com um espaço que poderia ser muito maior se olharmos o imenso potencial de muitas bandas de rock no país quando que para o “grande publico” a imagem de “rock brasileiro ” aqui acaba diluída em três ou quatro bandas expostas dentro de um esquema que envolve muita grana no negocio?
Wonder-Puxa, que pergunta enorme! Rs. Podemos começar pelo ‘grande público’. Ele está acabando. Cada pessoa hoje tem meios para ir atrás do que interessa a ela, customizando o seu próprio gosto. Isso está gerando nichos e diminuindo o espaço daqueles que trabalham visando à massa. Ela ainda existe, mas acho que as novas bandas tem de esquecer a década de 90 e aprender a lidar com os novos tempos. Já dizia Darwin, fica quem consegue se adaptar ao meio.
Nino- Outra questão que acaba sempre em polemica é a da internet em relação aos downloads e essa eterna briga pelo controle das majors ,muitas bandas apóiam ,muitas são completamente contra,mas analisando o fato de que muita banda nova,que poderia nunca ter fechado contrato com uma grande gravadora mesmo hoje como no passado a internet é um grande meio de propagação e propulsão ao reconhecimento ,na opinião dos Sabonetes,qual o lado bom e o lado ruim do surgimento dessa ferramenta chamada internet?
Wonder-Eu não vejo lado ruim. Não é pior e, se preferir, nem melhor. É diferente. E se as bandas tem que se adaptar aos novos tempos, as majors também tem. Eu já falei de Darwin? Não adianta dar murro em ponta de faca, o compartilhamento de mídia é irreversível. O que deve ser vendido agora é a experiência intensa de um show, a emoção de ter um material exclusivo e super produzido da banda que você admira, trabalhar com o intangível, com o que não pode ser copiado.
Nino- Bom, e os próximos planos ?
Wonder-Lançar o disco, lançar o disco e lançar o disco. Gostamos muito dele e não vejo a hora de as pessoas todas poderem escutá-lo também.
Nino- Agora,minha clássica pergunta final,se vocês pudessem voltar ou avançar no tempo e tivessem a possibilidade de escolher tocar com mais cincos bandas de todas as épocas num mesmo palco,que bandas seriam essas?
Wonder-A gente tocaria com John, Paul, George e Ringo. Cinco vezes.
Voce já ouviu falar em River Raid ?
Não , não estou falando do antigo joguinho dos anos 80 ,eu pergunto se você já ouviu falar na banda Pernambucana River Raid?
Bom, pra começar eles não tocam nas maiores rádios brasileiras, não saem na revista contigo ,não cobram cachês inacreditáveis para se apresentar ,não são estrelas do que atualmente se diz como sendo o atual rock nacional , porém eles vão muito ,mas muito além disso e a maioria de vocês nem sequer faz idéia, mas esses caras hoje já são considerados lá fora como uma das maiores novas bandas do rock brasileiro e já correram os Estados Unidos e o Canadá com repercussão absolutamente positiva ,no Brasil já brilharam em festivais como o REC Beat (recife PE),Se Rasgum no Rock (belem PA), Do Sol (natal),Ponto CE (Fortaleza CE),Bananada (Goiania GO),Aumenta que é Rock (Joao Pessoa PB),MADA (Natal RN) entre vários giros pelo país sempre de maneira independente e totalmente guerreira ,a historia dos caras não é apenas uma bem sucedida historia de reconhecimento é uma lição a ser seguida por qualquer banda que sonhe em alcançar aquilo que quer da maneira que sua atitude melhor lhe convenha.
Com dois álbuns na bagagem e quilometragem que registra passagem por respeitados festivais e eventos, como o famoso norte americano "South by Southwest (Austin, TX) e o brasileiro "Levis Music, ambos direcionados à revelação de nomes da cena independente, a Banda Recifense desbancou 15 mil concorrentes de mais de 100 países no Concurso Internacional de Composição, o "ISC - International Songwriting Competition - com a música “Time Up”.
Foi a banda mais votada da categoria rock pela internet na Voz do Povo (People s Voice) e recebeu a menção honrosa do júri, formado por figuras como Julian Casablanca (The Strokes), Frank Black (Pixies), Robert Smith (The Cure) e Jerry Lee Lewis, sendo a única banda brasileira na final do concurso.
The River Raid foi escolhida pelos editores da Revista Rolling Stone no "Hot List" do mês como um dos cinco favoritos com a música "Não caio mais no que você diz"; ilustrou reportagens de importantes jornais como a Folha de São Paulo e o Estado de Minas; foi citado em revistas e sites de renome internacional como a Spin.com , CMJ.com e Zig Zag Live.com; e recebeu nomeações importantes, a exemplos: o Hollywood Music Awards (Hollywood – CA/EUA); o Toronto Independent Music Awards e o Ontario Independent Music Awards (ambos em Toronto – ON/Canadá).
The River Raid é Ricardo Leão (guitarra, voz), Eduardo Pereira (baixo), Antonio Ferreira (guitarra, voz), Gustavo Monteiro (bateria) e Gilberto Bezerra (guitarra) e foi com o Ricardo que passamos uma madrugada batendo um papo para que a gente pudesse ficar por dentro dessa fascinante historia..
Nino- Como a River raid começou sua historia ai no Recife ?
Ricardo_Leão - A banda se formou no colégio, na época tocávamos nos intervalos e nas festas do colégio. Dái gravamos uma demo e começamos um trabalho de divulgação da músicas. Na época a cena de Recife estava fervilhando e começamos a tocar nos bares da cidade.
Depois vieram os festivais locais. Começamos a chamar a atenção da mídia e a demo recebeu boas críticas dos jornais e da revista Showbizz,dai veio o convite da Mtv para fazer o Ultrasom, a gente foi lá e ganhou o concurso
Foi um grande feito para gente ,quem apresentava na época era o Edgard Picolli que hoje está no Multishow.
Nino - Isso há quantos anos atrás?
Ricardo_Leão -Isso era entre 1996 e 2000 mais ou menos
Nino- Era uma epoca maravilhosa para o rock, o miranda lutando contra tudo e contra todos em prol de uma causa , as revistas dando geral nas cenas estaduais ,as gravadoras apostando no novo sem receio , algo que hoje é bem diferente né Ricardo?
Ricardo_Leão – É , vivemos um momento de dúvidas no mercado, ninguém sabe exatamente o que vai acontecer, eu particularmente vejo o momento com muito otimismo. Acho que é uma ótima hora para os artistas independentes,mas ninguém sabe exatamente o que vai acontecer e como ganhar dinheiro com venda de música....
O bom é que hoje quem tem um produto de qualidade e um trabalho sério fica e aos poucos as coisas vão se definindo ,uma coisa é fato , a produção musical não vai parar ,o entretenimento é um mercado em expansão
e a música faz parte disso tudo,vai mudar e isso pode ser muito bom.
Nino -Voces já tem mais de 10 anos de estrada , o movimento mangue beat (que emplacou a cena cultural de Pernabuco com artistas Chico science e Mundo Livre S.A) ajudou a banda a desbravar territorios,mesmo sendo um estilo diferente do que estava sendo projetado no país vindo dai?
Ricardo_Leão - Acho que o movimento mangue ajudou a chamar atenção para cena musical que estava se formando em Recife, da mídia e do público. A gente começou na mesma época, mas meio que na contra mão do regionalismo, fazendo rock'n roll. Tinha mais bandas na época que estavam com a gente e apesar de ter sempre a comparação "é de Recife tem tambor" a gente continuou firme e forte nas nossas influências.
e é sempre por ai, tem mercado para todo mundo ,quem tem qualidade e quer trabalhar vai ficando
Nino- E quando a coisa começou a tomar uma projeção maior do que voces imaginavam na River Raid?
Ricardo_Leão -Depois que a gente gravou o primeiro disco, as coisas começaram a engrenar. O disco tem 4 músicas em inglês e a gente começou a fazer um trabalho de divulgação das músicas nos EUA e Canadá. Através da internet conseguimos tocar em festivais nos dois países.
Ai começamos a ver que além do Brasil havia um mercado também no exterior.
Lançamos o disco aqui , fizemos uma turnê passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, joao Pessoa, Recife e Salvador divulgando o disco e foram surgiram oportunidades lá fora também...
Através da internet nos inscrevemos em concursos de composição
e as coisas foram acontecendo...
Nino -O Concurso Internacional de Composição, o "ISC - International Songwriting Competition - com a música “Time Up” ,por exemplo ,foi uma dessas grandes oportunidades certo?
Ricardo_Leão - O último que rolou foi o Billboard World Song Contest, ficamos no top 500 , com “Summer” e “Time Up” , o ISC foi uma grande vitória também, vencemos entre mais de 15.000 bandas do mundo todo
recebemos uma menção honrosa de um júri de astros.
Nino- Nunca tinha visto nada igual Ricardo ,e o pior é que quase ninguem fica sabendo por aqui....
Ricardo_Leão -É danado... o massa é que estamos aqui batendo esse papo e devagarinho vamos divulgando , o juri tinha pessoas como Julian Casablanca (The Strokes), Frank Black (Pixies) e Robert Smith (The Cure)...
Nino- É algo que nos faz acreditar em um futuro melhor para o rock no Brasil...
Ricardo_Leão - A gente cresceu ouvindo esses caras e agora eles ouviram a nossa música , isso é uma grande vitória para a música nacional ,é isso ai.
Nino- E para conseguir dar esse passo , de começar a tocar fora do país ,como voces conseguiram bancar isso,que é a maior dificuldade que as bandas enfrentam ,os meios de chegar até lá?
Ricardo_Leão - É ...cada ida é uma luta ,não é nada fácil ,o que a gente faz
é captar recursos através de projetos culturais e vai financiando ,aliás, isso é uma grande saida para artistas independentes
Nino- Mas nem todo estado possui essa certeza de que pode conseguir algo por ai...
Ricardo_Leão -Juntar-se com empresas para gerar o mercado
é mais uma mudança cultural que é feita lentamente , algumas coisas já começam a acontecer e o momento economico do país vai aumentar isso
começamos a ver projetos como o Levis Music que estamos participando este ano ,que é uma parceira neste aspecto .como no caso da mallu..
O Trama Virtual tem feito vários lançamentos legais com a Volkswagem e Vale Refeição, lançaram trabalhos de Ed Motta, Tom Zé e Móveis Coloniais de Acaju ,e por ai vai.
O governo tem leis de incentivos muito interessantes... agora... para lidar com o governo e com empresários é preciso estar muito organizado e ser muito profissional.
Nino- Hoje vcoes estão radicados onde?
Ricardo_Leão -Ainda em Recife ,Pernambuco.
Nino –Mas é essencial fazer a ponte para são paulo não é?
Ricardo_Leão -Sim, temos ido a São paulo sempre que possível, importantíssimo... tentamos marcar shows na volta da tour ( a recente turnê que fizeram nos Estados Unidos e Canadá), mas ficou muito em cima
estamos planejando agora uma ida depois do carnaval.
Sampa tem que ser planejado com antecedência e adoramos tocar lá.
Nino- Mas vamos falar sobre as grandes experiencias lá fora ,me conta um pouco sobre o que de maIs inacreditavel aconteceu por lá, as pessoas q voces conhecram ,os idolos, as bandas q dividiram o palco....
Ricardo_Leão -Os festivais lá fora tem uns "line up" forte ,no Atlantis Music Conference uma das bandas principais foi o Queens of the Stone Age , No South by SouthWest (Austin TX), desse ano teve um monte de banda: The Sonics, Echo and The Bunnymen , Metallica , Dinossauro Jr, Easy All Star, Ben Happer , Julliet Lewis...
Nino- Os Easy Star chegaram a tocar algo desse novo tributo dedicado ao Sargent Peppers?
Ricardo_Leão -Tocaram várias coisas de todos os álbuns... foi de chorar,
No CMJ em NY , fomos indicados pela diretoria do festival para gravar um comercial num estúdio lá , o estúdio chamava-se The Cutting Room ,
a empresa de marketing Londrina chamava-se Suspicious Marketing...
quando a gente chegou no estúdio não acreditou no tamanho do negócio
tinha disco de platina por todo lado,O Red Hot Chilli Peppers gravou o "By the Way" lá , Run DMC é outro cliente famoso ...
Ricardo_Leão - Já fizemos EUA e Canadá para o proximo ano estamos vendo a possibilidade de ir para Europa
Nino- E como você compara a receptividade do publico brasileiro e o estrangeiro?
Ricardo_Leão - Lá fora a música brasileira é muito respeitada e as pessoas as vezes não acreditam qua a gente do brasil está lá ,mas sempre é uma reação positiva ,no show do CMJ tinha um dono de um selo canadense no show da gente ,o cara ficou louco ,gostou muito do show ,mandou e mail depois do show e estamos conversando para ver o que sai.
Nino- E aqui no Brasil?
Ricardo_Leão -Um experiência engraçada foi a abertura do Paramore ,
que era um público diferente do que a gente está acostumado a encarar
totalmente diferente para falar a verdade e foi bem tenso ,nos não sabíamos o que ia acontecer até as cortinas abrirem e o show começar...mas demos conta do recado e o show foi muito legal o público respondeu muito bem.
E ai em Sampa quando vamos costumamos tocar no Outs, Inferno, Studio SP ,Uderground é rock na veia ,palco pequeno ,suor ,cerveja no palco
essas coisas do rock...
Nino- Ricardo,como voces estão lançando os discos e qual a diferença entre o potencial de ter um cd e o potencial de se divulgar pela internet?
Ricardo_Leão - O primeiro a gente lançou na raça ,o segundo está sendo mais planejado ,essa palavra é muito importante escrevemos um projeto e aprovamos na Lei Rouanet ,o disco vai sair através do incentivo federal.
Hoje em dia com a situação atual do mercado você tem que "surfar" todas as ondas ,tem que ter o disco físico tem que estar na internet tem que planejar o lançamento ...Nesse segundo trabalho nós estamos muito focados nisso
antes de colocar o disco a disposição vamos procurar fazer o máximo de barulho possível.
A internet é sem dúvida a arma mais forte hoje ,a grande diferença é como cada um usa a ferramenta.
Nino -Como é usar a ferramenta da maneira correta?
Ricardo_Leão -Na minha opinião: planejar as ações do lançamento
Tipo...antes de lançar o disco lançar um myspace com um layout novo
ai divulga o lançamento do myspace depois lança o site
divulga o lançamento do site ,depois fazer um trabalho como esse que estamos fazendo aqui com blogueiros ,fazer isso no mínimo uns tres meses
divulgando ,falando sobre o disco introduzindo no mercado , preparando o terreno para lançar , é muito difícil dizer na verdade... não tem regra
o que funciona é quando você atira na direção que acha que vai ser mais positiva ,é o que mais dá retorno hoje.
... ai vai , lança um clipe ,tenta colocar na Mtv , tem que estar em todas as redes sociais , Facebook, twitter ...no final das contas não tem nada de novo
é o trabalho que a gente escolheu por amar isso .
Nino- Hoje em dia quais são as bandas que voce poderia citar como referencias, as coisas que voces estão mais ouvindo, e o que acaba refletindo no resultado final nesse novo trabalho?
Ricardo_Leão -Referência termina sendo o que você ouviu a vida toda, mas poderiamos dizer muito RadioHead, Tv on the Radio, White Stripes, Racounteurs, Tom Jobim, Pixies, Sonic Yoth, muito David Bowie, Television
Tim Maia...
Nino- Bom,vamos indo para o final,tem uma pergunta que eu sempre curto fazer ,se voces pudessem escolher ,como numa maquina do tempo indo do passado ao futuro , 5 bandas para tocar em um palco com voces quais seriam?
Nino- Essa é foda....
Ricardo_Leão -Ahahahahaaha...puta que pariu...Pixies ,Sonic Youth ,The Doors...sacanagem isso hein nino??!!
Nino- heheheheh....falta só duas....
Ricardo_Leão -Cassete...pera que eu não quero ser injusto...
Ricardo_Leão -Beach Boys ,Miles Davis e Neil young essas
Entrariam fácil .
Nino- Eu tenho uma curiosidade : Qual foi a figura que voces encontraram lá fora que mais os deixou atonitos?
Ricardo_Leão -Jorge Ben em Miami Beach....
Nino- E um internacional, tipo que o cara treme em ver...
Ricardo_Leão -Pô esse ano no CMJ a gente viu um show do Heavy Trash num local que cabiam umas 300 pessoas
foi doente.....
SEGUE ABAIXO UM RESUMO ESCRITO A PUNHO PELA PROPRIA BANDA SOBRE A RECENTE TOUR QUE ROLOU LÁ NA GRINGA .
Em outubro de 2009 a banda recifense The River Raid partiu em mais uma odisséia internacional: fazer uma turnê na costa leste dos EUA.
O motivo???
Pré lançamento do disco novo que será lançado em 2010 e o convite para participar do CMJ um dos festivais de cinema e música mais antigos de New York.
O novo trabalho já tem nome “In a Forest” e traz 10 novas músicas que a banda vai lançar no início de 2010.
A turnê passou por diversos estados norte-americanos dentre eles Illinois, Indiana, Geórgia, Carolina do Norte, Ohio, Pensilvânia e Nova York.
Em Chicago/ IL, tocaram num dos principais bares da cidade o Reggie’s Music Joint indicado pela revista Time como umas das 10 coisas a se fazer em 24h quando estiver em Chicago. O show foi muito legal e quem estava na platéia foi Jimmy Rogers, músico e produtor dos anos 70 que veio cumprimentar a banda pelo desempenho no placo e pelas composições no final do show. Naquela noite estava acontecendo no local a gravação de um programa de Tv que a banda terminou sendo entrevistada.
De Chicago a banda partiu rumo a Indianápolis e tocou numa taverna cheia de história. O Vollrath é um local muito antigo e Matt (gerente do local) fez um pequeno tour contando os “causos” e histórias depois do show. O bar foi construído na época em que os EUA passavam pela lei seca e é cheios de passagens secretas utilizadas para esconder bebidas alcoólicas e por onde os gangsters costumavam escapar da polícia, segundo Matt, Al Capone e John Dillinger costumavam freqüentar o local na época.
A banda seguiu viagem, em Athens/GE tocou no Go Bar, onde foram informados que um dos proprietários do local é o vocalista do REM Michael Stipe.
Em Nova York se apresentaram no CMJ, o renomado festival é conhecido por ter revelado nomes importantes da música.
CMJ significa College Music Journal e é uma espécie de “chart” das rádios universitárias americanas.
A noite estava com a clássica atmosfera rock’n roll de NY e a invasão pernambucana não perdoou, os shows do The River Raid e Sweet Fanny Adams fecharam a noite e chamaram a atenção de quem estava no local, numa festa organizada pelo CMJ, Apex Brasil e a BMA celebrando o ano da França no Brasil as bandas recifenses mostraram que o Recife é Rock.
Ainda em NY foram indicados pela diretoria do CMJ para gravar 02 músicas no The Cutting Room, estúdio que já gravou bandas como Red Hot Chilli Peppers e Run DMC As duas músicas foram gravadas ao vivo para uma propaganda publicitária da empresa inglesa Suspicius Marketing. Foram gravadas Summer do primeiro disco e Shine On do novo álbum.
Antes de retornar para o Brasil, mais uma surpresa receberam um comunicado da Billboard informando que as músicas Summer e Time Up ficaram entre as top 500 do Billboard World Song Contest.
Escrito mais um capítulo da música recifense e brasileira na memória do rock!!!!!!!!!!
A banda paulistana Cracker Blues nasceu da paixão pelo rock sulista americano e pelas raízes do blues e os mestres do blues rock ,passaram um longo período executando clássicos eternizados pelo passado até que as composições próprias foram vindo a tona ao longo do caminho ,a qualidade é indiscutível nas canções do primeiro álbum recém lançado e batizado “Entre o México e o inferno” ,melodias arrasadoras , letras inspiradíssimas e autenticas de quem vive das ruas nas noites entre bares enfumaçados e etílicos caindo pelas madrugadas em busca de mais daquilo que os alimenta,a diversão dos grandes boêmios como um dia foi Adoniram Barbosa entre os cantos escuros da capital paulista em sambas que muito bem poderiam ser grandes clássicos do rock como o Cracker hoje faz, grandes pérolas que narram contos verídicos ,que relatam perdições e preces embaladas a um rock’n’roll de grande estilo ,levei um papo com o vocal ,gente finíssima e agora grande brother Paulo Coruja ,o show de lançamento oficial do álbum rola ainda esse mês ,mais informações dentro de alguns dias aqui no blog ,vamos lá grande Paulo,vamos pedir logo essa cerveja gelada e dar inicio ao nosso bate papo.
Nino-Finalmente depois de quase 10 anos de estrada a Cracker Blues chega a seu primeiro disco ,um momento muito especial para banda ,como vocês estão se sentindo com a chegada deste primeiro filho ?
Paulo Coruja -Rapaz, deu muito trabalho e custou muito sangue, além de várias mudanças na formação durante a longa estrada, mas estamos muito felizes...o disco ficou melhor do que a gente esperava, e passa bem tudo o que a gente queria dizer, o estilo de vida Cracker Blues.
Nino- a banda existe desde 2000 ,começaram como uma banda cover de clássicos de blues ,blues rock e southern rock altamente respeitada , como foi a transição dessa fase para um trabalho autoral?
Nós começamos despretensiosamente, só pra tocar as músicas das quais gostávamos...aí foram aparecendo oportunidades pra shows, e fomos seguindo. Em determinado momento, começamos a fazer versões das músicas que tocávamos diferentes das originais, a dando uma cara própria pra alguns materiais. Aí, quando vimos que tínhamos uma identidade, um estilo de som característico, resolvemos investir, e fazer músicas próprias. Quando vimos que o negócio fluía, gravamos.
Nino- Entre o México e o inferno traz um caldeirão de influencias marcantes,quais as bandas que ao ver de vocês estão mais impregnadas na essência do álbum?
Tem muitas, mas vamos lá: Allman Brothers, ZZ Top, Lynyrd Skynyrd, Blackfoot (esse nós só percebemos depois, hehehe), Robert Johnson, Gov’t Mule, Son House, Eric Sardinas, John Lee Hooker...
Nino- As letras são um show a parte, de onde vocês tiram essa inspiração tão original , como funcionou esse trabalho de composição no disco?
A banda toda tem histórias pra contar, e também ouvimos muita coisa de amigos na noite...muitas coisas das quais falamos realmente aconteceram, então foi só transformar isso uma maneira que pudesse integrar o arranjo. Pesquisei muito Tom Waits, e letras de sambistas brasileiros da antiga, como Noel Rosa e Riachão. Aí, eu mesmo escrevi as letras, sempre com as sugestões dos demais membros da banda, como a Larissa e o Marceleza, e com as frases que captávamos por aí nos botecos...
Nino – E quanto a produção do Edu Gomes ,essa figuraça altamente talentosa da musica nacional ,falem um pouco para a gente sobre essa parceria?
O Edu tinha participado de um projeto nosso, o “Cracker Blues Convida”, aí, nos conhecemos melhor, e o convidamos pra fazer a produção do disco, área na qual não tínhamos experiência. O homem entendeu perfeitamente o que a gente queria, e ajudou a organizar nossa idéias de uma forma coesa, pra dar unidade ao trabalho, sem perder as características da banda nos shows. Chegávamos com um arranjo pronto, aí ele ajudava a podar alguns excessos, e acrescentar passagens pra enriquecer, além de trabalhar os timbres com precisão. É um grande talento, e esperamos contar com ele nos próximos!
Nino- Tocando no assunto das bandas de rock no Brasil atualmente como vocês encaram o fato de sobreviver com a musica em um mercado que se fechou bastante de uns tempos para cá ,principalmente levando em consideração o fato de agora terem um trabalho próprio?
O trabalho próprio te traz um respeito diferente no meio, é como uma identidade, que te credencia a vôos mais altos. Passam a saber o que você tem a dizer. A internet facilitou a divulgação das bandas, hoje qualquer um pode ouvir seu trabalho, mas também dispersou bastante o público. As gravadoras que ainda tem cacife pra lançar bandas estão concentradas em mainstream, as independentes não conseguem se segurar bem, então agora a própria banda tem de correr atrás, e oferecer um diferencial pro público. Não basta fazer música boa, agora temos de ter uma atitude, e saber levar essa atitude ao público, em todas as formas possíveis. O cara deve se identificar com o estilo da banda, mais do que curtir o som, deve ser parte da tua família...é assim que nós sobrevivemos na selva, contando com nossa família Cracker Blues, e caçando as oportunidades....aliás, obrigado por esta oportunidade!!!.
Nino- São Paulo tem gerado muitas boas bandas de rock resgatando fortemente essa veia rock’n’roll vibrante ,tirando bandas como a Tomada e a Baranga que já estão se sobressaindo na mídia e inclusive já dividiram o palco com voces, quais bandas vocês podem citar como nomes fortes dessa nova cena paulista?
Cara, tem muita coisa boa, só que tudo anda meio fechado, sempre o mesmo palco, nos mesmos lugares...posso citar, com trabalho próprio, além destas o Carro Bomba, Pedra, Daniel Kid e os Rockers, muita coisa! Apesar de não ser paulistana, cito o Bando do Velho Jack, do Mato Grosso do Sul, uma de minhas bandas favoritas, junto das anteriores! Um dos meus sonhos é rolar um festival de verdade, grande e bem feito, pra botar esses caras todos no mesmo palco e fazer o barulho que eles merecem.
Nino- Voces falam em influencias de citações da noite paulistana nas composições do disco ,falem-nos um pouco sobre isso?
Quando você convive com a noite paulistana (fora dos lugares da moda, claro), você ouve histórias e convive com figuras lendárias...além, é claro, de vivenciar situações que não são exatamente normais. Sim, numa letra falamos do gerente de uma casa, digamos, de “relaxamento muscular masculino”(citação do Marceleza), e realmente um familiar próximo meu foi gerente de uma. O whisky Made In Asunción, o bom dia do saco de pão, todos nós passamos por isto....o amigo que tatuou o nome da namorada (alguns tatuaram o rosto delas), e as piadas que surgiram disto, a ressaca de segunda. Falamos da realidade que nos cerca, e quem ouve a Cracker compartilha do que falamos, hehe!
Nino- Quais os planos da banda a partir do show oficial de lançamento do disco , que pelo jeito vai ser uma grande celebração...
Esperemos que seja um grande show, e que a família Cracker envergue com orgulho seus chapéus e botas, afinal de contas vamos invadir o Bourbon Street !
Estamos trabalhando no nosso clipe de Velha Tatuagem, que deve sair depois do carnaval, e pretendemos tocar até sangrar os dedos, além de compor mais, pra já preparar o segundo disco!
Nino- Vocês sempre se dedicaram exclusivamente a Cracker ou durante essa década de estrada também participaram de outros projetos?
Antes da Cracker, todos tivemos muitos...agora, às vezes participamos de outros projetos como instrumentistas, por exemplo, o Marceleza faz guitarra em alguns, eu gravo algumas gaitas pra outros. O Gaucho tem outra banda, a Garagem Hermética, excelente, por sinal, que está voltando à ativa. A Larissa eventualmente participa de outras como convidada, e assim seguimos. A Cracker toma bastante tempo.
Nino- Quais discos para o pessoal da Cracker blues são obras sagradas que a geração de agora não deveria deixar de ouvir ?
Meu rapaz....essa pega! Tudo do Allman, do Hendrix, do ZZ Top, do Lynyrd, do Stevie Ray Vaughan, do Robert Johnson, do Gov’t Mule...tá....pensando em álbuns: Allman: At Fillmore East, Lynyrd: Pronounced 'lêh-'nêrd 'skin-'nérd, Robert Johnson : Complete Recordings, ZZ Top: Tres Hombres, Eric Sardinas: Treat Me Right, Dave Hole: Whole Lotta Blues, Johnny Winter: Second Winter, Scott Henderson: Dog Party, Stevie Ray Vaughan: Live at El Mocambo, Willie Dixon: Boss of the Chicago Blues, George Thorogood: Anthology, Hound Dog Taylor: Release the Hound, The John Butler Trio: Grand National, John Mooney: Dealing With The Devil, Koko Taylor: Koko Taylor e Friends, Motörhead: March or Die, Casa das Máquinas: Casa do Rock, Tutti Frutti: Fruto Proibido, tem um monte…
Nino- Na Markadiabo a gente tem uma caracteristica um tanto antropólogica de colocar na roda bandas q não atingiram o devido reconhecimento mas que consideramos pérolas sonoras quais bandas que não atingiram o mainstream vocês consideram mais legais ?
Acho que o Eric Sardinas tem bastante a dizer, na linha Johnny Winter. O Gov’t Mule não tem o reconhecimento que merece, é uma das maiores bandas do nosso tempo...tem o North Mississipi All Stars, o Delta Moon, The Blasters, Molly Hatchet, Blackfoot...
Nino- Ainda vai rolar algum cover nos shows ?
Sim, ainda fazemos alguns. Pensamos no Gov’t Mule: quando eles fazem covers, e eles fazem bastante, sempre soa Gov’t Mule...é isso o que queremos fazer, covers com cara Cracker Blues.
Nino- Qual musica mais rolava um feed back ,um frenesi quando ainda eram uma banda tocando clássicos das antigas?
O pessoal gostava da Voodoo Chile (Hendrix), da My Head is in Mississipi (ZZ Top), da Minha Vida é o Rock’n Roll (Made in Brazil), da Midnight Rider (Allman Brothers) mas agora os hits são as próprias.
Nino- E no trabalho atual,quais musicas mais tem despertado a euforia do publico ou das pessoas que já tem acesso ao disco?
Velha Tatuagem, com certeza a mais “cantada” pelo público, Whisky Cabrón (a mais porrada), Blues do Inimigo (a preferida de muitos no disco, depois da Velha) e Bolero Maldito (o country sanguinário, hehehe).
Nino- Se a banda pudesse voltar no tempo e ser escalada pra participar de um festival com cinco bandas ,quais seriam as outras quatro?
C..., essa é perigosa. ZZ Top, com certeza, Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, Blackfoot e Charlie Daniels Band. Mas eu só assistiria, hehehe...essa é a minha preferência, os demais Crackers podem ter outras.
Nino- Quais bandas de blues no Brasil vocês consideram mais relevantes ?
De blues, acho que o Blues Etílicos, o Celso Blues Boy, o André Christovan, o Irmandade do Blues, Blue Jeans e Big Alambik. Essas são as que tem mais história. Mas tem muita coisa boa, além delas...e bandas que não são de blues, mas tiveram relevância em algumas músicas no estilo, como o Cazuza.
Nino- Como é viver a banda de maneira independente no Brasil ,o cara consegue sobreviver só com seu próprio trabalho como musico,como é o dia a dia de voces?
A Cracker se paga sem problemas, mas ainda não podemos depender apenas dela para viver, esperemos isso pra breve. Trabalhamos com outras coisas, também, e ensaiamos semanalmente, fora os shows.
A Cracker Blues agradece muito ao Nino e à Marka Diabo pela oportunidade , pela força que eles dão às bandas nacionais, e pelo estilo das camisetas, que achamos do c...!! Convidamos todos aos nossos shows, e quando estiverem lá, usem com orgulho seus chapéus, botas e camisetas Marka Diabo, que eles são dos poucos que vivenciam o Rock’n Roll nessa selva!!!
Grande abraço!!
obs: Hoje a banda já prepara-se para compor o novo albúm e o mestre Paulo Coruja é integrante oficial da equipe da Marka Diabo, como nosso principal desenhista.
Ampliando nossos tentáculos em ambito nacional eis que surgem nossos mais novos parceiros jornalísticos, a dupla dinâmica , hoje paulistas residentes , Renato Ribeiro Neto e Roberta Naviliat (mais conhecidos intimamente como Renatinho e Beta ,as cabeças pensantes da excelente banda stoner Staut). O primeiro desafio foi cobrir para a gente a estréia do Festival Maquinaria que rolou em Sampa , já que o segundo dia não faria tanto nossa cabeça com exceção da escalação fora de órbita do grande Danko Jones em meio ao Panic at the Disco e o Evanescence ,minhas desculpas aos milhares de fans das duas bandas, mas o Danko era ao meu ver só o que nos interessaria, gosto é gosto. Bom, mas sem mais delongas vamos a narrativa relembrada com emoção pelas mãos e mente da grande Beta e tudo começa em um...
Dia Feliz!!!
Sabe aquele dia que você acorda e diz “É hoje...”, pois é, era o dia do Máquinaria Festival 2009. Nação Zumbi, Sepultura, Deftones, Jane’s Addiction e Faith No More, ta bom ou quer mais? Um dia antes, já sofríamos a ansiedade de chegar logo, de como seria, será que iria dar tudo certo com nossos ingressos? Tinhamos descolado as entradas por meios diferentes para a área vip, com uma provável promessa de acesso aos bastidores , roer as unhas era pouco ,elas simplesmente desapareceram de nossos dedos... Bom, saímos as 10:30 da manhã de casa (Suzano – SP), para estarmos na Galeria do Rock ao meio dia pegando nosso parceirão Toninho (presidente do fã clube do Sepultura) e sairmos em busca do dia perfeito no meio de um engarrafamento no centro de São Paulo em um de táxi, então pegamos o corredor dos ônibus e em meia hora estávamos desembarcando na ENTRADA VIP do Maquinaria. Ligação vai, ligação vem, brilhou os ingressinhos, graças aos mais desejados contatos do festival que só nosso mano Toninho pode conseguir. Beleza, fones salvos no nosso celular, todos aqueles contatos que não teríamos jamais a cara dura de ligar, nem pra ouvir atender e desligar seguimos felizes da vida, com entrada Vip de Convidados, adentrando na tão falada “Chácara do Jockey”. Primeira coisa a se fazer quando passamos pela segurança, abrir a mochila e deixar babando quem estava de fora pelas camisetas da Marka Diabo, fornecidas pelo nosso brother, Nino Lee, para presentear o Sepultura em grande estilo, depois de alguma demora entre não amassar demais as camisetas e nossas coisas, ainda achamos um espacinho na muchi para a bandeira de três metros do Sepultura (amiga inseparável do Toninho) que não poderia faltar no show!!!! O Nação já estava tocando, começaram as 15:00hs, mas não deu tempo de assistir, já era a última música quando entramos e era longe pra chegar, deveria ser umas 16:00hs quando entramos, um calor de nem sei quantos graus e a vontade de dar um mix foi maior do que qualquer coisa, porque por mais que voce diga que vai deixar pra mais tarde a canha, quando passa aquele carinha da “Cerveja geladinha” , acabou promessa de se segurar, é que nem macaco correndo atrás da banana. Foda, e a barriga cada vez aumenta mais... Todo mundo falando super bem do show do Nação, chegamos até o banheiro (graças a Deus) e no intervalo de cada banda, na pista, tinha um palco alternativo com bandas locais, bem legal, e por isso pensávamos que iria demorar um pouquinho pro Sepultura entrar, que nada, só deu tempo mesmo foi de pegar uma gelada e correr pro nosso posto, ÁREA VIP =>. Sepultura tocando e chegamos com a bandeira em punho, HHHAAAAA, foi massa demais, Sepultura sempre da um show de tudo, até da simpatia do “Alemão” (forma carinhosa do Toninho chamar seu cumpadi Andréas Kisser) em agradecer a presença de todos e em especial “Toninho e os verdadeiros fanáticos por Sepultura”, que honra Hein? Ao nosso lado, os três filhos do Igor Cavalera no maior estilinho Max e Igor crianças, lindos e Rockeiros por Natureza, só vendo. Destaques para músicas do cd novo A-LEX, como “What i Do!” e “Moloko Mesto” (baseadas na obra de Stanley Kubrik, o eterno Laranja mecânica), entre outra clássicas que levanta qualquer defunto, o show foi bom demais. Sem mais delongas, fim do Sepultura e o palco estava sendo organizado para entrada da tão esperada DEFTONES (banda que somos fieis de carteirinha). Com uma tentativa frustrada de entrar no camarim, mesmo com o Toninho, pois os grandes Sepultura eram convidados do festival e não faziam parte da organização, não conseguimos entrar pelo portão altamente disputado e fiscalizado, aguardamos ao próximo show! Havia uma leve frustração no ar que foi superada com alguns goles de ceva gelada, ao som de mais uma banda no palco alternativo, o sol queimando, quando por uma fração de segundos nos soa aos ouvidos aquele timbre poderoso seguido de uma microfonia ensurdecedora estourando com batera e baixo ,diante de nós o DEFTONES. Nossa!!! Não estávamos acreditando, eram eles mesmos, com todo o peso que poderia ter. Tinham um repertório com 30 músicas que variavam entre todos os discos, mas nem sei se tocaram todas, ficamos bem pertinho do palco, na frente do Stephen Carpenter (Guitarra), sacamos na mesma hora uma camiseta da mochila, pensávamos em atirar pra eles, mas estávamos receosos, pois não poderíamos falhar, então optamos pela camiseta da STAUT mesmo e nada mais justo que depois todos os covers que já fizemos de Deftones, pelo menos nesse dia, seria o mais perto deles que poderíamos chegar. Com a camiseta na mão, chamamos a atenção do Chino Moreno que com um arremesso certeiro, ele apara a Marka Diabo Stautica e coloca em um dos cantos do palco, daí fomos ao delírio, e fica a pergunta que não quer calar “Por onde será que anda a Marka Stautica”? Ápice do show foi com certeza “Hexagram” levando fãs presentes ao delírio, também com Feiticeira e Changes, entre todas as outras , Head up, 7 Words... e o poeirão que subia a cada roda punk , era lindo de se ver. Bom, infelizmente eles se despedem da galera, um público estimado em 30 mil pessoas, que acho que foi mesmo, todo mundo faminto e teríamos uma pausa pra levantar as perninhas de rockeiras sedentárias e descansar na área vip, que tinha até rede pra galera curtir o melhor visu possível. Entre todas as surpresas belíssimas que o lugar nos proporcionou, o destaque foi para infra estrutura do local, tudo que se pode esperar de um festival bem sucedido estava ali, bom, espaço para isso é o que não falta lá. Comemos pizza com cerveja, pra variar um pouco, a noite cai e começa o show do Jane’s Addiction, bem legal, apesar de não sermos muito fã da banda eles arrebentaram, com um jogo visual incrível, Navarro (guitarra) com seu estilo clássico sem camisa, chapeuzinho e crivo e Perry Farrell (vocalista) com uma roupa de doer os olhos de tão cintilante, tirando todo o foco das dançarinas gueixas que também deram um show. O show acabou e já estávamos na área vip onde conseguimos bater algumas fotos com o pessoal do CPM 22, gente finíssima o tal Badauí (vocalista), que conquistou o direito de levar uma camiseta da Marka e também Marinho (baixista)do ex Pavilhão 9, e esse sim ganhou com louvor duas camisetas da Marka gostando das mais indemonhadas, como disse ele! Hehehe. Entre outras fotos com Vips presentes, ceva, pizza, amigos novos e a satisfação de estar ali com tanta gente massa, uma chuvinha passageira não pode deixar de aparecer, assustou o pessoal da produção que estavam organizando o palco para os mais esperados do dia, tendo que cobrir a aparelhagem, mas foi uma chuva de verão, logo passou e mesmo forte por alguns minutos, não conseguiu deixar o local em lama, foi pra refrescar mesmo. Tava muito quente. O Faith No More subiu ao palco entre 22:00, 22:30, era por ai!!! Mike Patton com uma roupa de pastor infernal e grarda-chuvas chega na frente do palco arriscando o português e muito carismático, mesmo com todos os palavrões que variaram de “Porra Caralho, Puta que pariu, Sacanagem, Que beleza”, que viraram coro em determinado momento, até engolir o microfone entre outras “cossitas mas” o show foi simplesmente demais, uma sensação de psicodelia e nostalgia era o que todos estavam sentindo, só as clássicas, as Best of...!!!! Show irreparável e recomendável a todos os que algum dia já se sentiram vocalistas de alguma coisa, aquilo é saber fazer um som afinado!! Destaque para os cabelos brancos do Mike Bordin (baterista) que nos faz pensar que não era sonho não, era a mais pura das realidades e o tempo passa. E foi assim, que Faith No More encerrou a noite, com mais dois bis (ou três), galera ensandecida, festival que só acontece por aqui,Nessa ensandecida São Paulo.
A staut é du caralho,parou porque ,porque parou? Eu só vou dizer uma coisa vocês estão onde precisam para que tenham o reconhecimento que merecem,os melhores estúdios,os melhores possíveis parceiros,os melhores bares ,a melhor oportunidade . Não vou citar bandas que estão girando todos os festivais do pais dos quais creio que vocês estão um passo adiante,mas vou dizer ,vocês tem condições de vencer esse jogo de xadrez ,que enquanto aqui no sul era uma barra pesadissima. Foda é ficar aqui falando isso sabendo o porque de estarem ae ao mesmo tempo tendo o papel de anunciar o poder de que são capazes de transformar um pensamento em melodia e chapar-se com o que sai nos auto falantes, Eu sou louco mesmo quero vocês como banda e sei que isso é difícil de dizer porque sei que a mudança para São Paulo tem intenções de mudar a vida que levavam aqui no sul,mas tenho a certeza que o sangue ainda corre nas suas veias. Eu,um simples qualquer ,que ainda tem um olho que enxerga digo ,detonem essa porra de novo!!!!!!! E QUE MANCADA É ESSA DE NÃO ME MANDAR O SOM NOVO????
Nada melhor para um blog que faz parte de uma grife que também lida com o cinema do que chamarmos alguém expert no assunto para um bom bate papo sobre esse planeta e esse cara para nós não podia ser outra pessoa que não fosse o editor chefe da revista Set, Roberto sadovski . Radiante de volta a sua sala na Set, depois de uma reviravolta que fez com que toda a tradicional equipe da maior publicação de cinema do país fosse demitida em massa no inicio desse ano,inclusive ele , quando a revista acabou vendida a um jornal carioca , Roberto me contou um pouco de sua historia e sobretudo me mostrou o quanto ele é pop e respira o cinema como raramente se encontra alguem por ai.
Nino - Roberto, quando começou a paixão pelo cinema na sua vida?
Roberto - Inconscientemente, foi quando eu tinha cinco anos e vi Superman no cinema. Daí eu sempre acompanhei e gostei. Mas acho que, em 1987, eu comecei a prestar mais atenção em filmes. O click acho que foi depois de ver Coração Satânico (policial de Alan Parker, estrelado por Robert De Niro e Mickey Rourke). Aí fodeu (risos).
Nino - Você começou como jornalista em outras áreas. Como foi parar na crítica cinematográfica?
Roberto - Comecei em redação de geral mesmo. Cidades, política, economia, esportes, polícia, etc. No caderno de cultura do Diário de Natal, onde eu morava, já tinha gente escrevendo sobre cinema. Daí rolou um estresse com o editor e ele me pediu para escrever. E eu fui, claro.
Nino - E como foi essa transição entre o Diário de Natal para uma publicação de âmbito nacional, estabelecida em São Paulo?
Roberto - Em Natal não tem como trabalhar como jornalista. Só se for com política. Eu sempre li a SET. Aí tirei férias e vim pra São Paulo meter a cara.
Nino - Porém, a SET já era grande no País, com uma equipe já formada. Como você descolou essa brecha?
Roberto - Ninguém me colocou lá dentro. Eu apareci lá e conversei com a editora-chefe, a Isabela Boscov. Ela leu meus textos, conversamos. As férias acabaram e eu voltei para Natal, onde à época estavam rodando um filme, For All (- O Trampolin da Vitória, de 1997). Eu acompanhei as filmagens e sugeri a pauta para a revista. Mandei, e, no dia seguinte, a Isabela me chamou para vir a São Paulo porque tinha uma vaga na SET. E eu vim.
Nino - E começou na SET como?
Roberto - Editor-assistente.
Nino - Como aconteceu de chegar ao comando da publicação?
Roberto - Levou tempo. De assistente passei a editor. A SET estava na editora Abril e ia para a Peixes. Mas a Isabela não queria sair de lá. Eu quase fiquei para atuar na Contigo. Mas arrisquei e fui com a revista para a nova casa. Lá, de editor passei a editor-chefe e, anos depois, tornei-me diretor. Hoje sou editor-chefe de novo.
Nino - Como é estar diante dos famosos da indústria cinematográfica?
Roberto - Nunca pensei neles como pessoas diferentes. Acho que jamais os coloquei nessa posição. Desde a primeira vez que viajei para uma cobertura fora do Brasil, em momento algum pensei assim. De perto, todo mundo é gente igual.
Nino - Quem você considera os seus entrevistados mais marcantes?
Roberto - Hmmm... George Lucas, por Star Wars... Todos os diretores que eu admirava e pude conversar: Cronenberg, David Fincher, Scorsese...
Nino - Pessoas que realmente possuem um nível de mentalidade acima do comum?
Roberto - Sim. Ideias parecidas com as minhas de como o cinema deve ser. O Guillermo del Toro é um barato, principalmente.
Nino - Existe “esnobismo” nesse meio, Roberto?
Roberto - Nunca. Nenhuma pessoa que eu conversei me esnobou. Tinha as “avoadas”, tipo a Paris Hilton. Mas pouco me interessava o que ela ia dizer. Não ia usar, anyway.
Nino - E quanto a essa nova geração engraçada de Hollywood, quem você considera ter mais talento e personalidade?
Roberto - Judd Apatow é mesmo muito bom. O Seth Rogen é bom. O Steve Carrell é bom...
Nino - Cara, quem são seus atores prediletos?
Roberto - Caralho, a lista é gigantesca. Vou ficar a noite inteira! (risos)
Nino - Que venha o primeiro da sua mente...
Roberto - Daniel Day-Lewis.
Nino - Essa entrevista é para um blog quase que especificamente rock. Qual o melhor filme que envolve esse gênero musical, na sua opinião?
Roberto - Hmmm... Spinal Tap. Mas tem outros.
Nino - Passa uma lista de três pra gente. Pensa aí.
Roberto - Música e cinema é uma combinação foda. Quase Famosos, Ainda Muito Loucos, The Wall...
Nino - Legal você citar o Ainda Muito Loucos. Eu o adoro, e sempre o vi como um filme esquecido, deixado de lado...
Roberto - Ainda Muito Loucos é espetacular. Eu falei pro Bill Nighy que era o melhor filme dele.
Nino - Mesmo hoje há diferença entre o cinema produzido em Hollywood e na Europa?
Roberto - Hoje, nenhuma. Cinema é cinema. As pessoas confundem cinema americano com cinema dos grandes estúdios. Mas existe uma produção independente bem diversa.
Nino - Mas quanto às diferenças entre blockbusters e o que sai fora desse nicho...
Roberto - A diferença é o tamanho do orçamento e as ferramentas. Não esqueça que a responsabilidade de fazer um filme caro é bem maior do que a de fazer um filme barato. Se um estúdio despeja 200 milhões de dólares numa obra, com certeza quer retorno.
Nino – E o melhor filme já feito no Brasil, na sua opinião?
Roberto - Cidade de deus é o filme mais foda que a gente já fez
Nino - Qual seu super herói favorito nos quadrinhos melhor adaptado às telonas?
Roberto - Homem Aranha. Mas O Cavaleiro das Trevas é fodão.
Nino - Roberto, depois de anos na SET, rolou um rompimento brutal há pouco tempo. Isso deve ter sido uma barra para alguém tão conectado com a alma da publicação como você. Como aconteceu isso?
Roberto - Bom, a editora Peixes havia sido vendida para um empresário carioca. Em março (deste ano) ele achou por bem demitir todo mundo e passar a revista para a equipe do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. Foi uma imensa cagada. Eu fiquei péssimo, claro. Foram anos dedicados a um título ver jogado no lixo. Foi triste.
Nino - Mas, por outro lado, você conseguiu com muito esforço reverter essa situação e ter de novo a revista em suas mãos. Isso é algo que eu gostaria muito de saber como aconteceu, porque você deve ter passado noites insones pensando no que fazer, já que mantinha relação tão intrínseca com a SET há tanto tempo...
Roberto - Velho, eu pensei de todo jeito. Tinham me dado opções, de tentar levar para outra editora, arrendando-a da Peixes... Mas ninguém que eu falava queria negócio com o cara que era o dono. Quando vi a primeira edição do Rio, doeu mesmo. Ficou péssima. Amadora. Mas o mundo dá voltas.
Nino - E como recomeçar tudo novamente e sozinho?
Roberto - Nessas duas edições? Dureza. Não só por tocar a revista sozinho, mas também para arrumar a bagunça que deixaram.
Nino - Pelo menos, pelo que se viu, foi a volta do espirito tradicional da SET, que, por sinal, ficou excelente.
Roberto - A segunda tá melhor ainda. E a de dezembro vai ficar ainda mais foda.
Nino - E continua a SET de um homem só?
Roberto - Não, a partir de dezembro já terei mais gente na equipe. Só não posso dizer ainda quem é (risos).
Nino - Bom, uma pergunta foda de responder... Mas você tem um filme predileto?
Roberto - Putz, impossível. Tenho uns mil! (risos)
Nino - Eu sabia. Mas, falando um pouco de som, quais suas bandas favoritas?
Roberto - Caralho, é uma lista de mais mil. Eu adoro música.
Nino - Bom, pra mostrar que você é um cara eclético, uma banda de metal, então.
Roberto - Mastodon.
Nino - Excelente resposta!
Roberto - (Risos) Mastodon tá fazendo a trilha de Jonah Hex (HQ western da DC Comics que ganhará adaptação para o cinema em breve).
Nino - Uma trilha de filme com bandas que você acha impecável?
Roberto - Porra, Pulp Fiction.
Nino - Você chegou a trocar uma ideia com o Tarantino? Que tal o cara?
Roberto - Só no lobby do (hotel) Four Seasons. Uma vez (risos).
Nino - Hoje em dia a gente vê muitas revistas saindo de circulação. A internet atrapalhou um pouco o rumo das coisas, nesse ponto? Como você analisa a longevidade da SET durante todos esses anos?
Roberto - Cara, é meio inexplicável. A internet não nos atrapalhou tanto quanto a outras publicações, talvez porque a gente dê sempre material diferenciado. Mas é essencial ter suporte digital tanto quanto a revista.
Nino - Atualmente é preciso se desdobrar muito mais, não?
Roberto - Na verdade, é preciso ser criativo como sempre. Se o cara compra uma revista, ele quer muita informação e nada ralo demais.
Nino - Por que a seção de música foi tirada da publicação?
Roberto – Porque tenho planos de lançar uma revista voltada para o assunto
Nino - Se você pensa numa revista voltada à musica é porque com certeza ela terá um diferencial, o que significa que revistas com conteúdo mais legal está em falta nas bancas. Estou certo?
Roberto - Bem por aí... no estilo da SET.
Nino - Fico na torcida por isso também, porque só aquela página que existia na SET - principalmente pelo fato de não parecer ter ligação a grandes gravadoras nacionais - me mostrou muita coisa que não havia sido ainda lançado aqui. Isso é essencial...
Roberto - Sim, essa é uma das ideias.
Nino - E o mercado de novos jornalistas? Muita gente deve procurá-lo, certo? Como você avalia um cara novo pretenso candidato ao cast da SET?
Roberto - Muita gente procura. Mas tem de ser um cara pop e que respire cinema tanto quanto a gente. Isso é beeeeeeeeem raro.
Nino - Pra fechar, tem alguém que você queria muito entrevistar e ainda não o fez?
Roberto - Hmmmm... Ainda não falei com tanta gente, bicho... De Niro, Pacino, Spielberg...
Dando continuide em minha busca pelas riquezas do rock feitas hoje em dia no Brasil fui parar em Itajaí ,Santa Catarina ,mais precisamente pra levar um papo com os caras da The Headcutters ,um quarteto de blues que consegue inacreditavelmente nos levar a uma outra dimensão musical, uma sensação semelhante a embarcar em uma maquina do tempo indo parar diretamente na essencia do estilo feito nas decadas de 40 e 50.
A banda é formada por Joe Marhofer na harmônica e vocal, Ricardo Maca na guitarra e vocal, Arthur “Catuto” Garcia no contra-baixo acústico e Leandro Cavera na bateria.
A historia aqui na real dispensa comentarios ,para voce ter uma ideia do que digo basta acessar o my space dos caras (http://www.myspace.com/headcutters ) e voce vai ter uma noção mais precisa do que digo e o porque deles estarem aqui ,neste espaço que nasceu para mostrar aqueles que levam a musica com " verdade " no coração e na alma e merecem muito mais reconhecimento .
Nino- Bom , para começar eu queria dizer que vocês me pegaram de cheio...como pesquisador do rock e toda sua historia eu jamais havia escutado uma banda com sonoridade que remetessse tanto aos velhos e lendários tempos deste riquíssimo cenário musical feito há decadas atras no blues de Chicago e nas proprias raízes profundas desta parte da historia e movimento cultural que um dia iriam parir o rock desde que as canções dos escravos tornaram-se o Blues ,qual o segredo para se chegar a um resultado tão devastador em termos de som?
Joe – Fala Nino!!!! Cara, antes de responder queria dizer muito obrigado pelo espaço e pela parceria com a Markadiabo!!!!!! Em relação a pergunta, cara, são anos de pesquisa e dedicação ao Blues...nao é fácil atingir esse timbre...mas o grande segredo é sempre buscar os mestres antigos Muddy Waters, Little Walter, Jimmy Rogers, Willie Dixon....enfim...tentar buscar a maneira ideal de captar a sonoridade e também os equipamentos que eles usavam na época...e o melhor de tudo é que ainda vamos melhorar nosso timbre no próximo Cd (risos).
Nino-Quais artistas vocês consideram as grandes almas do estilo que os influenciou?
Headcutters- Muddy Waters, Little Walter, Jimmy Rogers, Sonny Boy Williamsom II,Willie Dixon....e os grandes mestres dos Blues daquela época...mas com certeza esses aí citados são de longe a grande fonte da banda.
Nino- E na historia das harmônicas ,quem são os grandes mestres?
Joe- Little Walter, Sonny Boy I e II, Big Walter Horton, Sonny Terry. Esses caras são todos mestres da velha guarda blues que tocavam a gaita do jeito tradicional.
Nino- Ricardo,Você como guitarrista ,quem consideras os mestres do teu instrumento ,e digamos que fossemos dividir a pergunta em duas ,quem são os caras na linhas dos blueseiros de raiz e os caras mais atuais que marcaram ou seguem um estilo mais moderno ou surgido a partir dos anos 70 para cá ,qual a tua discoteca básica entre essas duas dimensões de uma mesma fonte ?
Ricardo – Somos meio “xiitas” no Blues (risos) é o jeito que o pessoal de São Paulo nos chama....tenho como inspiração e influencia total de Muddy Waters, Jimmy Rogers, Dave Mayers, Louis Mayers, Robert Nightwak, Robert Johnsom, Guitar Slim. Pra falar a verdade os anos 70 em diante já fogem do meu gosto particular...entao posso dizer que sou totalmente influenciado pelo Blues antigo....pois é lá que esta a fonte pra se beber! Seja vc rocker ou Bluesman....tá tudo lá!!!!
Nino-E o Arthur (bass) e o Leandro( batera) quem mais influencia no modo de tocar e compor de vocês?
Arthur- Willie Dixon (mestre) Big Crawford
Leandro – Fred Bellow, Odie Paine, Art Blakey, Papa Jo Jones, and many others!!!
Nino-Tendo em vista a participação e consagração de vocês no “Moinho estação blues festival” ,em Caxias no Rio Grande do sul e sabendo que em outros estados ,como no Ceará a cena de blues está favorecendo bastante o estilo ,vocês acham que essa tendência tende a se espalhar ,existe essa expectativa ,como nos festivais independentes de rock’n’roll ?
Headcutters – O blues está ganhando espaço sim, mas ainda achamos que falta um pouco pra melhorar (sempre) tem gente tocando blues no Brasil inteiro e no mundo inteiro...so falta talvez um pouco mais de paixão das pessoas pelo estilo...esperamos que melhore sempre...mas não é facil!!!
Nino-Lá fora os dois estilos mais tocados do blues são o mais texano ,o estilo de chicago e o mais contemporâneo que é o west coast ,vocês tocam um estilo mais linha Chicago porém muito mais vintage ,por isso raro de se ver ,já houve algum comentário de bandas gringas sobre voces e essa personalidade sonora anos 40?
Headcutters – Sim!!!!! Po ficamos muito contentes com isso....vários caras lá de fora fizeram comentários fantásticos sobre nosso som, inclusive caras que somos fãs!!!....rolando convites pra tocarmos fora e tudo mais....e o que mais nos deixou contentes é o convite da Pacific Blues Records pra fazermos parte do casting de artistas deles pra distribuição do nosso disco nos EUA!!!
Nino-Já houve propostas para tocar fora do país?
Headcutters – Sim!!! Vários.....mas infelizmente não tivemos ainda como ir.....$$$ mas não faltará oportunidade, as portas estão abertas!
Nino- Agora vamos tentar ver voces vivendo nesse equilibrio entre a vida fora da banda e como banda .
Existe apoio e interesse de gravadoras e empresários ao som da The Headcutters no Brasil ,ou o lance é mesmo matar no peito ,mesmo que existam festivais e casas voltadas ao gênero ,mesmo que ainda poucos ,voces percebem que esse interesse poderia ser maior e que isso ajudaria muita mais o Headcutters e o Blues em geral ou a banda ainda tem de se virar em seus trampos para manterem-se na ativa ?
Headcutters- Nossa cara!!! Temos que nos virar muito....tudo isso acontece com a gente, coisas legais e tals....mas temos sempre que nos virar pra máquina girar...é matar no peito mesmo....é foda bicho!!! Mas assim é que vamos...novos tempos....internet cd pirata e tals...mas uma coisa é certa o Blues nunca vai morrer!!!!
Nino-Falando em bandas nacionais ,tirando os medalhões,o que vocês consideram mais legal de bandas de blues rolando no país?
Headcutters – Alle Ravanelo, Tiffany Harp, Delones Blues e muitos muitos outros!!!!!
Nino-E os medalhões?
Headcutters – Cara! Várias!!!! Nossos grandes amigos e parceiros Igor Prado e Flavio Guimarães (Blues Etílicos)
Nino-Sabemos que a banda dividiu o palco com grandes nomes do gênero vindos lá de fora qual deles foram emocionantes de conhecer ?
Headcutters – Putzzzz pergunta difícil....podemos dizer que todos foram muito foda!! Mas o Eddie C. Campbell foi com certeza o que mais nos demos bem e foi muito legal conosco....chegando a mandar uma guitarra de Chicago por correio por Maca “a gift” from Chicago””” (risos)
Nino-Nos vários shows feitos pela banda, em algum deles aconteceu algum incidente estranho ,visto que o blues é cercado de lendas misteriosas já contadas por muitos artistas , já rolou algo com a The Headcutters?
Headcutters – Cara....até agora não!! Somente calotes mesmo!!!! (risos)
Nino-O que vocês tem a dizer e como surgiu essa idéia de gravar o novo álbum em um museu de Itajaí resgatando os moldes das gravações vintages ,o que podemos esperar de um projeto tão ousado e original ?
Headcutters – A idéia era antiga!!! Gravações em rolo de fita....chão de madeira...pé direito alto e equipos vintage vão levar a todos que ouvirem nosso som numa viagem “back to 50’ “
Nino-Se pagássemos alguém que não conhecesse nada de blues que álbuns vocês citariam para que essa pessoa absorvesse o estilo de forma que a encantasse ?
Headcutters – Muddy Waters Colletion e Little Walter Essencial!!!
Nino-Se a banda pudesse voltar no tempo e dividir o palco com um só artista que fera seria essa?
Headcutters – Ahhh com certeza o grande mestre Muddy Waters hehehehe
Decifrar a mente do idealizador da banda de rock progressiva (porém antenada nos dias de hoje) Skyfox 8 ,o musico Porto Alegrense Renato Jardim é como encontrar a chave de um portal para outra dimensão de pensamento. Renato é enigmatico ,ao mesmo tempo em que fala abertamente de sua longa historia com o rock cita paralelamente experiencias com sombras e trevas ,o bem e o mal em sí mesmo,tudo isso injetado em toda sua trajetória musical ,há um lado oculto que permeia suas palavras e dão margem a uma ideologia intrigante em sua obra . Nessa entrevista , estando diante dele, me causou a sensação de estar frente e frente com uma figura tão restrita e extremamente preocupada com a profundidade de sua obra artística como Peter gabriel , referencia explicita em sua personalidade musical. Renato já anda por ae,há mais de duas décadas e jamais abriu concessões em sua obra,o que o torna legitimo, pessoalmente é alguém que admiro muito desde que lançou-se na estrada com uma das bandas que mais fez minha cabeça nos anos 80,a banda Sodoma ,que deixou registrada apenas uma canção na hoje raríssima coletanea “Porto Alegra rock” ,uma Sabbazeira pura e legitima feita muito antes de qualquer banda stoner chegar ao Brasil ,ele também é reconhecido em trabalhos tributos cultuadissimos na região sul como a Moby Dick(Led Zeppelin)onde atua como vocal e na extinta e inacreditável reprodução da fase 70 do Black Sabbath chamada Sabra Cadabra ,onde atuava como baixista ,mas chega de introdução e vamos logo ao bate paposegue :
Nino- Conheci teu trabalho em 1986 ,atraves da coletânea “Porto Alegre Rock” ,na época você fazia parte de uma banda chamada Sodoma e a canção “Buscando a eternidade” era algo que para mim ,na época com 17 anos abalou minha cabeça ,porque acho que foi a primeira banda a existir no sul que tinha uma veia de Black Sabbath fortíssima, talvez tu nunca vá lembrar mas uma vez cheguei a assistir um ensaio de furão e sai do local enlouquecido ,o que tu lembra daqueles áureos tempos e porque a banda não durou tanto?
Renato- Eu lembro daquela época como o começo da "ancoragem" do artísta em mim, o começo do meu trabalho autoral que me permitiu expressar tudo pelo qual nós todos vinhamos passando naqueles anos malucos pós 70... A banda não durou tanto eu acho que pela intensidade que tudo aquilo representava pra nós, na época com +- 20 anos, ainda aprendendo a conhecer os limites do ego,a vida em grupo...
Nino -O fim do Sodoma foi um baque para mim,vocês chegaram a tentar gravar um disco ,o que seria pelo menos um registro mais completo para ficar na historia daqueles bons tempos do rock local?
Renato- Sim...esse era o plano...mas se tu imaginasse como estava a nossa cabeça naqueles tempos... Eu estava absorvendo muita informação em pouco tempo...querendo processar tudo e tranformar em arte ...na maior ansiedade e sem a devida maturidade... Acho que a sua maneira todos os outros membros estavam passando por isso também. Falando um pouco do nosso processo criativo, nós eramos muito ligados como amigos, contruimos a idéia e o conceito do grupo Sodoma através da adolescência, eramos extremamente exclusivistas ,passavamos a maior parte do tempo juntos enfurnados em nosso recem adquirido estúdio de ensaio, o q na época era um luxo total. Ficamos aproximadamente 3 anos ensaiando todas as noite, eu disse todas as noites, kkk...e só conseguimos sair de lá quando alguem de fora, o Fernando Boher, na época caça talentos da gravadora Pialo, literalmente nos arrancou de lá e nos jogou no estudio de gravação...
Nino - Cara,se eu te propusesse regravar “Buscando a eternidade” hoje,tu faria?
Renato- Nossa...por essa eu não esperava!..kkk....sinceramente não sei Nino, mas confesso q adoro um desafio desse tipo...vamos ver...quem sabe...
Nino -Guitarista a la Tonny iommy eu sei que tu ja tem,heheh
Renato- É verdade...kkk... se tu parares pra escutar com calma o trabalho do SKYFOX8, verás q tem muito de Sabbath e Ozzy implícito na minha forma de cantar e em parte dos arranjos...é uma eterna influência, mas não a única..
Nino -Levando em conta que já na época do sodoma era perceptível teu talento ,isso me levar a crer que a musica começou bem cedo para você ,como foi teu primeiro contato com o rock e quais artistas ou discos te fizeram encarar de peito e definitivamente a vida como musico?
Renato- Puxa vida...vamos testar minha memória..
Nino-É não vai ser facil a extração do ouro...
Renato - Eu me lembro de tudo começar com a tomada de consciência, eu criancinha, dizendo pra mim mesmo: Onde raios eu vim parar dessa vez??? kkk... Aí lembro da música e de todo aquele movimento explosivo do começo dos anos 70 entrando por todos os meus canais de percepção... Literalmente...aí eu soube desde então, que seria músico ou artísta, anyway... Escutava muito rádio, não esquecendo que na época os hits do rádio passavam por Led Zep, Elton John (na fase áurea) Genesis, Yes, ELP, e até mesmo Sabbath com Changes no mínimo, lembro de estar com 9 aninhos e totalmente enlouquecido com o Elton John...então um belo dia, ou melhor, era uma noite de sábado, fui presenteado com o maravilhoso "Goodbye Yellow Brick Road" do Elton, esse foi realmente o começo de tudo...nesse disco estava contido o embrião de todo o resto...do Sabbbath ao Genesis e Yes, passando por todo o necessário swing do soul music...
Nino -Na época do final dos anos 80 ,o cenário gaúcho fervilhava,fervilhava pelo menos de boas intenções por parte de gravadoras,lançando coletâneas,existia o apoio da radio Ipanema,na época uma conexão forte do rock com a gurizada,existia o “central rock” e a força que foi bastante significatica do ricardo barão e aquele seu programa noturno,mas na real,para a vida das bandas isso facilitava as coisas ,ou naquele momento a fase ainda era embrionária ,do tipo em que o rock ainda estava sendo cobaia de experiementação para que os contratantes apostassem mesmo nele ou não, algo que algum tempo mais tarde acabou sendo um dos maiores negócios para ambos os lados,era difícil Renato?
Renato- Cara, eu acho q na verdade, falando do meu processo, nós é que eramos difíceis no sentido em que não nos adaptavamos a leitura "local" de todas essas influências...
Nino-Otima ponto de vista ,cara...
Renato- Como vivíamos em nosso próprio mundo, nosso clubinho fechado e psicodélico, tentavamos de todas as formas repassar o que vivíamos sem filtros que dessem uma conotação "bairrista" pro nosso trabalho. Talvez isso soasse um pouco distante demais aos ouvidos e olhos dos produtores que buscavam algo mais facilmente digerível para o público daqui. O quadro ficou ainda mais complicado pra mim... com o passar dos anos, quando decidi que cantar art rock em portugues estava soando como algo hibrido e totalmente aquém do que eu gostava de ouvir... Eu estava me sentindo um completo "loser". comprende? Pois minhas pretenções eram gringas, mas eu parecia o Ed Motta enrolando e esmagando o português dentro de um formato melódico que definitivamente não nasceu pra essa lingua...
Nino- Depois do fim do Sodoma ,teu direcionamento musical mudou do tipo,e agora qual a próxima parada nesse trem?
Renato- Pois então...todos sabem qual foi o final bíblico da "Sodoma", eu acho, kkk...eu diria que por mais q eu lutasse pra reverter o destino trágico do conceito, nós acabamos sendo "queimados" por ele também, kkk... Meditando sobre tudo isso eu fui chegando a conclusão que o que me atraía nesse conceito, por vezes sombrio do rock, era justamente o drama onde luz & escuridão agem como personagens num teatro, o teatro da vida, compreende?
Nino- Como numa grande obra real entre bem e o mal?
Renato- Sim, exatamente...
Renato - Acho que na verdade o "bem" e o "mal" como "conceito" nasceu das religiôes, que por sua vez nascerão da relação do homem com o Espírito, ,mas se pararmos pra pensar e sentir veremos que todas as escrituras, por mais inspiradas que tenham sido, foram escritas por nós, homens de carne e osso.... Conclusão: talvez isso que chamamos "Deus" ou "Espirito" ou "Diabo" ou "Trevas", sejam aspectos de nós mesmos que residem do outro lado do "véu", compreende? Algo que nos enche de medo ou reverencia. Mas que não é nada mais do que nós mesmos no mundo .
Renato- Assim, eu finalmente compreendi que devia transferir todo o drama que vivia na minha vida pessoal e principalmente com o "outro" lado , para a arte, e mante-lo unicamente lá se possível... Foi quando descobri o Genesis dos primeiros tempos....
Durante os anos 90 ,quais foram os projetos mais significativos no teu caminho?
Renato- Como eu estava oscilando ainda na velha balança dos extremos de luz & escuridão, no início dos anos 90 eu havia decidido experimentar o "extremo" oposto ao que vinha experimentando até então que era a "escuridão", kkk Esse mergulho no lado mais "luminoso" de mim mesmo levou-me a fundar o grupo de art rock chamado GRANDBELL, que fez sua estréia no extinto teatro Porto de Elis com o show intitulado: "Abrindo o Coração para a Vitória Cósmica", kkk... ou seja como um sobrevivente da "Sodoma" Eu queria mais era o refresco do "grande sino solar" do Gautama Buda, tá me entendendo? Curiosamente essa primeira gig do Grandbell nos trouxe um contrato de um disco com a gravadora PRW de SãoPaulo...
Nino- Deixar a luz entrar tem suas vantagens também...
Renato- Isso me fez pensar q eu estava no caminho certo...kkk....mas não por muito tempo.
Nino-Percebo que na tua ideologia o poder da musicalidade vem em primeiro lugar sempre tipo como se tua meta não focasse em atingir algo voltado a agradar as massas ,mas sim os bons conhecedores e admiradores da musica “muito bem trabalhada e detalhista” ,isso complica as coisas pelo lado da sobrevivência ,ou o prazer de conceber esse padrão de musicalidade supera as dificuldades que essa opção escolhida te trás?
Renato- Sim, bem colocado Nino....na verdade, digo isso engolindo em seco, sim...na verdade supera de longe a frustração q a falta de grana trás... se fosse o contrário eu já teria me rendido aos convites para fazer "jingles" a muito tempo....
Nino- Acho q todas pessoas como você ,no fundo estão buscando a eternidade e não a morte Renato - Hehehe...deu pra perceber???
Renato- Já estou cansado de morrer....já brinquei nessa roda gigante das encarnações o suficiente...já tô meio "enjoado"...kkk.... Metaforicamente falando...kkk... descobri que o grande barato da vida é "lembrar" quem "realmente" somos, e perceber que jogamos um "jogo" que se chama: "integração das polaridades"... luz & trevas, masculino & feminino, noite & dia, tudo aspectos do mesmo ser cósmico o qual refletimos enquanto humanos...
Nino -Hoje a Skyfox 8 é teu principal foco ,fale um pouco sobre essa idéia , por que é algo que ao meu ver consegue ser tão ousado quanto o próprio som no conceito total do projeto que parece ser a essencia de toda tua busca.
Renato- Então, falando de "integração de polaridades" nasceu o SKYFOX8, tu percebeu muito bem, é exatamente a coroação dessa trajetória que descrevi anteriormente... Acredito que finalmente cheguei a um equilíbrio conceitual e estético da minha arte, onde nem trevas nem luz são negligenciadas,isso torna, a meu ver, a música do grupo mais madura e interessante...
Nino- Levando em conta o profissionalismo e canções cantadas em inglês ,já rolaram contatos legais no exterior? (se rolaram o que impediram ainda de acontecer na real)
Renato - Sim...lentamente, mas com solidez, estamos expandindo o trabalho via web, para o exterior, atualmente estou em contato com o Michel St Pere, um canadense guitarrista do Grupo de art rock "Mystery"... o vocal desse grupo foi convidado pra excursionar na última turnê de nínguém menos que o YES! Substituindo o Anderson q não estava bem de saúde, é mole? Estamos trocando figurinhas, vamos vêr no que vai dar... Mas o legal é q nestes tempos digitais se pode ter muita autonomia de produção em todos os níveis, gastando o mínimo, se fizermos as parcerias certas...tu bem sabes... estamos com um myspace q esta sendo incrementado a medida q se pode, (Http://www.myspace.com/skyfox8) e nesse ano já estamos com um Ep e alguns clipes bem interessantes... Temos mantido uma frequência saudável de gigs pelo estado, acho q estamos indo bem...
Nino- Bom pessoal,agora é só vocês darem uma conferida no trabalho desta excelente banda ,que mais parece uma banda vinda lá de fora