segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CRACKER BLUES -ENTRE O MEXICO E O INFERNO




A banda paulistana Cracker Blues nasceu da paixão pelo rock sulista americano e pelas raízes do blues e os mestres do blues rock ,passaram um longo período executando clássicos eternizados pelo passado até que as composições próprias foram vindo a tona ao longo do caminho ,a qualidade é indiscutível nas canções do primeiro álbum recém lançado e batizado “Entre o México e o inferno” ,melodias arrasadoras , letras inspiradíssimas e autenticas de quem vive das ruas nas noites entre bares enfumaçados e etílicos caindo pelas madrugadas em busca de mais daquilo que os alimenta,a diversão dos grandes boêmios como um dia foi Adoniram Barbosa entre os cantos escuros da capital paulista em sambas que muito bem poderiam ser grandes clássicos do rock como o Cracker hoje faz, grandes pérolas que narram contos verídicos ,que relatam perdições e preces embaladas a um rock’n’roll de grande estilo ,levei um papo com o vocal ,gente finíssima e agora grande brother Paulo Coruja ,o show de lançamento oficial do álbum rola ainda esse mês ,mais informações dentro de alguns dias aqui no blog ,vamos lá grande Paulo,vamos pedir logo essa cerveja gelada e dar inicio ao nosso bate papo.



Nino-Finalmente depois de quase 10 anos de estrada a Cracker Blues chega a seu primeiro disco ,um momento muito especial para banda ,como vocês estão se sentindo com a chegada deste primeiro filho ?
Paulo Coruja -Rapaz, deu muito trabalho e custou muito sangue, além de várias mudanças na formação durante a longa estrada, mas estamos muito felizes...o disco ficou melhor do que a gente esperava, e passa bem tudo o que a gente queria dizer, o estilo de vida Cracker Blues.

Nino- a banda existe desde 2000 ,começaram como uma banda cover de clássicos de blues ,blues rock e southern rock altamente respeitada , como foi a transição dessa fase para um trabalho autoral?
Nós começamos despretensiosamente, só pra tocar as músicas das quais gostávamos...aí foram aparecendo oportunidades pra shows, e fomos seguindo. Em determinado momento, começamos a fazer versões das músicas que tocávamos diferentes das originais, a dando uma cara própria pra alguns materiais. Aí, quando vimos que tínhamos uma identidade, um estilo de som característico, resolvemos investir, e fazer músicas próprias. Quando vimos que o negócio fluía, gravamos.
Nino- Entre o México e o inferno traz um caldeirão de influencias marcantes,quais as bandas que ao ver de vocês estão mais impregnadas na essência do álbum?
Tem muitas, mas vamos lá: Allman Brothers, ZZ Top, Lynyrd Skynyrd, Blackfoot (esse nós só percebemos depois, hehehe), Robert Johnson, Gov’t Mule, Son House, Eric Sardinas, John Lee Hooker...
Nino- As letras são um show a parte, de onde vocês tiram essa inspiração tão original , como funcionou esse trabalho de composição no disco?
A banda toda tem histórias pra contar, e também ouvimos muita coisa de amigos na noite...muitas coisas das quais falamos realmente aconteceram, então foi só transformar isso uma maneira que pudesse integrar o arranjo. Pesquisei muito Tom Waits, e letras de sambistas brasileiros da antiga, como Noel Rosa e Riachão. Aí, eu mesmo escrevi as letras, sempre com as sugestões dos demais membros da banda, como a Larissa e o Marceleza, e com as frases que captávamos por aí nos botecos...

Nino – E quanto a produção do Edu Gomes ,essa figuraça altamente talentosa da musica nacional ,falem um pouco para a gente sobre essa parceria?
O Edu tinha participado de um projeto nosso, o “Cracker Blues Convida”, aí, nos conhecemos melhor, e o convidamos pra fazer a produção do disco, área na qual não tínhamos experiência. O homem entendeu perfeitamente o que a gente queria, e ajudou a organizar nossa idéias de uma forma coesa, pra dar unidade ao trabalho, sem perder as características da banda nos shows. Chegávamos com um arranjo pronto, aí ele ajudava a podar alguns excessos, e acrescentar passagens pra enriquecer, além de trabalhar os timbres com precisão. É um grande talento, e esperamos contar com ele nos próximos!

Nino- Tocando no assunto das bandas de rock no Brasil atualmente como vocês encaram o fato de sobreviver com a musica em um mercado que se fechou bastante de uns tempos para cá ,principalmente levando em consideração o fato de agora terem um trabalho próprio?
O trabalho próprio te traz um respeito diferente no meio, é como uma identidade, que te credencia a vôos mais altos. Passam a saber o que você tem a dizer. A internet facilitou a divulgação das bandas, hoje qualquer um pode ouvir seu trabalho, mas também dispersou bastante o público. As gravadoras que ainda tem cacife pra lançar bandas estão concentradas em mainstream, as independentes não conseguem se segurar bem, então agora a própria banda tem de correr atrás, e oferecer um diferencial pro público. Não basta fazer música boa, agora temos de ter uma atitude, e saber levar essa atitude ao público, em todas as formas possíveis. O cara deve se identificar com o estilo da banda, mais do que curtir o som, deve ser parte da tua família...é assim que nós sobrevivemos na selva, contando com nossa família Cracker Blues, e caçando as oportunidades....aliás, obrigado por esta oportunidade!!!.

Nino- São Paulo tem gerado muitas boas bandas de rock resgatando fortemente essa veia rock’n’roll vibrante ,tirando bandas como a Tomada e a Baranga que já estão se sobressaindo na mídia e inclusive já dividiram o palco com voces, quais bandas vocês podem citar como nomes fortes dessa nova cena paulista?
Cara, tem muita coisa boa, só que tudo anda meio fechado, sempre o mesmo palco, nos mesmos lugares...posso citar, com trabalho próprio, além destas o Carro Bomba, Pedra, Daniel Kid e os Rockers, muita coisa! Apesar de não ser paulistana, cito o Bando do Velho Jack, do Mato Grosso do Sul, uma de minhas bandas favoritas, junto das anteriores! Um dos meus sonhos é rolar um festival de verdade, grande e bem feito, pra botar esses caras todos no mesmo palco e fazer o barulho que eles merecem.
Nino- Voces falam em influencias de citações da noite paulistana nas composições do disco ,falem-nos um pouco sobre isso?
Quando você convive com a noite paulistana (fora dos lugares da moda, claro), você ouve histórias e convive com figuras lendárias...além, é claro, de vivenciar situações que não são exatamente normais. Sim, numa letra falamos do gerente de uma casa, digamos, de “relaxamento muscular masculino”(citação do Marceleza), e realmente um familiar próximo meu foi gerente de uma. O whisky Made In Asunción, o bom dia do saco de pão, todos nós passamos por isto....o amigo que tatuou o nome da namorada (alguns tatuaram o rosto delas), e as piadas que surgiram disto, a ressaca de segunda. Falamos da realidade que nos cerca, e quem ouve a Cracker compartilha do que falamos, hehe!

Nino- Quais os planos da banda a partir do show oficial de lançamento do disco , que pelo jeito vai ser uma grande celebração...
Esperemos que seja um grande show, e que a família Cracker envergue com orgulho seus chapéus e botas, afinal de contas vamos invadir o Bourbon Street !
Estamos trabalhando no nosso clipe de Velha Tatuagem, que deve sair depois do carnaval, e pretendemos tocar até sangrar os dedos, além de compor mais, pra já preparar o segundo disco!

Nino- Vocês sempre se dedicaram exclusivamente a Cracker ou durante essa década de estrada também participaram de outros projetos?
Antes da Cracker, todos tivemos muitos...agora, às vezes participamos de outros projetos como instrumentistas, por exemplo, o Marceleza faz guitarra em alguns, eu gravo algumas gaitas pra outros. O Gaucho tem outra banda, a Garagem Hermética, excelente, por sinal, que está voltando à ativa. A Larissa eventualmente participa de outras como convidada, e assim seguimos. A Cracker toma bastante tempo.

Nino- Quais discos para o pessoal da Cracker blues são obras sagradas que a geração de agora não deveria deixar de ouvir ?
Meu rapaz....essa pega! Tudo do Allman, do Hendrix, do ZZ Top, do Lynyrd, do Stevie Ray Vaughan, do Robert Johnson, do Gov’t Mule...tá....pensando em álbuns: Allman: At Fillmore East, Lynyrd: Pronounced 'lêh-'nêrd 'skin-'nérd, Robert Johnson : Complete Recordings, ZZ Top: Tres Hombres, Eric Sardinas: Treat Me Right, Dave Hole: Whole Lotta Blues, Johnny Winter: Second Winter, Scott Henderson: Dog Party, Stevie Ray Vaughan: Live at El Mocambo, Willie Dixon: Boss of the Chicago Blues, George Thorogood: Anthology, Hound Dog Taylor: Release the Hound, The John Butler Trio: Grand National, John Mooney: Dealing With The Devil, Koko Taylor: Koko Taylor e Friends, Motörhead: March or Die, Casa das Máquinas: Casa do Rock, Tutti Frutti: Fruto Proibido, tem um monte…

Nino- Na Markadiabo a gente tem uma caracteristica um tanto antropólogica de colocar na roda bandas q não atingiram o devido reconhecimento mas que consideramos pérolas sonoras quais bandas que não atingiram o mainstream vocês consideram mais legais ?
Acho que o Eric Sardinas tem bastante a dizer, na linha Johnny Winter. O Gov’t Mule não tem o reconhecimento que merece, é uma das maiores bandas do nosso tempo...tem o North Mississipi All Stars, o Delta Moon, The Blasters, Molly Hatchet, Blackfoot...
Nino- Ainda vai rolar algum cover nos shows ?
Sim, ainda fazemos alguns. Pensamos no Gov’t Mule: quando eles fazem covers, e eles fazem bastante, sempre soa Gov’t Mule...é isso o que queremos fazer, covers com cara Cracker Blues.

Nino- Qual musica mais rolava um feed back ,um frenesi quando ainda eram uma banda tocando clássicos das antigas?
O pessoal gostava da Voodoo Chile (Hendrix), da My Head is in Mississipi (ZZ Top), da Minha Vida é o Rock’n Roll (Made in Brazil), da Midnight Rider (Allman Brothers) mas agora os hits são as próprias.

Nino- E no trabalho atual,quais musicas mais tem despertado a euforia do publico ou das pessoas que já tem acesso ao disco?
Velha Tatuagem, com certeza a mais “cantada” pelo público, Whisky Cabrón (a mais porrada), Blues do Inimigo (a preferida de muitos no disco, depois da Velha) e Bolero Maldito (o country sanguinário, hehehe).

Nino- Se a banda pudesse voltar no tempo e ser escalada pra participar de um festival com cinco bandas ,quais seriam as outras quatro?
C..., essa é perigosa. ZZ Top, com certeza, Allman Brothers, Lynyrd Skynyrd, Blackfoot e Charlie Daniels Band. Mas eu só assistiria, hehehe...essa é a minha preferência, os demais Crackers podem ter outras.

Nino- Quais bandas de blues no Brasil vocês consideram mais relevantes ?
De blues, acho que o Blues Etílicos, o Celso Blues Boy, o André Christovan, o Irmandade do Blues, Blue Jeans e Big Alambik. Essas são as que tem mais história. Mas tem muita coisa boa, além delas...e bandas que não são de blues, mas tiveram relevância em algumas músicas no estilo, como o Cazuza.

Nino- Como é viver a banda de maneira independente no Brasil ,o cara consegue sobreviver só com seu próprio trabalho como musico,como é o dia a dia de voces?
A Cracker se paga sem problemas, mas ainda não podemos depender apenas dela para viver, esperemos isso pra breve. Trabalhamos com outras coisas, também, e ensaiamos semanalmente, fora os shows.

A Cracker Blues agradece muito ao Nino e à Marka Diabo pela oportunidade , pela força que eles dão às bandas nacionais, e pelo estilo das camisetas, que achamos do c...!! Convidamos todos aos nossos shows, e quando estiverem lá, usem com orgulho seus chapéus, botas e camisetas Marka Diabo, que eles são dos poucos que vivenciam o Rock’n Roll nessa selva!!!
Grande abraço!!

MAQUINARIA FESTIVAL- 7 DE NOVEMBRO 2009-SÃO PAULO










Ampliando nossos tentáculos em ambito nacional eis que surgem nossos mais novos parceiros jornalísticos, a dupla dinâmica , hoje paulistas residentes , Renato Ribeiro Neto e Roberta Naviliat (mais conhecidos intimamente como Renatinho e Beta ,as cabeças pensantes da excelente banda stoner Staut).
O primeiro desafio foi cobrir para a gente a estréia do Festival Maquinaria que rolou em Sampa , já que o segundo dia não faria tanto nossa cabeça com exceção da escalação fora de órbita do grande Danko Jones em meio ao Panic at the Disco e o Evanescence ,minhas desculpas aos milhares de fans das duas bandas, mas o Danko era ao meu ver só o que nos interessaria, gosto é gosto.
Bom, mas sem mais delongas vamos a narrativa relembrada com emoção pelas mãos e mente da grande Beta e tudo começa em um...


Dia Feliz!!!

Sabe aquele dia que você acorda e diz “É hoje...”, pois é, era o dia do Máquinaria Festival 2009. Nação Zumbi, Sepultura, Deftones, Jane’s Addiction e Faith No More, ta bom ou quer mais?
Um dia antes, já sofríamos a ansiedade de chegar logo, de como seria, será que iria dar tudo certo com nossos ingressos?
Tinhamos descolado as entradas por meios diferentes para a área vip, com uma provável promessa de acesso aos bastidores , roer as unhas era pouco ,elas simplesmente desapareceram de nossos dedos...
Bom, saímos as 10:30 da manhã de casa (Suzano – SP), para estarmos na Galeria do Rock ao meio dia pegando nosso parceirão Toninho (presidente do fã clube do Sepultura) e sairmos em busca do dia perfeito no meio de um engarrafamento no centro de São Paulo em um de táxi, então pegamos o corredor dos ônibus e em meia hora estávamos desembarcando na ENTRADA VIP do Maquinaria.
Ligação vai, ligação vem, brilhou os ingressinhos, graças aos mais desejados contatos do festival que só nosso mano Toninho pode conseguir.
Beleza, fones salvos no nosso celular, todos aqueles contatos que não teríamos jamais a cara dura de ligar, nem pra ouvir atender e desligar seguimos felizes da vida, com entrada Vip de Convidados, adentrando na tão falada “Chácara do Jockey”.
Primeira coisa a se fazer quando passamos pela segurança, abrir a mochila e deixar babando quem estava de fora pelas camisetas da Marka Diabo, fornecidas pelo nosso brother, Nino Lee, para presentear o Sepultura em grande estilo, depois de alguma demora entre não amassar demais as camisetas e nossas coisas, ainda achamos um espacinho na muchi para a bandeira de três metros do Sepultura (amiga inseparável do Toninho) que não poderia faltar no show!!!!
O Nação já estava tocando, começaram as 15:00hs, mas não deu tempo de assistir, já era a última música quando entramos e era longe pra chegar, deveria ser umas 16:00hs quando entramos, um calor de nem sei quantos graus e a vontade de dar um mix foi maior do que qualquer coisa, porque por mais que voce diga que vai deixar pra mais tarde a canha, quando passa aquele carinha da “Cerveja geladinha” , acabou promessa de se segurar, é que nem macaco correndo atrás da banana. Foda, e a barriga cada vez aumenta mais...
Todo mundo falando super bem do show do Nação, chegamos até o banheiro (graças a Deus) e no intervalo de cada banda, na pista, tinha um palco alternativo com bandas locais, bem legal, e por isso pensávamos que iria demorar um pouquinho pro Sepultura entrar, que nada, só deu tempo mesmo foi de pegar uma gelada e correr pro nosso posto, ÁREA VIP =>.
Sepultura tocando e chegamos com a bandeira em punho, HHHAAAAA, foi massa demais, Sepultura sempre da um show de tudo, até da simpatia do “Alemão” (forma carinhosa do Toninho chamar seu cumpadi Andréas Kisser) em agradecer a presença de todos e em especial “Toninho e os verdadeiros fanáticos por Sepultura”, que honra Hein?
Ao nosso lado, os três filhos do Igor Cavalera no maior estilinho Max e Igor crianças, lindos e Rockeiros por Natureza, só vendo.
Destaques para músicas do cd novo A-LEX, como “What i Do!” e “Moloko Mesto” (baseadas na obra de Stanley Kubrik, o eterno Laranja mecânica), entre outra clássicas que levanta qualquer defunto, o show foi bom demais.
Sem mais delongas, fim do Sepultura e o palco estava sendo organizado para entrada da tão esperada DEFTONES (banda que somos fieis de carteirinha).
Com uma tentativa frustrada de entrar no camarim, mesmo com o Toninho, pois os grandes Sepultura eram convidados do festival e não faziam parte da organização, não conseguimos entrar pelo portão altamente disputado e fiscalizado, aguardamos ao próximo show!
Havia uma leve frustração no ar que foi superada com alguns goles de ceva gelada, ao som de mais uma banda no palco alternativo, o sol queimando, quando por uma fração de segundos nos soa aos ouvidos aquele timbre poderoso seguido de uma microfonia ensurdecedora estourando com batera e baixo ,diante de nós o DEFTONES.
Nossa!!! Não estávamos acreditando, eram eles mesmos, com todo o peso que poderia ter.
Tinham um repertório com 30 músicas que variavam entre todos os discos, mas nem sei se tocaram todas, ficamos bem pertinho do palco, na frente do Stephen Carpenter (Guitarra), sacamos na mesma hora uma camiseta da mochila, pensávamos em atirar pra eles, mas estávamos receosos, pois não poderíamos falhar, então optamos pela camiseta da STAUT mesmo e nada mais justo que depois todos os covers que já fizemos de Deftones, pelo menos nesse dia, seria o mais perto deles que poderíamos chegar.
Com a camiseta na mão, chamamos a atenção do Chino Moreno que com um arremesso certeiro, ele apara a Marka Diabo Stautica e coloca em um dos cantos do palco, daí fomos ao delírio, e fica a pergunta que não quer calar “Por onde será que anda a Marka Stautica”?
Ápice do show foi com certeza “Hexagram” levando fãs presentes ao delírio, também com Feiticeira e Changes, entre todas as outras , Head up, 7 Words... e o poeirão que subia a cada roda punk , era lindo de se ver.
Bom, infelizmente eles se despedem da galera, um público estimado em 30 mil pessoas, que acho que foi mesmo, todo mundo faminto e teríamos uma pausa pra levantar as perninhas de rockeiras sedentárias e descansar na área vip, que tinha até rede pra galera curtir o melhor visu possível.
Entre todas as surpresas belíssimas que o lugar nos proporcionou, o destaque foi para infra estrutura do local, tudo que se pode esperar de um festival bem sucedido estava ali, bom, espaço para isso é o que não falta lá.
Comemos pizza com cerveja, pra variar um pouco, a noite cai e começa o show do Jane’s Addiction, bem legal, apesar de não sermos muito fã da banda eles arrebentaram, com um jogo visual incrível, Navarro (guitarra) com seu estilo clássico sem camisa, chapeuzinho e crivo e Perry Farrell (vocalista) com uma roupa de doer os olhos de tão cintilante, tirando todo o foco das dançarinas gueixas que também deram um show.
O show acabou e já estávamos na área vip onde conseguimos bater algumas fotos com o pessoal do CPM 22, gente finíssima o tal Badauí (vocalista), que conquistou o direito de levar uma camiseta da Marka e também Marinho (baixista)do ex Pavilhão 9, e esse sim ganhou com louvor duas camisetas da Marka gostando das mais indemonhadas, como disse ele! Hehehe.
Entre outras fotos com Vips presentes, ceva, pizza, amigos novos e a satisfação de estar ali com tanta gente massa, uma chuvinha passageira não pode deixar de aparecer, assustou o pessoal da produção que estavam organizando o palco para os mais esperados do dia, tendo que cobrir a aparelhagem, mas foi uma chuva de verão, logo passou e mesmo forte por alguns minutos, não conseguiu deixar o local em lama, foi pra refrescar mesmo. Tava muito quente.
O Faith No More subiu ao palco entre 22:00, 22:30, era por ai!!!
Mike Patton com uma roupa de pastor infernal e grarda-chuvas chega na frente do palco arriscando o português e muito carismático, mesmo com todos os palavrões que variaram de “Porra Caralho, Puta que pariu, Sacanagem, Que beleza”, que viraram coro em determinado momento, até engolir o microfone entre outras “cossitas mas” o show foi simplesmente demais, uma sensação de psicodelia e nostalgia era o que todos estavam sentindo, só as clássicas, as Best of...!!!! Show irreparável e recomendável a todos os que algum dia já se sentiram vocalistas de alguma coisa, aquilo é saber fazer um som afinado!! Destaque para os cabelos brancos do Mike Bordin (baterista) que nos faz pensar que não era sonho não, era a mais pura das realidades e o tempo passa.
E foi assim, que Faith No More encerrou a noite, com mais dois bis (ou três), galera ensandecida, festival que só acontece por aqui,Nessa ensandecida São Paulo.

sábado, 7 de novembro de 2009

STAUT JÁ, AGORA!!



Parar porque quando o lance é a musica no sangue?

A staut é du caralho,parou porque ,porque parou?
Eu só vou dizer uma coisa vocês estão onde precisam para que tenham o reconhecimento que merecem,os melhores estúdios,os melhores possíveis parceiros,os melhores bares ,a melhor oportunidade .
Não vou citar bandas que estão girando todos os festivais do pais dos quais creio que vocês estão um passo adiante,mas vou dizer ,vocês tem condições de vencer esse jogo de xadrez ,que enquanto aqui no sul era uma barra pesadissima.
Foda é ficar aqui falando isso sabendo o porque de estarem ae ao mesmo tempo tendo o papel de anunciar o poder de que são capazes de transformar um pensamento em melodia e chapar-se com o que sai nos auto falantes,
Eu sou louco mesmo quero vocês como banda e sei que isso é difícil de dizer porque sei que a mudança para São Paulo tem intenções de mudar a vida que levavam aqui no sul,mas tenho a certeza que o sangue ainda corre nas suas veias.
Eu,um simples qualquer ,que ainda tem um olho que enxerga digo ,detonem essa porra de novo!!!!!!!
E QUE MANCADA É ESSA DE NÃO ME MANDAR O SOM NOVO????

http://www.myspace.com/staut1

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ROBERTO SADOVSKI ,UM FIGURAÇA POP DE CINEMA NO SANGUE E NO AR QUE RESPIRA



Nada melhor para um blog que faz parte de uma grife que também lida com o cinema do que chamarmos alguém expert no assunto para um bom bate papo sobre esse planeta e esse cara para nós não podia ser outra pessoa que não fosse o editor chefe da revista Set, Roberto sadovski .
Radiante de volta a sua sala na Set, depois de uma reviravolta que fez com que toda a tradicional equipe da maior publicação de cinema do país fosse demitida em massa no inicio desse ano,inclusive ele , quando a revista acabou vendida a um jornal carioca , Roberto me contou um pouco de sua historia e sobretudo me mostrou o quanto ele é pop e respira o cinema como raramente se encontra alguem por ai.


Nino - Roberto, quando começou a paixão pelo cinema na sua vida?

Roberto - Inconscientemente, foi quando eu tinha cinco anos e vi Superman no cinema. Daí eu sempre acompanhei e gostei. Mas acho que, em 1987, eu comecei a prestar mais atenção em filmes. O click acho que foi depois de ver Coração Satânico (policial de Alan Parker, estrelado por Robert De Niro e Mickey Rourke). Aí fodeu (risos).

Nino - Você começou como jornalista em outras áreas. Como foi parar na crítica cinematográfica?

Roberto - Comecei em redação de geral mesmo. Cidades, política, economia, esportes, polícia, etc. No caderno de cultura do Diário de Natal, onde eu morava, já tinha gente escrevendo sobre cinema. Daí rolou um estresse com o editor e ele me pediu para escrever. E eu fui, claro.

Nino - E como foi essa transição entre o Diário de Natal para uma publicação de âmbito nacional, estabelecida em São Paulo?

Roberto - Em Natal não tem como trabalhar como jornalista. Só se for com política.
Eu sempre li a SET. Aí tirei férias e vim pra São Paulo meter a cara.

Nino - Porém, a SET já era grande no País, com uma equipe já formada. Como você descolou essa brecha?

Roberto - Ninguém me colocou lá dentro. Eu apareci lá e conversei com a editora-chefe, a Isabela Boscov. Ela leu meus textos, conversamos. As férias acabaram e eu voltei para Natal, onde à época estavam rodando um filme, For All (- O Trampolin da Vitória, de 1997). Eu acompanhei as filmagens e sugeri a pauta para a revista. Mandei, e, no dia seguinte, a Isabela me chamou para vir a São Paulo porque tinha uma vaga na SET. E eu vim.

Nino - E começou na SET como?

Roberto - Editor-assistente.

Nino - Como aconteceu de chegar ao comando da publicação?

Roberto - Levou tempo. De assistente passei a editor. A SET estava na editora Abril e ia para a Peixes. Mas a Isabela não queria sair de lá. Eu quase fiquei para atuar na Contigo. Mas arrisquei e fui com a revista para a nova casa. Lá, de editor passei a editor-chefe e, anos depois, tornei-me diretor. Hoje sou editor-chefe de novo.

Nino - Como é estar diante dos famosos da indústria cinematográfica?

Roberto - Nunca pensei neles como pessoas diferentes. Acho que jamais os coloquei nessa posição. Desde a primeira vez que viajei para uma cobertura fora do Brasil, em momento algum pensei assim. De perto, todo mundo é gente igual.

Nino - Quem você considera os seus entrevistados mais marcantes?

Roberto - Hmmm... George Lucas, por Star Wars... Todos os diretores que eu admirava e pude conversar: Cronenberg, David Fincher, Scorsese...

Nino - Pessoas que realmente possuem um nível de mentalidade acima do comum?

Roberto - Sim. Ideias parecidas com as minhas de como o cinema deve ser. O Guillermo del Toro é um barato, principalmente.

Nino - Existe “esnobismo” nesse meio, Roberto?

Roberto - Nunca. Nenhuma pessoa que eu conversei me esnobou. Tinha as “avoadas”, tipo a Paris Hilton. Mas pouco me interessava o que ela ia dizer. Não ia usar, anyway.

Nino - E quanto a essa nova geração engraçada de Hollywood, quem você considera ter mais talento e personalidade?

Roberto - Judd Apatow é mesmo muito bom. O Seth Rogen é bom. O Steve Carrell é bom...

Nino - Cara, quem são seus atores prediletos?

Roberto - Caralho, a lista é gigantesca. Vou ficar a noite inteira! (risos)

Nino - Que venha o primeiro da sua mente...

Roberto - Daniel Day-Lewis.

Nino - Essa entrevista é para um blog quase que especificamente rock. Qual o melhor filme que envolve esse gênero musical, na sua opinião?

Roberto - Hmmm... Spinal Tap. Mas tem outros.

Nino - Passa uma lista de três pra gente. Pensa aí.

Roberto - Música e cinema é uma combinação foda. Quase Famosos, Ainda Muito Loucos, The Wall...

Nino - Legal você citar o Ainda Muito Loucos. Eu o adoro, e sempre o vi como um filme esquecido, deixado de lado...

Roberto - Ainda Muito Loucos é espetacular. Eu falei pro Bill Nighy que era o melhor filme dele.

Nino - Mesmo hoje há diferença entre o cinema produzido em Hollywood e na Europa?

Roberto - Hoje, nenhuma. Cinema é cinema. As pessoas confundem cinema americano com cinema dos grandes estúdios. Mas existe uma produção independente bem diversa.

Nino - Mas quanto às diferenças entre blockbusters e o que sai fora desse nicho...

Roberto - A diferença é o tamanho do orçamento e as ferramentas. Não esqueça que a responsabilidade de fazer um filme caro é bem maior do que a de fazer um filme barato.
Se um estúdio despeja 200 milhões de dólares numa obra, com certeza quer retorno.

Nino – E o melhor filme já feito no Brasil, na sua opinião?

Roberto - Cidade de deus é o filme mais foda que a gente já fez

Nino - Qual seu super herói favorito nos quadrinhos melhor adaptado às telonas?

Roberto - Homem Aranha. Mas O Cavaleiro das Trevas é fodão.

Nino - Roberto, depois de anos na SET, rolou um rompimento brutal há pouco tempo. Isso deve ter sido uma barra para alguém tão conectado com a alma da publicação como você. Como aconteceu isso?

Roberto - Bom, a editora Peixes havia sido vendida para um empresário carioca. Em março (deste ano) ele achou por bem demitir todo mundo e passar a revista para a equipe do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. Foi uma imensa cagada. Eu fiquei péssimo, claro. Foram anos dedicados a um título ver jogado no lixo. Foi triste.

Nino - Mas, por outro lado, você conseguiu com muito esforço reverter essa situação e ter de novo a revista em suas mãos. Isso é algo que eu gostaria muito de saber como aconteceu, porque você deve ter passado noites insones pensando no que fazer, já que mantinha relação tão intrínseca com a SET há tanto tempo...

Roberto - Velho, eu pensei de todo jeito. Tinham me dado opções, de tentar levar para outra editora, arrendando-a da Peixes... Mas ninguém que eu falava queria negócio com o cara que era o dono. Quando vi a primeira edição do Rio, doeu mesmo. Ficou péssima. Amadora. Mas o mundo dá voltas.

Nino - E como recomeçar tudo novamente e sozinho?

Roberto - Nessas duas edições? Dureza. Não só por tocar a revista sozinho, mas também para arrumar a bagunça que deixaram.

Nino - Pelo menos, pelo que se viu, foi a volta do espirito tradicional da SET, que, por sinal, ficou excelente.

Roberto - A segunda tá melhor ainda. E a de dezembro vai ficar ainda mais foda.

Nino - E continua a SET de um homem só?

Roberto - Não, a partir de dezembro já terei mais gente na equipe. Só não posso dizer ainda quem é (risos).

Nino - Bom, uma pergunta foda de responder... Mas você tem um filme predileto?

Roberto - Putz, impossível. Tenho uns mil! (risos)

Nino - Eu sabia. Mas, falando um pouco de som, quais suas bandas favoritas?

Roberto - Caralho, é uma lista de mais mil. Eu adoro música.

Nino - Bom, pra mostrar que você é um cara eclético, uma banda de metal, então.

Roberto - Mastodon.

Nino - Excelente resposta!

Roberto - (Risos) Mastodon tá fazendo a trilha de Jonah Hex (HQ western da DC Comics que ganhará adaptação para o cinema em breve).

Nino - Uma trilha de filme com bandas que você acha impecável?

Roberto - Porra, Pulp Fiction.

Nino - Você chegou a trocar uma ideia com o Tarantino? Que tal o cara?

Roberto - Só no lobby do (hotel) Four Seasons. Uma vez (risos).

Nino - Hoje em dia a gente vê muitas revistas saindo de circulação. A internet atrapalhou um pouco o rumo das coisas, nesse ponto? Como você analisa a longevidade da SET durante todos esses anos?

Roberto - Cara, é meio inexplicável. A internet não nos atrapalhou tanto quanto a outras publicações, talvez porque a gente dê sempre material diferenciado. Mas é essencial ter suporte digital tanto quanto a revista.

Nino - Atualmente é preciso se desdobrar muito mais, não?

Roberto - Na verdade, é preciso ser criativo como sempre. Se o cara compra uma revista, ele quer muita informação e nada ralo demais.

Nino - Por que a seção de música foi tirada da publicação?

Roberto – Porque tenho planos de lançar uma revista voltada para o assunto


Nino - Se você pensa numa revista voltada à musica é porque com certeza ela terá um diferencial, o que significa que revistas com conteúdo mais legal está em falta nas bancas. Estou certo?

Roberto - Bem por aí... no estilo da SET.

Nino - Fico na torcida por isso também, porque só aquela página que existia na SET - principalmente pelo fato de não parecer ter ligação a grandes gravadoras nacionais - me mostrou muita coisa que não havia sido ainda lançado aqui. Isso é essencial...

Roberto - Sim, essa é uma das ideias.

Nino - E o mercado de novos jornalistas? Muita gente deve procurá-lo, certo? Como você avalia um cara novo pretenso candidato ao cast da SET?

Roberto - Muita gente procura. Mas tem de ser um cara pop e que respire cinema tanto quanto a gente. Isso é beeeeeeeeem raro.

Nino - Pra fechar, tem alguém que você queria muito entrevistar e ainda não o fez?

Roberto - Hmmmm... Ainda não falei com tanta gente, bicho... De Niro, Pacino, Spielberg...



blog do sadoviski - mtv.uol.com.br/kapow

domingo, 1 de novembro de 2009

THE HEADCUTTERS - O BLUES EM OUTRA DIMENSÃO



Dando continuide em minha busca pelas riquezas do rock feitas hoje em dia no Brasil fui parar em Itajaí ,Santa Catarina ,mais precisamente pra levar um papo com os caras da The Headcutters ,um quarteto de blues que consegue inacreditavelmente nos levar a uma outra dimensão musical, uma sensação semelhante a embarcar em uma maquina do tempo indo parar diretamente na essencia do estilo feito nas decadas de 40 e 50.
A banda é formada por Joe Marhofer na harmônica e vocal, Ricardo Maca na guitarra e vocal, Arthur “Catuto” Garcia no contra-baixo acústico e Leandro Cavera na bateria.
A historia aqui na real dispensa comentarios ,para voce ter uma ideia do que digo basta acessar o my space dos caras (http://www.myspace.com/headcutters ) e voce vai ter uma noção mais precisa do que digo e o porque deles estarem aqui ,neste espaço que nasceu para mostrar aqueles que levam a musica com " verdade " no coração e na alma e merecem muito mais reconhecimento .

Nino- Bom , para começar eu queria dizer que vocês me pegaram de cheio...como pesquisador do rock e toda sua historia eu jamais havia escutado uma banda com sonoridade que remetessse tanto aos velhos e lendários tempos deste riquíssimo cenário musical feito há decadas atras no blues de Chicago e nas proprias raízes profundas desta parte da historia e movimento cultural que um dia iriam parir o rock desde que as canções dos escravos tornaram-se o Blues ,qual o segredo para se chegar a um resultado tão devastador em termos de som?

Joe – Fala Nino!!!! Cara, antes de responder queria dizer muito obrigado pelo espaço e pela parceria com a Markadiabo!!!!!! Em relação a pergunta, cara, são anos de pesquisa e dedicação ao Blues...nao é fácil atingir esse timbre...mas o grande segredo é sempre buscar os mestres antigos Muddy Waters, Little Walter, Jimmy Rogers, Willie Dixon....enfim...tentar buscar a maneira ideal de captar a sonoridade e também os equipamentos que eles usavam na época...e o melhor de tudo é que ainda vamos melhorar nosso timbre no próximo Cd (risos).

Nino-Quais artistas vocês consideram as grandes almas do estilo que os influenciou?

Headcutters- Muddy Waters, Little Walter, Jimmy Rogers, Sonny Boy Williamsom II,Willie Dixon....e os grandes mestres dos Blues daquela época...mas com certeza esses aí citados são de longe a grande fonte da banda.

Nino- E na historia das harmônicas ,quem são os grandes mestres?

Joe- Little Walter, Sonny Boy I e II, Big Walter Horton, Sonny Terry. Esses caras são todos mestres da velha guarda blues que tocavam a gaita do jeito tradicional.

Nino- Ricardo,Você como guitarrista ,quem consideras os mestres do teu instrumento ,e digamos que fossemos dividir a pergunta em duas ,quem são os caras na linhas dos blueseiros de raiz e os caras mais atuais que marcaram ou seguem um estilo mais moderno ou surgido a partir dos anos 70 para cá ,qual a tua discoteca básica entre essas duas dimensões de uma mesma fonte ?

Ricardo – Somos meio “xiitas” no Blues (risos) é o jeito que o pessoal de São Paulo nos chama....tenho como inspiração e influencia total de Muddy Waters, Jimmy Rogers, Dave Mayers, Louis Mayers, Robert Nightwak, Robert Johnsom, Guitar Slim. Pra falar a verdade os anos 70 em diante já fogem do meu gosto particular...entao posso dizer que sou totalmente influenciado pelo Blues antigo....pois é lá que esta a fonte pra se beber! Seja vc rocker ou Bluesman....tá tudo lá!!!!

Nino-E o Arthur (bass) e o Leandro( batera) quem mais influencia no modo de tocar e compor de vocês?
Arthur- Willie Dixon (mestre) Big Crawford
Leandro – Fred Bellow, Odie Paine, Art Blakey, Papa Jo Jones, and many others!!!

Nino-Tendo em vista a participação e consagração de vocês no “Moinho estação blues festival” ,em Caxias no Rio Grande do sul e sabendo que em outros estados ,como no Ceará a cena de blues está favorecendo bastante o estilo ,vocês acham que essa tendência tende a se espalhar ,existe essa expectativa ,como nos festivais independentes de rock’n’roll ?

Headcutters – O blues está ganhando espaço sim, mas ainda achamos que falta um pouco pra melhorar (sempre) tem gente tocando blues no Brasil inteiro e no mundo inteiro...so falta talvez um pouco mais de paixão das pessoas pelo estilo...esperamos que melhore sempre...mas não é facil!!!

Nino-Lá fora os dois estilos mais tocados do blues são o mais texano ,o estilo de chicago e o mais contemporâneo que é o west coast ,vocês tocam um estilo mais linha Chicago porém muito mais vintage ,por isso raro de se ver ,já houve algum comentário de bandas gringas sobre voces e essa personalidade sonora anos 40?

Headcutters – Sim!!!!! Po ficamos muito contentes com isso....vários caras lá de fora fizeram comentários fantásticos sobre nosso som, inclusive caras que somos fãs!!!....rolando convites pra tocarmos fora e tudo mais....e o que mais nos deixou contentes é o convite da Pacific Blues Records pra fazermos parte do casting de artistas deles pra distribuição do nosso disco nos EUA!!!

Nino-Já houve propostas para tocar fora do país?

Headcutters – Sim!!! Vários.....mas infelizmente não tivemos ainda como ir.....$$$ mas não faltará oportunidade, as portas estão abertas!

Nino- Agora vamos tentar ver voces vivendo nesse equilibrio entre a vida fora da banda e como banda .
Existe apoio e interesse de gravadoras e empresários ao som da The Headcutters no Brasil ,ou o lance é mesmo matar no peito ,mesmo que existam festivais e casas voltadas ao gênero ,mesmo que ainda poucos ,voces percebem que esse interesse poderia ser maior e que isso ajudaria muita mais o Headcutters e o Blues em geral ou a banda ainda tem de se virar em seus trampos para manterem-se na ativa ?

Headcutters- Nossa cara!!! Temos que nos virar muito....tudo isso acontece com a gente, coisas legais e tals....mas temos sempre que nos virar pra máquina girar...é matar no peito mesmo....é foda bicho!!! Mas assim é que vamos...novos tempos....internet cd pirata e tals...mas uma coisa é certa o Blues nunca vai morrer!!!!

Nino-Falando em bandas nacionais ,tirando os medalhões,o que vocês consideram mais legal de bandas de blues rolando no país?

Headcutters – Alle Ravanelo, Tiffany Harp, Delones Blues e muitos muitos outros!!!!!

Nino-E os medalhões?

Headcutters – Cara! Várias!!!! Nossos grandes amigos e parceiros Igor Prado e Flavio Guimarães (Blues Etílicos)

Nino-Sabemos que a banda dividiu o palco com grandes nomes do gênero vindos lá de fora qual deles foram emocionantes de conhecer ?

Headcutters – Putzzzz pergunta difícil....podemos dizer que todos foram muito foda!! Mas o Eddie C. Campbell foi com certeza o que mais nos demos bem e foi muito legal conosco....chegando a mandar uma guitarra de Chicago por correio por Maca “a gift” from Chicago””” (risos)


Nino-Nos vários shows feitos pela banda, em algum deles aconteceu algum incidente estranho ,visto que o blues é cercado de lendas misteriosas já contadas por muitos artistas , já rolou algo com a The Headcutters?

Headcutters – Cara....até agora não!! Somente calotes mesmo!!!! (risos)

Nino-O que vocês tem a dizer e como surgiu essa idéia de gravar o novo álbum em um museu de Itajaí resgatando os moldes das gravações vintages ,o que podemos esperar de um projeto tão ousado e original ?

Headcutters – A idéia era antiga!!! Gravações em rolo de fita....chão de madeira...pé direito alto e equipos vintage vão levar a todos que ouvirem nosso som numa viagem “back to 50’ “

Nino-Se pagássemos alguém que não conhecesse nada de blues que álbuns vocês citariam para que essa pessoa absorvesse o estilo de forma que a encantasse ?
Headcutters – Muddy Waters Colletion e Little Walter Essencial!!!

Nino-Se a banda pudesse voltar no tempo e dividir o palco com um só artista que fera seria essa?

Headcutters – Ahhh com certeza o grande mestre Muddy Waters hehehehe

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

RENATO JARDIM - DA SABBAZEIRA DA BANDA SODOMA NOS ANOS 80 AO REQUINTE DA ATUAL SKYFOX 8 ,A HISTORIA DE UM CARA MUITO ALÉM DO GRANDE SOM QUE FAZ.



Decifrar a mente do idealizador da banda de rock progressiva (porém antenada nos dias de hoje) Skyfox 8 ,o musico Porto Alegrense Renato Jardim é como encontrar a chave de um portal para outra dimensão de pensamento.
Renato é enigmatico ,ao mesmo tempo em que fala abertamente de sua longa historia com o rock cita paralelamente experiencias com sombras e trevas ,o bem e o mal em sí mesmo,tudo isso injetado em toda sua trajetória musical ,há um lado oculto que permeia suas palavras e dão margem a uma ideologia intrigante em sua obra .
Nessa entrevista , estando diante dele, me causou a sensação de estar frente e frente com uma figura tão restrita e extremamente preocupada com a profundidade de sua obra artística como Peter gabriel , referencia explicita em sua personalidade musical.
Renato já anda por ae,há mais de duas décadas e jamais abriu concessões em sua obra,o que o torna legitimo, pessoalmente é alguém que admiro muito desde que lançou-se na estrada com uma das bandas que mais fez minha cabeça nos anos 80,a banda Sodoma ,que deixou registrada apenas uma canção na hoje raríssima coletanea “Porto Alegra rock” ,uma Sabbazeira pura e legitima feita muito antes de qualquer banda stoner chegar ao Brasil ,ele também é reconhecido em trabalhos tributos cultuadissimos na região sul como a Moby Dick(Led Zeppelin)onde atua como vocal e na extinta e inacreditável reprodução da fase 70 do Black Sabbath chamada Sabra Cadabra ,onde atuava como baixista ,mas chega de introdução e vamos logo ao bate paposegue :

Nino- Conheci teu trabalho em 1986 ,atraves da coletânea “Porto Alegre Rock” ,na época você fazia parte de uma banda chamada Sodoma e a canção “Buscando a eternidade” era algo que para mim ,na época com 17 anos abalou minha cabeça ,porque acho que foi a primeira banda a existir no sul que tinha uma veia de Black Sabbath fortíssima, talvez tu nunca vá lembrar mas uma vez cheguei a assistir um ensaio de furão e sai do local enlouquecido ,o que tu lembra daqueles áureos tempos e porque a banda não durou tanto?

Renato- Eu lembro daquela época como o começo da "ancoragem" do artísta em mim,
o começo do meu trabalho autoral que me permitiu expressar tudo pelo qual nós todos vinhamos passando naqueles anos malucos pós 70...
A banda não durou tanto eu acho que pela intensidade que tudo aquilo representava pra nós, na época com +- 20 anos, ainda aprendendo a conhecer os limites do ego,a vida em grupo...


Nino -O fim do Sodoma foi um baque para mim,vocês chegaram a tentar gravar um disco ,o que seria pelo menos um registro mais completo para ficar na historia daqueles bons tempos do rock local?

Renato- Sim...esse era o plano...mas se tu imaginasse como estava a nossa cabeça naqueles tempos...
Eu estava absorvendo muita informação em pouco tempo...querendo processar tudo e tranformar em arte ...na maior ansiedade e sem a devida maturidade...
Acho que a sua maneira todos os outros membros estavam passando por isso também.
Falando um pouco do nosso processo criativo, nós eramos muito ligados como amigos, contruimos a idéia e o conceito do grupo Sodoma através da adolescência, eramos extremamente exclusivistas ,passavamos a maior parte do tempo juntos enfurnados em nosso recem adquirido estúdio de ensaio, o q na época era um luxo total.
Ficamos aproximadamente 3 anos ensaiando todas as noite, eu disse todas as noites, kkk...e só conseguimos sair de lá quando alguem de fora, o Fernando Boher, na época caça talentos da gravadora Pialo, literalmente nos arrancou de lá e nos jogou no estudio de gravação...

Nino - Cara,se eu te propusesse regravar “Buscando a eternidade” hoje,tu faria?

Renato- Nossa...por essa eu não esperava!..kkk....sinceramente não sei Nino, mas confesso q adoro um desafio desse tipo...vamos ver...quem sabe...

Nino -Guitarista a la Tonny iommy eu sei que tu ja tem,heheh

Renato- É verdade...kkk... se tu parares pra escutar com calma o trabalho do SKYFOX8, verás q tem muito de Sabbath e Ozzy implícito na minha forma de cantar e em parte dos arranjos...é uma eterna influência, mas não a única..

Nino -Levando em conta que já na época do sodoma era perceptível teu talento ,isso me levar a crer que a musica começou bem cedo para você ,como foi teu primeiro contato com o rock e quais artistas ou discos te fizeram encarar de peito e definitivamente a vida como musico?

Renato- Puxa vida...vamos testar minha memória..

Nino-É não vai ser facil a extração do ouro...

Renato - Eu me lembro de tudo começar com a tomada de consciência, eu criancinha, dizendo pra mim mesmo: Onde raios eu vim parar dessa vez??? kkk...
Aí lembro da música e de todo aquele movimento explosivo do começo dos anos 70 entrando por todos os meus canais de percepção...
Literalmente...aí eu soube desde então, que seria músico ou artísta, anyway...
Escutava muito rádio, não esquecendo que na época os hits do rádio passavam por Led Zep, Elton John (na fase áurea) Genesis, Yes, ELP, e até mesmo Sabbath com Changes no mínimo, lembro de estar com 9 aninhos e totalmente enlouquecido com o Elton John...então um belo dia, ou melhor, era uma noite de sábado, fui presenteado com o maravilhoso "Goodbye Yellow Brick Road" do Elton, esse foi realmente o começo de tudo...nesse disco estava contido o embrião de todo o resto...do Sabbbath ao Genesis e Yes, passando por todo o necessário swing do soul music...


Nino -Na época do final dos anos 80 ,o cenário gaúcho fervilhava,fervilhava pelo menos de boas intenções por parte de gravadoras,lançando coletâneas,existia o apoio da radio Ipanema,na época uma conexão forte do rock com a gurizada,existia o “central rock” e a força que foi bastante significatica do ricardo barão e aquele seu programa noturno,mas na real,para a vida das bandas isso facilitava as coisas ,ou naquele momento a fase ainda era embrionária ,do tipo em que o rock ainda estava sendo cobaia de experiementação para que os contratantes apostassem mesmo nele ou não, algo que algum tempo mais tarde acabou sendo um dos maiores negócios para ambos os lados,era difícil Renato?

Renato- Cara, eu acho q na verdade, falando do meu processo, nós é que eramos difíceis no sentido em que não nos adaptavamos a leitura "local" de todas essas influências...

Nino-Otima ponto de vista ,cara...

Renato- Como vivíamos em nosso próprio mundo, nosso clubinho fechado e psicodélico, tentavamos de todas as formas repassar o que vivíamos sem filtros que dessem uma conotação "bairrista" pro nosso trabalho.
Talvez isso soasse um pouco distante demais aos ouvidos e olhos dos produtores que buscavam algo mais facilmente digerível para o público daqui.
O quadro ficou ainda mais complicado pra mim... com o passar dos anos, quando decidi que cantar art rock em portugues estava soando como algo hibrido e totalmente aquém do que eu gostava de ouvir...
Eu estava me sentindo um completo "loser". comprende? Pois minhas pretenções eram gringas, mas eu parecia o Ed Motta enrolando e esmagando o português dentro de um formato melódico que definitivamente não nasceu pra essa lingua...



Nino- Depois do fim do Sodoma ,teu direcionamento musical mudou do tipo,e agora qual a próxima parada nesse trem?

Renato- Pois então...todos sabem qual foi o final bíblico da "Sodoma", eu acho, kkk...eu diria que por mais q eu lutasse pra reverter o destino trágico do conceito, nós acabamos sendo "queimados" por ele também, kkk...
Meditando sobre tudo isso eu fui chegando a conclusão que o que me atraía nesse conceito, por vezes sombrio do rock, era justamente o drama onde luz & escuridão agem como personagens num teatro, o teatro da vida, compreende?

Nino- Como numa grande obra real entre bem e o mal?

Renato- Sim, exatamente...

Renato - Acho que na verdade o "bem" e o "mal" como "conceito" nasceu das religiôes, que por sua vez nascerão da relação do homem com o Espírito, ,mas se pararmos pra pensar e sentir veremos que todas as escrituras, por mais inspiradas que tenham sido, foram escritas por nós, homens de carne e osso....
Conclusão: talvez isso que chamamos "Deus" ou "Espirito" ou "Diabo" ou "Trevas", sejam aspectos de nós mesmos que residem do outro lado do "véu", compreende? Algo que nos enche de medo ou reverencia. Mas que não é nada mais do que nós mesmos no mundo .

Renato- Assim, eu finalmente compreendi que devia transferir todo o drama que vivia na minha vida pessoal e principalmente com o "outro" lado , para a arte, e mante-lo unicamente lá se possível...
Foi quando descobri o Genesis dos primeiros tempos....

Durante os anos 90 ,quais foram os projetos mais significativos no teu caminho?

Renato- Como eu estava oscilando ainda na velha balança dos extremos de luz & escuridão, no início dos anos 90 eu havia decidido experimentar o "extremo" oposto ao que vinha experimentando até então que era a "escuridão", kkk
Esse mergulho no lado mais "luminoso" de mim mesmo levou-me a fundar o grupo de art rock chamado GRANDBELL, que fez sua estréia no extinto teatro Porto de Elis com o show intitulado: "Abrindo o Coração para a Vitória Cósmica", kkk... ou seja como um sobrevivente da "Sodoma" Eu queria mais era o refresco do "grande sino solar" do Gautama Buda, tá me entendendo?
Curiosamente essa primeira gig do Grandbell nos trouxe um contrato de um disco com a gravadora PRW de SãoPaulo...

Nino- Deixar a luz entrar tem suas vantagens também...

Renato- Isso me fez pensar q eu estava no caminho certo...kkk....mas não por muito tempo.



Nino-Percebo que na tua ideologia o poder da musicalidade vem em primeiro lugar sempre tipo como se tua meta não focasse em atingir algo voltado a agradar as massas ,mas sim os bons conhecedores e admiradores da musica “muito bem trabalhada e detalhista” ,isso complica as coisas pelo lado da sobrevivência ,ou o prazer de conceber esse padrão de musicalidade supera as dificuldades que essa opção escolhida te trás?

Renato- Sim, bem colocado Nino....na verdade, digo isso engolindo em seco, sim...na verdade supera de longe a frustração q a falta de grana trás... se fosse o contrário eu já teria me rendido aos convites para fazer "jingles" a muito tempo....

Nino- Acho q todas pessoas como você ,no fundo estão buscando a eternidade e não a morte
Renato - Hehehe...deu pra perceber???

Renato- Já estou cansado de morrer....já brinquei nessa roda gigante das encarnações o suficiente...já tô meio "enjoado"...kkk....
Metaforicamente falando...kkk... descobri que o grande barato da vida é "lembrar" quem "realmente" somos, e perceber que jogamos um "jogo" que se chama: "integração das polaridades"... luz & trevas, masculino & feminino, noite & dia, tudo aspectos do mesmo ser cósmico o qual refletimos enquanto humanos...

Nino -Hoje a Skyfox 8 é teu principal foco ,fale um pouco sobre essa idéia , por que é algo que ao meu ver consegue ser tão ousado quanto o próprio som no conceito total do projeto que parece ser a essencia de toda tua busca.

Renato- Então, falando de "integração de polaridades" nasceu o SKYFOX8,
tu percebeu muito bem, é exatamente a coroação dessa trajetória que descrevi anteriormente...
Acredito que finalmente cheguei a um equilíbrio conceitual e estético da minha arte, onde nem trevas nem luz são negligenciadas,isso torna, a meu ver, a música do grupo mais madura e interessante...


Nino- Levando em conta o profissionalismo e canções cantadas em inglês ,já rolaram contatos legais no exterior? (se rolaram o que impediram ainda de acontecer na real)

Renato - Sim...lentamente, mas com solidez, estamos expandindo o trabalho via web, para o exterior, atualmente estou em contato com o Michel St Pere, um canadense guitarrista do Grupo de art rock "Mystery"... o vocal desse grupo foi convidado pra excursionar na última turnê de nínguém menos que o YES! Substituindo o Anderson q não estava bem de saúde, é mole?
Estamos trocando figurinhas, vamos vêr no que vai dar...
Mas o legal é q nestes tempos digitais se pode ter muita autonomia de produção em todos os níveis, gastando o mínimo, se fizermos as parcerias certas...tu bem sabes... estamos com um myspace q esta sendo incrementado a medida q se pode, (Http://www.myspace.com/skyfox8) e nesse ano já estamos com um Ep e alguns clipes bem interessantes...
Temos mantido uma frequência saudável de gigs pelo estado, acho q estamos indo bem...

Nino- Bom pessoal,agora é só vocês darem uma conferida no trabalho desta excelente banda ,que mais parece uma banda vinda lá de fora

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

QUE TAL SYMPATHY FOR THE DEVIL?

Um prazer em lhe conhecer
Espero que adivinhem o meu nome
Mas o que lhes confunde
É a natureza do meu jogo



Seu nome é Joe klenner

Vou apresentar para vocês agora o dono do Inferno.
Opa, não precisa se assustar ( ou se interessar com algum pedidinho amigo) esse Joe é um musico figuraça gente finissima .Topou esse bate papo comigo pela madrugada adentro ,no msn mesmo, na maior boa vontade de falar sobre toda sua vida envolvida com a musica e com os lances mais loucos que se pode imaginar.
Joe Klenner é um figuraça , guitarrista de coração ,baixista por prazer , agitador cultural ,empresário e entre outras parece mesmo ser um cara “Joe’tromundo”,mas vamos meter ficha nessa conversa ,porque é papo dos bons.

Nino-Ae Joe ,vamos começar?
Joe- Vamo ae...deixar armar um baseado então..segura ae.
Nino-Vai tranqüilo ,vamo nessa....

Nino – Cara ,como começou tua vida com o rock’n’roll?

Joe- Então,minha vida com a musica começou aos 6 anos de idade, mais rock mesmo eu comecei a tocar aos 16 com a guitarra elétrica, antes disso eu me dedicava integralmente ao skate ,a musica veio logo em seguida ...punk rock...bandas de rock mesmo.
Só que depois de um acidente eu tive de abandonar o skate e escolhi continuar na vida alternativa começando a estudar guitarra.
Eu comenzei a tocar guitarra no hospital mesmo na verdade....hehehe, nao tinha o que fazer....

Nino- Isso na argentina?

Sim...tudo isso na Argentina....eu sou do Chile...mas morei sempre na Argentina...

Nino- E na argentina, depois de começar a tocar guitarra o que rolou depois de você pegar paixão pelo instrumento?

Joe -Dai em poucos meses ja tava tocando numa banda que o guitarrista tinha morrido num acidente de moto....assim essa foi a minha primeira experiencia com uma banda,mas nao lembro de ter tocado ao vivo com eles.
Logo em seguida formamos a banda Ball & Chain,que era uma coisa meio Hanoi Rock/Guns n Roses/Motley Crue, era bem no final dessa época, pouco tempo depois ja tava começando o Grunge...
Com essa banda eu fiz meu primeiros shows e a minha primeira turnê, que na verdade foi a mais longa que eu ja fiz num ônibus, ficamos 1 mes dormindo nele, foi muito divertido...chaos total!

Nino- Vou voltar um pouco na tua fase skatista, porque há muitos fans do esporte no Brasil e percebo que tu vem da fase old school que era muito ligada ao punk rock , Dead kennekys, Circle Jerks... estou certo quando imagino que o punk roots está na tua veia?

Joe- Eu adorava Dead kennedys, circle jerks....quando comencei a estudar guitarra que comecei a ouvir coisas onde a guitarra tava num outro plano.....mas sempre fui do punk rock.....
Acabei de fazer um show como guitarrista pro TV Smith do The Adverts, junto com Mingau do Ultraje e Jeff Molina que toca comigo nos Coraçoes em Furia.... foi muito legal tocar as musicas dos Adverts com ele..... eu cresci ouvindo isso e foi um honra....


Nino- Cara ,tu tocando com um dos The Adverts uma banda lendária da geração punk 77 ,crazy!!

Joe -foi muito louco

http://www.youtube.com/watch?v=LmDGZrjKtsY&feature=related


Como tu se sente hoje sendo responsavel pela vinda de bandas q com certeza fizeram parte do teu passado como Gbh e Exploited ao Brasil ,junto com o Ataque frontal e Sick of Mind?


Com GBH eu ja toquei abrindo pra eles na Argentina...uns 8 ou 9 anos atrás, eu acho eles do caralho e o show em Sao Paulo foi do caralho!
Exploited eu gosto mas na verdade eu gosto mais do Punk 77 que da veia mais hardcore extrema, gosto mais de bandas como Lurkers, The Clash, Eddie & THE HOT RODS, Chelsea, etc etc...
Mas logicamente e uma sensaçao legal estar envolvido em tao grande evento....


Nino- Cara, o punk 77 foi um dos melhores momentos do rock e achei muito massa você citar o Eddie and the hot rods,pelo jeito tu curte do Pub rock ao New wave de 77,Nick lowe,Dr Feelgood....

Joe – sim,adoro tudo isso,gosto muito de Stiv Bators, Lords of the New Church, Hanoi Rocks, bah....de tudo na verdade
Tem pouca coisa que eu nao goste.....
Ultimamente tenho escutado muito reggae o tempo tudo, reggae e um estilo musical que consegue me relaxar, tem um efeito anestesico em mim, sao periodos.....
Tambem tenho uma forte caida pelos Rolling Stones....Haha...Stooges,Bad brains.... e a lista nao acaba....

Nino -(Nesse instante passo para ele canções dos álbuns “Psychedelic souls” do Wailing souls e o tributo ao Sargent Peppers feito pelo Easy star e o cara chapa...)

Joe -na verdade tampouco conhecia essas bandas e esses discos
eu vo acabar entrevistando vc.....hehehe

Nino- Joe ,percebo q tu é um cara do mundo, um “On the road rocker” chegou a me comentar de um projeto com o vocal do Flaming Sideburns,como tu consegue isso cara?


Joe- É ,com Eduardo Martinez, o vocal..... ele e muito amigo meu na verdade....
eu conheci ele muitos anos atras...ele é argentino na verdade e foi morar na Finlandia com 18 anos,a gente ja tocou muito juntos,temos uma banda a The Thunderclouds....ja foi lançado um cd Hyena PLanet Bites On You... o cd e um tributo a Claude, cantante da banda Finlandesa SMACK e The Fishfaces

www.myspace.com/thethunderclouds69


Joe continua -Bom...entao falando do Eduardo e The Thunderclouds.....a gente ja fez uma serie de shows aqui no brasil......e o Eduardo tocou na inauguraçao do Inferno Club só classicos do stooges junto com Forgotten Boys.
E ano passado conseguimos finalmente trazer os Flaming Sideburns pra uma serie de shows aqui no Brasil...tocaram em Sao Paulo e no Goiania Noise,foi do caralho!a
Eu acho Eduardo dos Flaming Sideburns um dos melhores vocais de Rock é do caralho,ate o Bruce Springsteen falou isso,haha..

Nino-Bom,tem mais alguém lá de fora que tu já tenha tocado também?

Joe -Putz.....deixa lembrar......
jam session com um dos caras do Cassualities,acho que com gringos foi só isso
contando algumas participações e coisas em casas ,como em NY.
É que ai da pra se juntar com gente amiga e fazer jam sessions...

Nino-Mas no Brasil hoje tu toca com uma galera ...

Joe- aqui sim ,eu toco com Bebeco Garcia ,com Daniel Belleza e os Coraçoes em Fúria
e com MADRE que e um projeto novo com Flavio Forgotten na batera, roger que ja toca comigo faz anos...e Vivian nos vocais.
É um projeto novo e justamente ontem terminei de gravar as guitarras das quatro musicas que vamos lançar semana que vem...com Daniel Belleza e o Bebeco eu to tocando baixo...instrumento que tambem adoro tocar!

Nino-Cara,isso deve ter ficado muito louco.

Joe-Sim, muito bom, ja vou te pasar pra ouvir...ainda nao tenho nada,
com Belleza acabamos de gravar um novo single...ficou bem louco mesmo
falta masterizar só ,vai ser bem legal.

Nino- Bom,mas voltando na linha do tempo ,queria saber um pouco mais sobre a historia da tua gravadora na Argentina.:

Joe- Bourbon Records,foi uma gravadora que eu fiz com mais dois sócios...
hahaha
perai
vo armar mais um
ja volto
so 1 min...Entao....nossos lançamentos tiveram uma pequenha distribuçao aqui no brasil...
em sao paulo especificamente....a gente lançou supersuckers, sonic boom, eddie spaghetti....o cd dos Thunderclouds,varias coletaneas legais onde tem gente como Sylvain Sylvain dos NY Dolls tocando, Forgotten boys do Brasil tambem estao la no Rock & Roll Salvation Vol. 1,tambem tem uma musica dos Diamond Dogs .... banda do tecladista dos Hellacopters...muito boa, depois lançamos o Rock & Roll Salvation 2 .... foi muito bom tambem..... com Supersuckers, Pariahs e monte de bandas legais envolvidas....

Nino-Mas nesse meio tempo de envolvimento com a gravadora você já andava aqui pelo Brasil?

Joe -Só no final.......quando eu acabei morando aqui nao continuei mais com ela
mas acho que meus socios na parada continuaram fazendo coisas...... seria bom que alguem continuase com isso,lançamos varias bandas argentinas também,foi uma epoca legal,eu acostumava trocar bastante material com europa e USA, dessa forma eu conseguia pegar um monte de material....


Nino- E como aconteceu essa transição para São Paulo?
Joe ....A historia e longa........eu conheci o Brasil tocando com a minha banda argentina CORAZONES MUERTOS..... na primeira turne....uma turne de 22 dias pelo brasil no ano de 2005.....foi muito legal,a gente cruzou o brasil ate Belo Horizonte desde Buenos Aires...em carro e van ,foi maluco,fizemos monte de shows.....
Dai que conheci quem depois seria minha ex-esposa.... isso e outra historia....mas bom....eu me enamorei dela e do brasil e resolvi vir e ficar aqui ate hoje,hehehe.
Depois rolarom mais duas turnes com Corazones Muertos no Brasil.....na segunda eu ja estava praticamente me instalando aqui...e na terceira ja tinha minha propia casa...hehehe

http://www.myspace.com/corazonesmuertos

Nino- Cara,e como pintou a idéia de montar o Inferno Club?

Joe -Quando eu comecei a morar aqui veio a ideia de fazer algo assim....
Eu tenho um grande amigo meu Psycho, Alessandro Padovano, e juntos com Sebatian, baixiista dos Corazones Muertos começamos a formar a ideia do Inferno Club...e bom acabamos fazendo dessa ideia uma realidade....ate o dia de Hoje!

Nino- E ao teu ver ,o que rolou da mais inesquecível na casa?

Joe- Nossa...rolou ja tanta coisa legal que seria muito dificil escolher...uma noite muito legal e emotiva foi quando o irmao do Joey Ramone tocou umas musicas no Inferno...tava o Arturo Vega ai tambem e penduraram a bandeira original dos Ramones no palco...a mesma bandeira que eu ja tinho visto nos 4 ou 5 shows dos Ramones que ja assisti....no começo da noite parecia que ia ter show deles mesmo....rs
Nashville Pussy foi bem legal tambem....o backstage foi festa a parte...hehehe
Brujeria foi muito bom! lastima que tava meio extra lotado e tava um calor do caralho.....
LA Guns foi bem legal.....Sham 69, Lurkers, TV Smith, The Donnas, GBH,ja rolou monte de show legal.....

Nino- Joe,você deve ter visto muito sohw porrada na tua vida não cara?

Joe- Assisti um monte de shows mesmo...... Iggy Pop quando eu tinha 16 anos foi foda......ainda nao esqueço do show.....foi animal num lugar fechado,Pantera a primeira vez foi muito legal....Die Toten Hosen é uma banda do caralho pra assistir ao vivo,New York Dolls junto com Stooges em NY foi muito bom também,Ac/Dc foi um show do caralho quando tocaram na argentina.
Assisti a Tyla dos Dogs d ´amour em Barcelona tocando acustico sozinho com uma guitarra e foi um dos melhores shows que ja assisti.....sei la ,assisti monte.....ate o Michael Jackson duas veces, hehehe.

Nino- E como foi ver o Michael ao vivo?

Joe -Era meio tedioso na verdade......demorava muito entre musica e musica......lembro que tocava essa guitarrista loira que toca pra caralho....Jennifer Batten ou algo assim....
Mas foi um puto show, muito efeito.....puta iluminaçao....


Nino- E os próximos planos Joe?

Joe -Tocar muito com as bandas...... vamos lançar algo novo com Daniel Belleza com certeza, tambem com Bebeco....e com o novo projeto MADRE seguramente vai ser a mesmas coisa.... to muito empolgado com tudo isso...e bom pra me manter ocupado....







www.myspace.com/joeklenner








segunda-feira, 19 de outubro de 2009

TUBA EM FOTO VINIL FANTASTICA


Foto delirio do fantastico universo vinil na festa de comemoração da entrada da banda Desvio padrão no cast da Markadiabo produções que rolou no Rock Cultura bar em Porto ,na imagem mestre Tuba clicado pela camera lisergica de Mauricio Daltrey,poco louco!!